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O objetivo é escrever sobre cidadania, democracia, políticas públicas, governos e eleições, e quiçá tantos outros temas.

Sou Alexandre Rocha, sanraimundense de coração, filho de sanraimundenses e morador por vários anos do bairro Gavião. Entretanto, agora resido em Brasília, mas não me esqueço de nossa cidade. Sempre quando posso trilho o caminho para esta terra adorável. Na Capital Federal conheci, estudei e apaixonei-me pela Ciência Política. Nessa mesma área conclui o curso de Mestrado. A Ciência Política é uma formação pouco conhecida em nossa região, por isso também tenho como propósito divulgá-la, e quem sabe despertar o interesse de pessoas por essa disciplina.

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Crise no GDF, entre a corrupção e a moral

alxroch@yahoo.com.br


Outro escândalo de corrupção entra em pauta. Os velhos mecanismos de mensalidades a parlamentares e caixa-dois de campanha eleitoral voltam à tona com novos personagens no Distrito Federal. A desfaçatez dos corruptos ultrapassa qualquer limite de moral, pois imagens vergonhosas mostram desde parlamentar escondendo dinheiro nas vestes até outros evocando proteção divina para o esquema de corrupção. Atos desse tipo reforçam a falta de moral de certos políticos e aumentam o desencanto para com a política. Afinal há espaço para a moral na política?

A questão da moral na política sempre foi controversa, porquanto remonta clássicos, como Maquiavel. Ao pensador florentino foi atribuída erroneamente a máxima: “os fins justificam os meios”. Talvez pensando nessa fala o governador do Distrito Federal Roberto Arruda encontre alento, pois se aceitou dinheiro de origem duvidosa foi para fazer obras de caridade. O governador agiu com mãos maquiavélicas, mas no fundo tinha causa nobre. Será que o suposto fim moral eclipsa os meios nitidamente torpes? Caso positivo, a moral não coaduna com a política.

A cada caso de corrupção mais se intensifica a concepção de que o ambiente político é amoral. Nele só sobrevive quem age com sagacidade e está apto a aceitar certas liberalidades e ilegalidades. Nesse sentido Maquiavel adverte aos candidatos a príncipes: “há grande diferença entre como se vive e como se deveria viver... Pois é inevitável que um homem disposto a ser bom em tudo fracasse entre tantos que não são bons.”

Continua o receituário: “é preciso que um príncipe, para se manter, aprenda a não ser bom, e a sê-lo ou não, segundo a necessidade”. Na política a bondade parece ser relativa. Tem-se aqui a justificativa para desprezar a moral na política? Não. Muito do que se atribui à política a partir de Maquiavel não passa de oportunismos. A questão é que para justificar a falta de moral individual o corrupto culpa o ambiente político. No entanto, não é a política o seio da corrupção, mas é o indivíduo de moral ambígua que usa as estruturas políticas para obter vantagens pessoais. Ou seja, a corrupção na política é problema público, contudo suas raízes brotam de deficiências de moral individual.

É triste. O corrupto não se vê amoral, porém apenas um profissional da política. É por isso que o deputado distrital Brunelli não se envergonha de clamar por proteção divina para trilhar pelo devasso mundo da política. Do mesmo modo o governador Arruda considera moral sua atitude porque a intenção de aceitar o dinheiro escuso era para beneficiar os pobres. Essas são atitudes morais? Tais pessoas são representantes públicos, logo o mínimo que se espera deles é que ajam com moralidade. Afinal, se eles são desprovidos de moral com que autoridade irão exigir isso do corpo funcional da maquina pública ou mesmo da sociedade?    

Para explicar o que é corrupção não convêm emaranhados de teorias, basta dizer que ela é a falta de moral no trato da coisa pública. Nada obstante, o problema da moralidade pública é complexo e de difícil aplicação, daí geralmente é deixado de lado. Ademais, pouco se fala em moral na política, prefere-se a palavra ética. Por quê? Ética e moral são quase sinônimos, só que para maioria da população uma falta ética não soa tão desagradável quanto um desvio moral. Nesse sentido, a expressão ética na política serve bem para camuflar as amoralidades de certos políticos.   

A corrupção na esfera pública não é devastosa só pelos milhões de reais desviados e surrupiados, é, sobretudo, por gerar o desencanto para com a política e a despolitização da sociedade. Afinal, a principal herança maldita deixada pela corrupção é uma sociedade desacreditada politicamente, onde de forma paradoxal a política é cada vez mais habitada por políticos profissionais e menos por cidadãos. Esse cenário favorece a alienação política e abre espaço para o surgimento dos falsos moralistas e salvadores da pátria.

A opinião de que a corrupção é própria da política se consolida no senso-comum. Destarte, já que a ética da responsabilidade não guia a ação de certos políticos, para reverter o quadro de corrupção é preciso tratar o problema não só pela ótica da ilegalidade, mas, também pelo crivo da moral. É nesse terreno que a maioria dos cidadãos fazem suas ponderações e é nele que podem julgar os corruptores da política. Enfim, vale frisar que a corrupção no GDF é acima de tudo questão de falta de moralidade, não apenas problema jurídico-legal do mundo da política.

 

Alexandre Pereira Rocha. É cientista político.

Mestre em Ciência Política (UnB)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Alexandre Rocha