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O objetivo é escrever sobre cidadania, democracia, políticas públicas, governos e eleições, e quiçá tantos outros temas.

Sou Alexandre Rocha, sanraimundense de coração, filho de sanraimundenses e morador por vários anos do bairro Gavião. Entretanto, agora resido em Brasília, mas não me esqueço de nossa cidade. Sempre quando posso trilho o caminho para esta terra adorável. Na Capital Federal conheci, estudei e apaixonei-me pela Ciência Política. Nessa mesma área conclui o curso de Mestrado. A Ciência Política é uma formação pouco conhecida em nossa região, por isso também tenho como propósito divulgá-la, e quem sabe despertar o interesse de pessoas por essa disciplina.

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Os pecados da Igreja

alxroch@yahoo.com.br


Recentemente escândalos sexuais batem as portas da Igreja Católica. O envolvimento de padres com pedofilia surge aos montes, o que mancha a imagem de uma instituição sagrada. Assim, de todos os lados pedras são atiradas contra a Igreja, sejam pelo lado da mídia, da sociedade, de outras instituições. Será que o pecado sexual tomou a Igreja?

Sem me aprofundar em questões teológicas, pois não tenho gabarito para tal, limito-me a versar sobre as ações mundanas da Igreja. Não é a primeira vez, tampouco será a última que ela é questionada. A história nos conta inúmeros casos de abusos e atrocidades cometidos pela Igreja Católica.

Parece contraditório. Se a Igreja tem tantos erros, como ela se sustenta a mais de dois mil anos? Se ela é tão eivada de vícios, como explicar autoridade dela em questões de fé? Indagações desse tipo nos confundem quando se discute o papel da Igreja na terra, pois ela tem elementos transcendentais que fogem a razão humana.  

É impossível negar os erros mundanos da Igreja. As tomadas de terras, o apoio a governos déspotas, a venda de indulgências, a inquisição, a perseguição à ciência são alguns dos exemplos mais citados para condenar a Igreja. Essas acusações ficaram mais acirradas na medida em que se desenvolveu o antropocentrismo.

Agora o foco da vez é o escândalo sexual envolvendo padres. Assim, como os demais erros relatados, este também é reprovável. A Igreja que prega o celibato não poderia ter alguns de seus integrantes envolvidos em casos sexuais, pedofilia e homossexualismo. Afinal, tudo isso contraria os ensinamentos católicos. Como explicar isso?

Aqui cabe lembrar: “quem não tiver pecado, atire a primeira pedra”. Decerto há erros na Igreja. No entanto, será que os ataques a tais erros veem de segmentos sociais altruístas e solidários ou veem de organizações com interesses dúbios e espúrios? É conveniente questionar se os que condenam a Igreja são os mesmos que desrespeitam valores morais fundamentais e aviltam o ser humano.

Ou seja, será que os acusadores não são os mesmos que incentivam a pornografia, a prostituição, a violência? Vejam como alguns setores da mídia, de um lado apontam os pecados da Igreja, enquanto de outro fomentam sua audiência com a exploração e coisificação humana. Não pretendo com esse argumento fazer uma defesa partidária da Igreja, mas alertar que os ataques não são despropositados.

É preciso analisar os fatos pelo o que eles são, não só pelo o que é dito. Por exemplo, a Igreja Católica é conhecida historicamente como a igreja da inquisição. Todavia, deixam-se de lado as inquisições de outras religiões, as quais também foram cruéis e violentas. Ao se omitir esses fatos se altera a verdade e a história passa a ser ditada pelos convenientes.

Uma história verdadeira não pode omitir os benefícios terrenos que a Igreja proporcionou em diversos campos, sobretudo, em questões de solidariedade, fraternidade, paz, justiça, de valorização da pessoa humana e, inclusive, da ciência. Não será que isso é desconsiderado porque colidem frontalmente com os princípios hedonistas de alguns?

A verdade nem sempre retrata a realidade, aqui reside o perigo dos ataques à Igreja. Assim, os recentes casos de pedofilia cometidos por alguns padres são elevados propositalmente ao extremo com o fim de condenar toda a instituição. Do mesmo modo, o celibato é taxado como a raiz dos desvios da carne, o que qualifica todos os padres como suspeitos de crimes sexuais. Isso não corresponde à verdade.

É fato. Os casos de pedofilia no âmbito da Igreja não podem ficar impunes. Porém, exigem da Igreja que ela tome medidas de punição semelhante a tribunais judiciais. A Igreja de hoje não condena seus integrantes, nem seus fieis, porque ela preceitua que só a Deus compete algum julgamento. Então os padres envolvidos com pedofilia não devem sofrer punições?

Claro que não. A pedofilia é crime que deve ser investigado e julgado pelas instituições competentes. Não é a Igreja que fará essa punição, este não é seu papel. Portanto, os padres culpados devem responder por seus atos nas instâncias legais como qualquer outra pessoa. A Igreja de hoje não se opõe a justiça humana.

Enfim, os casos de pedofilia envolvendo padres são horrendos, só que não são pecados da Igreja Católica. Na verdade, são crimes de seres humanos, que independente da instituição ou da função que ocupam se deixaram levar pelas tentações. Destarte, atirar pedras contra a Igreja e seus dogmas é artifício para se eximir dos próprios pecados e crimes.

 

Alexandre Pereira Rocha. É cientista político.

Mestre em Ciência Política (UnB)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Alexandre Rocha