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Há
algum tempo certos leitores tem me
criticado por não ser imparcial
(não só eu, mas meu amigo Zeferino
também). Essa crítica felizmente
não é toda sem sentido. Contudo,
vejo que ela deveria funcionar como
uma autocrítica para aqueles que
criticam. Digo isso porque aqueles
que hoje criticam são os mesmo que
se silenciavam antes. Onde está a
imparcialidade?
Ser
imparcial é não tomar partido.
Muito bonito em tese, mas pergunto:
há alguém 100% imparcial no mundo?
Dificilmente há, pois qualquer
pessoa tem suas preferências,
principalmente em política. E é bom
que seja assim mesmo. Digo mais: a
imparcialidade pode trazer mais
problemas do que soluções.
A
imparcialidade total é não pender
para um lado nem para outro. É não
ficar do lado de cicrano ou de
fulano. É não votar no partido “a”
nem no “b”. É não saber se quer
assim ou se assado. É não torcer
pelo time “x” nem pelo “y”. É não
saber se casa ou se compra uma
bicicleta..... Enfim, ser imparcial
é ficar em cima do muro. Que bem há
nisso?
No
meu entender, ser imparcial é não
servir a propósito nenhum.
Felizmente não sou imparcial. Tenho
minhas convicções, preferências,
partido, gostos, ideologias, time.
É por causa disso que nas últimas
eleições municipais optei pelo
candidato Herculano. No entanto,
essa escolha não foi baseada apenas
nas minhas preferências, mas,
sobretudo em anos anteriores de má
gestão do governo passado. Vamos
ser sinceros, a situação precisa
mudar.
Tomei partido. Apoiei, portanto, a
candidatura Herculano por acreditar
em mudanças positivas. Como se vê
não fui imparcial. Ao contrário,
fui sim parcial. No entanto, o meu
objetivo não era obter vantagens
pessoais, mas tão-só melhorias para
São Raimundo. Diferentemente, muito
daqueles que avocam minha
imparcialidade são os que queriam a
vitória de outro candidato para
levar alguma coisa em troca.
Quem
de fato é imparcial? Ora, não
acredito muito nessa questão de
imparcialidade, pois a maioria das
pessoas quer mesmo é puxar a brasa
para sua sardinha. Entretanto,
posso dizer que apoiei o candidato
Herculano sem querer nada em troca,
só melhorias para São Raimundo.
Nesse sentido, não me arrependo de
ter sido (e ser) parcial.
Pelo
que é visto, em São Raimundo, as
coisas vêm mudando para melhor.
Afinal em poucos meses de governo o
atual prefeito está mostrando mais
empenho do que anterior. É
perfeito? Claro que não. Sei muito
bem disso, tanto que eu mesmo já
levantei algumas críticas (mesmo
sendo parcial). Isso prova que sou
parcial, porém não sou submisso.
Deixemos esse papo de
imparcialidade de lado. É tempo de
concentrar esforços para melhorar a
vida dos sanraimundenses. Para isso
precisamos ser parciais, precisamos
estar do lado de São Raimundo. Se
esse for o nosso objetivo, estamos
todos no mesmo barco, logo o porquê
de desentendimento. Vamos tomar
partido pelo progresso de nossa
cidade. É dessa parcialidade que
estou falando.
Por
fim, discordo desse discurso da
imparcialidade proclamado por
alguns leitores, pois me parece
mais ressentimento. Isso não é
imparcialidade, mas qualquer outra
coisa que prefiro não nominar. Não
vejo nada de bom nisso. Destarte,
em vez de imparcialidade, prefiro
justiça. E justiça seja feita, São
Raimundo tem mais chance de
desenvolver hoje do que outrora.
Alexandre Pereira Rocha.
É cientista político.
Mestre em Ciência Política (UnB)
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