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O objetivo é escrever sobre cidadania, democracia, políticas públicas, governos e eleições, e quiçá tantos outros temas.

Sou Alexandre Rocha, sanraimundense de coração, filho de sanraimundenses e morador por vários anos do bairro Gavião. Entretanto, agora resido em Brasília, mas não me esqueço de nossa cidade. Sempre quando posso trilho o caminho para esta terra adorável. Na Capital Federal conheci, estudei e apaixonei-me pela Ciência Política. Nessa mesma área conclui o curso de Mestrado. A Ciência Política é uma formação pouco conhecida em nossa região, por isso também tenho como propósito divulgá-la, e quem sabe despertar o interesse de pessoas por essa disciplina.

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Os heróis anônimos de hoje

alxroch@yahoo.com.br


Caros leitores, dedico este texto ao segurança Robert Torres, conhecido de nós sanraimundenses, que lamentavelmente foi assassinado por bandidos em Teresina, no dia 24/10. Dedico também aos seus familiares e amigos, que sabem do herói que ele é.

 

A violência espalha suas vítimas por todos os lados. Numa recente pesquisa realizada na cidade de Rio de Janeiro, o maior medo dos cariocas é o de ser atingido por uma “bala perdida”. A despeito da situação grave do estado do Rio de Janeiro, onde os criminosos desafiam as forças policiais, a sensação de insegurança toma a população de outras cidades brasileiras. Daí a violência não é mais só preocupação dos cidadãos das zonas manchadas pelo crime, mas um temor do brasileiro.

As causas da violência são inúmeras, podem ser de ordem ecológica, isto é, relacionadas ao ambiente onde são formados os criminosos; podem ser de natureza técnica, como as deficiências das instituições de segurança; podem ser de mote psicológico, ligado exclusivamente à pessoa do criminoso. Em virtude disso, cada caso é um caso, logo carece de análise particularizada. Nada obstante, independente dessas possíveis causas o fato é que os criminosos estão cada vez mais ousados, abusados e violentos.   

Por qualquer coisa, seja por um celular, uma bicicleta, um par de tênis, enfim coisas fúteis ou de pouco valor econômico, os criminosos estão disparando para matar. A vida de qualquer pessoa não tem o menor valor diante da arma de um bandido. Esse menosprezo pela vida alheia que é o temor dos brasileiros – porquanto para obter certo objeto ou por qualquer outro motivo, seja vingança, acerto de contas – a vida, o bem maior, fica em último plano.

Quanto custa a vida de uma pessoa? É incalculável, pois só é objeto de cálculo, de custo, o que uma vez perdido tem a possibilidade de ser reconstituído. Assim, qualquer seguro de vida ou indenização, por mais fartos que sejam, jamais serão capazes de restituir as relações afetivas perdidas para sempre com a morte, ainda mais quando ocorrida de forma abrupta e cometida por criminosos. É absurdo se atribuir qualquer valor para compensar a morte de uma pessoa.

Mesmo a vida sendo bem incomensurável, há pessoas que por dever de ofício vendem sua vida a cada jornada de trabalho. As pessoas que fazem isso não fazem por avareza ou prazer, mas por necessidade ou paixão. Essas pessoas são todos os profissionais de segurança que combatem o crime na linha da frente. Eles podem ser do Estado, como as polícias, ou os da iniciativa privada, como os seguranças de valores e patrimônios. Esses são os profissionais que a cada dia colocam sua vida em risco para que a vida de muitos seja preservada.     

Os profissionais de segurança ofertam sua força, seu suor e seu sangue, e inclusive, sua própria vida, para que pessoas ou patrimônios não sejam vítimas de criminosos. Como já disse, a vida é incomensurável, mas para o policial ou segurança privado o valor de sua vida está representado no valor do salário que recebe ao final do mês. Seja um valor razoável, como o de algumas carreiras policiais; ou irrisório, como o da maioria dos seguranças privados, esse é valor da vida desses profissionais.

Essas constatações são relevantes para relembrar dois fatos ocorridos recentemente. O do helicóptero da polícia Militar do Rio de Janeiro derrubado por traficantes, onde morreram dois policiais. E o caso do segurança particular (Robert Torres) assassinado friamente por delinqüentes no centro de Teresina. Esses são exemplos de profissionais de segurança que saíram de suas casas e do seio de suas famílias para mais um dia de trabalho, só que não retornaram. Infelizmente, eles ficaram pelo caminho vitimados pela violência que tanto combateram.  

A despeito do oficio que exercem e do salário que recebem, semelhante à vida de quaisquer outras pessoas, as vidas dos profissionais de segurança são incomensuráveis. Contudo, o dever de combater o crime colide com o direito de preservar a vida. Eis aqui o dilema diário dos profissionais de segurança, que não raras vezes, colocam o dever acima da própria vida. Portanto, se há heróis por aí, decerto, alguns deles estão nas delegacias, nos quartéis, nas ruas policiando e patrulhando; ou estão nos prédios ou carros-fortes vigiando e protegendo. Afinal, herói é aquele dá sua vida pela vida alheia.

É fato. A violência é um temor dos brasileiros, porém, ela não é pior porque os cidadãos vislumbram alguma esperança nas ações dos profissionais de segurança. Ou seja, dificilmente a violência deixará de existir, nada obstante ela não descamba para o caos porque há pessoas dispostas a combater o crime. Desse modo, para mitigar a violência, Estado e sociedade civil, devem valorizar os profissionais de segurança, tratá-los com reverência não só nos velórios, mas reconhecer suas ações heróicas realizadas na rotina do dia a dia.   

 

Alexandre Pereira Rocha. É cientista político.

Mestre em Ciência Política (UnB)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Alexandre Rocha