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Olhando a pintura A
persistência da
memória de Salvador
Dali, é possível ver
um horizonte que
aponta vários
caminhos. E olhando
mais próximo vemos o
relógio do tempo
definido em quatro
dimensões que também
aderem a um caminho
com várias opções de
saída, nesse instante
magnífico poderíamos
pensar na imagem como
roupas estendidas à
margem do Rio Sena em
Paris, ou talvez o
farol de Alexandria na
Grécia, ou ainda lendo
A Odisséia ou A
Ilíada, mas quase não
nos envolvemos com o
lado épico, e mais com
o interesse em saber
como foi o aborto da
Ivete Sangalo, o que
vai acontecer hoje na
novela. E assim viva a
sociedade alternativa!
Momentos de colorir
nossas memórias de
zigoto (ser que não
tem identificação), e
resgatar a arte pela
modernidade e seus
feitos históricos, sem
nos embrearmos nas
posturas políticas do
esmo. Sem atearmos
fogo as bruxas, mas
temos tempos
inquisitórios em que
sufocamos nossa forma
de pensar e agir, não
produzindo arte e
apenas nos
impressionando com as
chantagens e atos
vulgares da elite que
vai desde a
promotores, juizes e
delegados de policia,
passando por uma horda
de políticos
gananciosos de
colaboradores
bonzinhos chamados
brasileiros, que cedem
a Bolívia e recebem os
europeus com festas,
não tendo esta
reciprocidade ao
chegar neste primeiro
mundo. Que arte nos
impressiona tanto
hoje? Di Cavalcanti?
Jorge Amado? Tarsilia
do Amaral? Warhol?
Nunca! Talvez A
Favorita. Mas como
encontrar a expressão
que cuide da loucura e
cura de nossos males
mais comuns? Se não
achamos graça nas
verdadeiras artes? É
melhor acreditar que a
arte de Salvador Dali
seja um cartaz
convidando para uma
festa de políticos com
bastante bebida e
direito a uma
sobremesa de R$ 50,00.
Vamos continuar a
estender nossas roupas
sujas na beira do rio,
dessa vez sem opção, e
esperemos que alguém
venha e as lave,
limpando não somente
as sujeiras de nosso
suor e sangue mas
também a cegueira de
nossos olhos.
Edjalma Borges |