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O objetivo é escrever sobre cidadania, democracia, políticas públicas, governos e eleições, e quiçá tantos outros temas.

Sou Alexandre Rocha, sanraimundense de coração, filho de sanraimundenses e morador por vários anos do bairro Gavião. Entretanto, agora resido em Brasília, mas não me esqueço de nossa cidade. Sempre quando posso trilho o caminho para esta terra adorável. Na Capital Federal conheci, estudei e apaixonei-me pela Ciência Política. Nessa mesma área conclui o curso de Mestrado. A Ciência Política é uma formação pouco conhecida em nossa região, por isso também tenho como propósito divulgá-la, e quem sabe despertar o interesse de pessoas por essa disciplina.

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A faixa

alxroch@yahoo.com.br


Lá está ela disposta na principal avenida de São Raimundo, bem no centro da cidade. Algumas listras brancas sobre o asfalto irregular, ainda meio incompreendida, despercebida, desprezada, talvez. Quando a avistei próximo ao Banco do Brasil fiquei admirado. Tão admirado que num ato espontâneo, digo mecânico, quase levantei o braço, mas me contive. Deveria tê-lo feito!

 

Na verdade, como qualquer cidadão sanraimundense tinha duas opções para atravessar a avenida: esperava os automóveis passarem ou saia correndo entre eles. A faixa não era ainda uma opção, mas uma decoração. Digo isso para falar que ela – a faixa de pedestre – não é apenas uma figura para embelezar o asfalto, porém um direito.

 

Como já disse outrora, vivo há alguns anos em Brasília. Esta cidade, capital de nosso país, foi pioneira na implantação da faixa de pedestre. Isso lá pelos anos 90. Acompanhei esse processo. No início, nem motoristas, nem pedestres confiavam na faixa, contudo com o passar do tempo o que era apenas uma lei se tornou numa tradição.       

 

No começo a faixa era a lei que obrigava os motoristas darem passagem aos pedestres que sinalizassem o desejo de atravessar as vias. Foi uma revolução. Transeuntes diante de uma faixa apenas estendiam o braço e, pronto, o trânsito parava. Mas nem tudo foram flores. Muitos acidentes aconteceram (e ainda acontecem), pois alguns motoristas não paravam e atropelamentos ocorriam.

 

Para que tais acidentes fossem reduzidos e evitados, o governo do Distrito Federal realizou diversas campanhas de conscientização da população. Agentes de trânsito ficavam próximo às faixas dando orientações e também penalizando os motoristas inadvertidos. Isso acontece até hoje. Nada obstante, o respeito à faixa de pedestre já é comum na Capital Federal.

 

É curioso. Normas de trânsito se transformaram em traços culturais da comunidade. Que traços são estes? Urbanidade, cordialidade, respeito à vida no trânsito. Mas digo, são traços gerais, pois acidentes acontecem o tempo todo. Para superar essa dificuldade, é preciso campanhas de conscientização e, principalmente, penalidade aos motoristas infratores.     

 

Na Capital Federal a lei que institui a faixa de pedestre é parte do cotidiano da população. Aqui podemos dizer que a lei pegou. Mas voltando ao caso de São Raimundo. É meritória a iniciativa de se adotar a faixa de pedestre. Ademais, de organizar o trânsito de nossa cidade. Os sanraimundenses podem achar esquisito, mas já passava da hora de se colocar o assunto do trânsito em discussão.

 

Quão difícil era transitar pelas ruas do centro. Carros, motos, bicicletas, pedestres, animais disputavam espaços de forma caótica e desigual. Pior do que isso são os freqüentes casos de desastres. Quantas pessoas são vítimas de acidentes de trânsito? Não temos esses números, porém sabemos que eles são preocupantes. Daí é preciso discutir a questão do trânsito em nossa cidade.

 

A faixa de pedestre pode ser boa oportunidade para iniciar esse debate. Ela é um direito do cidadão, pois todos nós somos pedestres. Contudo, para que a faixa não seja apenas adereço, fazem-se necessárias campanhas de divulgação, informação e conscientização do uso dela. Pode-se aproveitar o gancho para debater outros temas de trânsito, como o uso de capacetes, cinto de segurança, respeito aos pedestres, limites de velocidade.

 

Não usei a faixa de pedestre quando estive em São Raimundo. Prometo ser diferente da próxima vez. Vou estender o braço e “dar sinal de vida”. Façam o mesmo amigos sanraimundenses. Afinal, trata-se de um gesto de parar o trânsito, isso sem ser autoridade ou moça bonita, sendo apenas cidadão.

Alexandre Pereira Rocha. É cientista político.

Mestre em Ciência Política (UnB)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Alexandre Rocha

 

 

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