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O
meu interesse pelo desenvolvimento
de São Raimundo está ligado à minha
paixão pela política. Digo isso
porque sempre acreditei que a
política é o instrumento capaz de
melhorar as condições de vida dos
cidadãos sanraimundenses. Embora eu
confie nisso, infelizmente a
realidade política nem sempre
trouxe solução aos problemas de
nossa cidade. Por quê?
Essa
pergunta sempre me instigou e mais
uma vez ela veio à tona neste fim e
começo de ano. Estive por alguns
dias em nossa cidade e captei
algumas impressões minhas e de
outros amigos a respeito das
andanças políticas de São Raimundo.
Vou compartilhá-las com vocês,
caros leitores.
Particularmente a coisa que mais me
chamou atenção foi a disposição do
trânsito. A faixa de pedestre, o
sinaleiro, as placas e, sobretudo,
os motoqueiros usando capacetes são
fatos importantes. Algumas outras
melhorias como limpeza e adornos na
cidade são salutares também. Para
quem chega de fora a cidade está
mudada, pois parece melhor
organizada.
Todavia, ao conversar com alguns
sanraimundenses foi me repassada
outra visão sobre a situação da
cidade. Pelo que me informaram
muito do que foi feito até agora é
consequência do Congresso
Internacional de Arqueologia. No
mais, as coisas estão caminhando
timidamente. Para quem mora na
cidade a mudança ainda não
aconteceu da forma prometida.
É
estranho. Parece existir um governo
para fora e outro para dentro. O
governo para fora anima as pessoas
que visitam a cidade por poucos
dias. O governo para dentro
constrange alguns cidadãos que
vivenciam o dia-a-dia da cidade.
Será que há dois governos em São
Raimundo?
Foi
com essa dúvida que fiquei ao
visitar nossa cidade. Para falar a
verdade não sei se há dois
governos, mas vejo que há algumas
incongruências no governo. Parece
faltar definição do que deve ser
feito e entendimento na base
aliada.
A
tão sonhada tríade: governo
federal, estadual e municipal
alinhados numa única identidade
partidária não rendeu os frutos
esperados. A situação fica
complicada porque o PT local e o
gestor municipal não falam a mesma
língua. Ademais, a depender de como
será configurada as alianças das
eleições de 2010 o racha pode se
intensificar.
Essas são coisas da práxis política
que qualquer governo está sujeito.
Elas são provas de que a política
eleitoral não anda em compasso com
a política de governo. Ora, as
promessas das campanhas eleitorais
dificilmente se concretizam nos
governos. Isso porque o interesse
dos políticos nas campanhas é só
para conquistar o poder e o nos
governos é para se manter no poder.
A
diferença é simples. Para chegar ao
poder muitos expedientes são
usados, como por exemplo, alianças
e promessas inconsistentes. Para se
manter no poder é preciso se
desfazer de muitos dos arranjos das
campanhas e mesmo assim continuar
com apoio dos correligionários e da
população. Caso isso não seja
possível, passa-se a impressão que
há dois governos.
É
justamente essa idiossincrasia que
ocorre hoje na política de São
Raimundo. Não é necessariamente o
governo que está dividido, porém
são os sonhos de campanhas que
estão sendo deixados de lado. Se
isso é bom, não sei. Por ora só sei
de uma coisa: a política não se faz
com negação, mas com diálogo.
Enfim, pelas impressões que obtive
e pelas que me foram repassadas,
vejo que falta diálogo por parte do
governo que foi eleito com
propósito popular. Essa situação é
preocupante, porque enquanto as
conversas não forem afinadas, a
política continuará não sendo capaz
de mitigar os problemas de São
Raimundo.
Alexandre Pereira Rocha.
É cientista político.
Mestre em Ciência Política (UnB)
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