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O objetivo é escrever sobre cidadania, democracia, políticas públicas, governos e eleições, e quiçá tantos outros temas.

Sou Alexandre Rocha, sanraimundense de coração, filho de sanraimundenses e morador por vários anos do bairro Gavião. Entretanto, agora resido em Brasília, mas não me esqueço de nossa cidade. Sempre quando posso trilho o caminho para esta terra adorável. Na Capital Federal conheci, estudei e apaixonei-me pela Ciência Política. Nessa mesma área conclui o curso de Mestrado. A Ciência Política é uma formação pouco conhecida em nossa região, por isso também tenho como propósito divulgá-la, e quem sabe despertar o interesse de pessoas por essa disciplina.

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Lula aqui e Lula acolá, as desventuras de um estadista

alxroch@yahoo.com.br


O presidente Lula inaugurou via teleconferência o IFET de São Raimundo e muitos outros sem sair de Brasília. Graças às ferramentas tecnológicas de hoje é possível fazer o milagre da multiplicação de “Lula”. Algo interessante, haja vista que o Lula é matéria escassa no mercado político.

Como disse o ministro Celso Amorim: “a demanda de Lula é maior do que a oferta.” Na história política brasileira nenhum presidente alcançou tamanha popularidade, ainda mais no fim de um mandato, e depois de ter passado por tantos escândalos de corrupção na base governista. Como explicar a popularidade do presidente Lula?

O político Lula tem o dom do carisma, tem a capacidade de atrair o povo com palavras e gestos, ou seja, tem a plástica dos líderes populares. Em nossa democracia de massas, o carisma é um capital político sem igual. Mas não basta ser bom de papo, é preciso ter algo mais. No caso do presidente Lula, o algo mais é sua história particular.

O algo mais do Lula é ter saído do interior de Pernambuco no pau-de-arara, ter sido operário na grande São Paulo, ter sido líder do maior sindicato da América Latina, ter combatido à ditadura militar, ter concorrido a cinco eleições presidenciais e ter ganhado duas vezes. Enfim, não ter desistido. Tais coisas moldaram o perfil de um político diferenciado com o qual povo se identifica.

Não é a toa que o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que o Lula é o “cara”. Lula, o presidente operário e de pouca instrução, é solicitado por inúmeras universidades para receber o título de Doutor Honoris Causa. Ademais, segundo especulações do mercado político internacional figura na lista das pessoas mais poderosas do mundo.

Por tudo isso, Lula, coloca-se de igual para igual com outros líderes mundiais nas arenas internacionais. Com o mesmo carisma que conquistou o Brasil, ele vem conquistando o mundo. Tanto é assim que na última edição do fórum de Davos, Lula recebeu a premiação de “estadista global”sem sequer estar lá. É Lula aqui no Brasil, é Lula lá pelo mundo afora.

Todavia, a era do presidente Lula está findando. Por ora, o presidente “pop star” assume as vestes de cabo eleitoral de sua pretensa sucessora, a ministra Dilma Rousseff. Até agora, a despeito da importância e popularidade dele, a pré-candidata governista não alçou voo. Seu legado na presidência talvez fique sem continuidade.

Seja quem for o vencedor das próximas eleições presidenciais, o fato é que Lula não concorrerá à presidência, não poderá ser mais presidente, pelo menos por algum tempo. Isso virá uma página de nossa história democrática, pois desde a primeira até a última eleição direta pós-ditadura militar lá estava o Lula concorrendo.

Decerto, o Lula é um dos mais importantes personagens vivos de nossa história política. Nada obstante, é cedo para medir o impacto de sua passagem pela presidência da República. Independente de todo o prestígio angariado no decorrer de sua trajetória política, sobretudo à frente da presidência, só a história vindoura dirá se o Lula é ou não o “cara”.

As virtudes do presidente Lula têm de ser exaltadas. A história presente já está fazendo isso. Mas, temos de ver também os vícios do político Lula. Isso está sendo omitido. Não se pode deixar de notar que a pessoa do Lula – seja na pele de político ou com a faixa de presidente –, em vez de ter usado o poder para transformar o Brasil, sucumbiu à vaidade do estar no poder.

Para entrar na história não é preciso virar passado, tampouco cravar uma bala no peito como fez Getúlio Vargas. Aliás, não foi por isso que ele se tornou histórico, mas foi por ter tido a ousadia de transformar o Brasil de uma “grande fazenda” em um país industrializado, por ter lutado contra as estruturas patrimonialistas, por ter sonhado um país melhor.

É a capacidade de lidar com as circunstâncias e as oportunidades que fazem de políticos comuns estadistas. Esses são aqueles visionários que entreveem o futuro do seu país no contexto interno e internacional e conseguem conduzi-lo nessa direção. Ser estadista não é coisa a ser recebida numa premiação, mas é algo que só a história e a memória de um povo podem julgar.

A despeito da envergadura, o político Lula ainda não é um estadista. Aliás, esse é matéria rara no mercado político, pois é preciso ousadia para ser estadista. Isso faltou ao presidente Lula, que não enfrentou as verdadeiras bases da desigualdade, que se rendeu à distribuição populista e casuística de recursos, que tantas vezes se calou diante casos de corrupção e de injustiças políticas.  

Alexandre Pereira Rocha. É cientista político.

Mestre em Ciência Política (UnB)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Alexandre Rocha