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Caros leitores, dedico este
texto ao segurança Robert
Torres, conhecido de nós
sanraimundenses, que
lamentavelmente foi assassinado
por bandidos em Teresina, no
dia 24/10. Dedico também aos
seus familiares e amigos, que
sabem do herói que ele é.
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A
violência espalha suas vítimas por
todos os lados. Numa recente
pesquisa realizada na cidade de Rio
de Janeiro, o maior medo dos
cariocas é o de ser atingido por
uma “bala perdida”. A despeito da
situação grave do estado do Rio de
Janeiro, onde os criminosos
desafiam as forças policiais, a
sensação de insegurança toma a
população de outras cidades
brasileiras. Daí a violência não é
mais só preocupação dos cidadãos
das zonas manchadas pelo crime, mas
um temor do brasileiro.
As
causas da violência são inúmeras,
podem ser de ordem ecológica, isto
é, relacionadas ao ambiente onde
são formados os criminosos; podem
ser de natureza técnica, como as
deficiências das instituições de
segurança; podem ser de mote
psicológico, ligado exclusivamente
à pessoa do criminoso. Em virtude
disso, cada caso é um caso, logo
carece de análise particularizada.
Nada obstante, independente dessas
possíveis causas o fato é que os
criminosos estão cada vez mais
ousados, abusados e violentos.
Por
qualquer coisa, seja por um
celular, uma bicicleta, um par de
tênis, enfim coisas fúteis ou de
pouco valor econômico, os
criminosos estão disparando para
matar. A vida de qualquer pessoa
não tem o menor valor diante da
arma de um bandido. Esse menosprezo
pela vida alheia que é o temor dos
brasileiros – porquanto para obter
certo objeto ou por qualquer outro
motivo, seja vingança, acerto de
contas – a vida, o bem maior, fica
em último plano.
Quanto custa a vida de uma pessoa?
É incalculável, pois só é objeto de
cálculo, de custo, o que uma vez
perdido tem a possibilidade de ser
reconstituído. Assim, qualquer
seguro de vida ou indenização, por
mais fartos que sejam, jamais serão
capazes de restituir as relações
afetivas perdidas para sempre com a
morte, ainda mais quando ocorrida
de forma abrupta e cometida por
criminosos. É absurdo se atribuir
qualquer valor para compensar a
morte de uma pessoa.
Mesmo a vida sendo bem
incomensurável, há pessoas que por
dever de ofício vendem sua vida a
cada jornada de trabalho. As
pessoas que fazem isso não fazem
por avareza ou prazer, mas por
necessidade ou paixão. Essas
pessoas são todos os profissionais
de segurança que combatem o crime
na linha da frente. Eles podem ser
do Estado, como as polícias, ou os
da iniciativa privada, como os
seguranças de valores e
patrimônios. Esses são os
profissionais que a cada dia
colocam sua vida em risco para que
a vida de muitos seja preservada.
Os
profissionais de segurança ofertam
sua força, seu suor e seu sangue, e
inclusive, sua própria vida, para
que pessoas ou patrimônios não
sejam vítimas de criminosos. Como
já disse, a vida é incomensurável,
mas para o policial ou segurança
privado o valor de sua vida está
representado no valor do salário
que recebe ao final do mês. Seja um
valor razoável, como o de algumas
carreiras policiais; ou irrisório,
como o da maioria dos seguranças
privados, esse é valor da vida
desses profissionais.
Essas constatações são relevantes
para relembrar dois fatos ocorridos
recentemente. O do helicóptero da
polícia Militar do Rio de Janeiro
derrubado por traficantes, onde
morreram dois policiais. E o caso
do segurança particular (Robert
Torres) assassinado friamente
por delinqüentes no centro de
Teresina. Esses são exemplos de
profissionais de segurança que
saíram de suas casas e do seio de
suas famílias para mais um dia de
trabalho, só que não retornaram.
Infelizmente, eles ficaram pelo
caminho vitimados pela violência
que tanto combateram.
A
despeito do oficio que exercem e do
salário que recebem, semelhante à
vida de quaisquer outras pessoas,
as vidas dos profissionais de
segurança são incomensuráveis.
Contudo, o dever de combater o
crime colide com o direito de
preservar a vida. Eis aqui o dilema
diário dos profissionais de
segurança, que não raras vezes,
colocam o dever acima da própria
vida. Portanto, se há heróis por
aí, decerto, alguns deles estão nas
delegacias, nos quartéis, nas ruas
policiando e patrulhando; ou estão
nos prédios ou carros-fortes
vigiando e protegendo. Afinal,
herói é aquele dá sua vida pela
vida alheia.
É fato. A violência é um temor dos
brasileiros, porém, ela não é pior
porque os cidadãos vislumbram
alguma esperança nas ações dos
profissionais de segurança. Ou
seja, dificilmente a violência
deixará de existir, nada obstante
ela não descamba para o caos porque
há pessoas dispostas a combater o
crime. Desse modo, para mitigar a
violência, Estado e sociedade
civil, devem valorizar os
profissionais de segurança,
tratá-los com reverência não só nos
velórios, mas reconhecer suas ações
heróicas realizadas na rotina do
dia a dia.
Alexandre Pereira Rocha.
É cientista político.
Mestre em Ciência Política (UnB)
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