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O objetivo é escrever sobre cidadania, democracia, políticas públicas, governos e eleições, e quiçá tantos outros temas.

Sou Alexandre Rocha, sanraimundense de coração, filho de sanraimundenses e morador por vários anos do bairro Gavião. Entretanto, agora resido em Brasília, mas não me esqueço de nossa cidade. Sempre quando posso trilho o caminho para esta terra adorável. Na Capital Federal conheci, estudei e apaixonei-me pela Ciência Política. Nessa mesma área conclui o curso de Mestrado. A Ciência Política é uma formação pouco conhecida em nossa região, por isso também tenho como propósito divulgá-la, e quem sabe despertar o interesse de pessoas por essa disciplina.

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Cidadãos apolíticos ou só idiotas?

alxroch@yahoo.com.br


O tema corrupção na política não é coisa inventada pelos políticos de nossos dias. Há tempos ele ronda nossa história, acho que vem desde as primeiras caravelas que aqui aportaram. Assim, a corrupção está entranhada na história do Brasil ou é a política que é naturalmente corrupta?

 

A corrupção está em todo lugar, seja no governo federal, estadual ou municipal, bem como fora de nosso país. Miremos no recente caso do Distrito Federal – onde justamente se considera que os eleitores são mais conscientes e instruídos – operou-se um dos piores escândalos de corrupção do Brasil.

 

A despeito disso, minha resposta para a questão levantada é que nem a corrupção está em nossa história, nem a corrupção é própria do mundo político. Não acredito que sejamos um povo culturalmente corrupto, bem como não considero que todos nossos políticos são corruptos. Explico o motivo.

 

Primeiro. Em nossa história tivemos muitos casos de corrupção na política. Tudo bem. Todavia, a corrupção só se tornou problema quando, de fato, o bem público se tornou público. Até bem pouco tempo atrás era bastante comum políticos governarem certo município como se fosse sua própria casa, por exemplo. Só com a propagação dos ideais republicanos, que o público ficou de um lado e o privado do outro.

 

Ora, a corrupção passou a ser problema quando se tornou imoral usar o dinheiro público para fins privados. Isso para nós brasileiros é coisa do início do século 20. Antes tinha muita forma de malversação do dinheiro público, mas não era problema político como é hoje. Passou a ser problema, sobretudo, a partir de 1988, quando, de fato, constituímos as bases de um Estado de direto democrático.

 

Segundo. A política não é  terreno fértil para aguçar o espírito corrupto. Discordo da máxima de que o poder político corrompe. Ao contrário. A política é espaço para se buscar a exaltação do bem público, das virtudes coletivas, da liberdade dos indivíduos. Numa conceituação clássica, não se faz política sozinho, mas entre pessoas. A política nasce de nossas relações em público, de nossa preocupação com a coletividade.

 

Desse modo, se a corrupção não  é própria de nossa história, nem é própria da política, qual é o problema? O problema é que a corrupção significa a desvalorização do espaço político público, ou seja, tudo que se refere ao público é visto com maus olhos, pois se trata de algo sujo, indigno, corrupto. Antes do dinheiro, o que a corrupção nos toma é a dignidade de sermos cidadãos.

 

Os escândalos de corrupção afastam os verdadeiros cidadãos da cena pública. Eles se opõem a participar dessa imoralidade. Assim, vemos surgir a figura do “apolítico”, isto é, pessoa que não quer saber da política. Hoje está na moda ser apolítico, pois soa tão bem quanto ser agnóstico, ateu, apartidário, anônimo. Digamos que é “cult”.

Será o afastamento da política a forma de se manter limpo da sujeirada praticada no mundo político? Acredito que não. Isso não resolve, pois o que ocorre apenas é o esvaziamento do espaço público por parte dos cidadãos. Sem cidadãos dignos e honestos, os políticos corruptos se apropriam facilmente da cena pública, dos recursos públicos.

 

É triste. Muita coisa depende da política. Imagine o que for. Sejam questões de emprego, de saúde, de segurança, de educação, de cultura, de lazer, tudo depende de alguma forma das relações e decisões políticas. Portanto, não há como sermos apolíticos, porque a política é parte integrante da vida moderna. Disso resulta que não há possibilidade de nos julgarmos apolíticos e continuar sendo cidadãos.

 

Arrisco um palpite. Acredito se participássemos mais da política haveria menos casos de corrupção.  Há  várias formas de atuar na política, não precisa necessariamente se candidatar a cargo público, basta, de fato, ser cidadão preocupado com as coisas públicas. Isso implica zelar pela rua, praça, escola, hospital, placa de trânsito de sua cidade. Coisas mínimas, como não jogar lixo no chão são formas de cidadania, meios de se exercer a boa política.

 

Não vamos entrar nessa de ser apolítico. Deixar de se preocupar com a política é se alienar. Na Grécia antiga isso equivaleria a ser “idiota”. É isso mesmo, o apolítico é um idiota. Não podemos nos alienar, pois a corrupção e tantos outros problemas públicos são problemas de todos nós, de nossa coletividade. Por isso, não sejamos indivíduos apolíticos, para também não nos tornarmos numa massa de idiotas.

Alexandre Pereira Rocha. É cientista político.

Mestre em Ciência Política (UnB)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Alexandre Rocha