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Recentemente
escândalos sexuais batem as portas
da Igreja Católica. O envolvimento
de padres com pedofilia surge aos
montes, o que mancha a imagem de
uma instituição sagrada. Assim, de
todos os lados pedras são atiradas
contra a Igreja, sejam pelo lado da
mídia, da sociedade, de outras
instituições. Será que o pecado
sexual tomou a Igreja?
Sem me aprofundar em
questões teológicas, pois não tenho
gabarito para tal, limito-me a
versar sobre as ações mundanas da
Igreja. Não é a primeira vez,
tampouco será a última que ela é
questionada. A história nos conta
inúmeros casos de abusos e
atrocidades cometidos pela Igreja
Católica.
Parece
contraditório. Se a Igreja tem
tantos erros, como ela se sustenta
a mais de dois mil anos? Se ela é
tão eivada de vícios, como explicar
autoridade dela em questões de fé?
Indagações desse tipo nos confundem
quando se discute o papel da Igreja
na terra, pois ela tem elementos
transcendentais que fogem a razão
humana.
É impossível negar
os erros mundanos da Igreja. As
tomadas de terras, o apoio a
governos déspotas, a venda de
indulgências, a inquisição, a
perseguição à ciência são alguns
dos exemplos mais citados para
condenar a Igreja. Essas acusações
ficaram mais acirradas na medida em
que se desenvolveu o
antropocentrismo.
Agora o foco da vez
é o escândalo sexual envolvendo
padres. Assim, como os demais erros
relatados, este também é
reprovável. A Igreja que prega o
celibato não poderia ter alguns de
seus integrantes envolvidos em
casos sexuais, pedofilia e
homossexualismo. Afinal, tudo isso
contraria os ensinamentos
católicos. Como explicar isso?
Aqui cabe lembrar:
“quem não tiver pecado,
atire a primeira pedra”.
Decerto há erros na Igreja. No
entanto, será que os ataques a tais
erros veem de segmentos sociais
altruístas e solidários ou veem de
organizações com interesses dúbios
e espúrios? É conveniente
questionar se os que condenam a
Igreja são os mesmos que
desrespeitam valores morais
fundamentais e aviltam o ser
humano.
Ou seja, será que os
acusadores não são os mesmos que
incentivam a pornografia, a
prostituição, a violência? Vejam
como alguns setores da mídia, de um
lado apontam os pecados da Igreja,
enquanto de outro fomentam sua
audiência com a exploração e
coisificação humana. Não pretendo
com esse argumento fazer uma defesa
partidária da Igreja, mas alertar
que os ataques não são
despropositados.
É preciso analisar
os fatos pelo o que eles são, não
só pelo o que é dito. Por exemplo,
a Igreja Católica é conhecida
historicamente como a igreja da
inquisição. Todavia, deixam-se de
lado as inquisições de outras
religiões, as quais também foram
cruéis e violentas. Ao se omitir
esses fatos se altera a verdade e a
história passa a ser ditada pelos
convenientes.
Uma história
verdadeira não pode omitir os
benefícios terrenos que a Igreja
proporcionou em diversos campos,
sobretudo, em questões de
solidariedade, fraternidade, paz,
justiça, de valorização da pessoa
humana e, inclusive, da ciência.
Não será que isso é desconsiderado
porque colidem frontalmente com os
princípios hedonistas de alguns?
A verdade nem sempre
retrata a realidade, aqui reside o
perigo dos ataques à Igreja. Assim,
os recentes casos de pedofilia
cometidos por alguns padres são
elevados propositalmente ao extremo
com o fim de condenar toda a
instituição. Do mesmo modo, o
celibato é taxado como a raiz dos
desvios da carne, o que qualifica
todos os padres como suspeitos de
crimes sexuais. Isso não
corresponde à verdade.
É fato. Os casos de
pedofilia no âmbito da Igreja não
podem ficar impunes. Porém, exigem
da Igreja que ela tome medidas de
punição semelhante a tribunais
judiciais. A Igreja de hoje não
condena seus integrantes, nem seus
fieis, porque ela preceitua que só
a Deus compete algum julgamento.
Então os padres envolvidos com
pedofilia não devem sofrer
punições?
Claro que não. A
pedofilia é crime que deve ser
investigado e julgado pelas
instituições competentes. Não é a
Igreja que fará essa punição, este
não é seu papel. Portanto, os
padres culpados devem responder por
seus atos nas instâncias legais
como qualquer outra pessoa. A
Igreja de hoje não se opõe a
justiça humana.
Enfim, os casos de
pedofilia envolvendo padres são
horrendos, só que não são pecados
da Igreja Católica. Na verdade, são
crimes de seres humanos, que
independente da instituição ou da
função que ocupam se deixaram levar
pelas tentações. Destarte, atirar
pedras contra a Igreja e seus
dogmas é artifício para se eximir
dos próprios pecados e crimes.
Alexandre Pereira Rocha.
É cientista político.
Mestre em Ciência Política (UnB)
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