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O objetivo é escrever sobre cidadania, democracia, políticas públicas, governos e eleições, e quiçá tantos outros temas.

Sou Alexandre Rocha, sanraimundense de coração, filho de sanraimundenses e morador por vários anos do bairro Gavião. Entretanto, agora resido em Brasília, mas não me esqueço de nossa cidade. Sempre quando posso trilho o caminho para esta terra adorável. Na Capital Federal conheci, estudei e apaixonei-me pela Ciência Política. Nessa mesma área conclui o curso de Mestrado. A Ciência Política é uma formação pouco conhecida em nossa região, por isso também tenho como propósito divulgá-la, e quem sabe despertar o interesse de pessoas por essa disciplina.

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A crise chega a São Raimundo Nonato 

alxroch@yahoo.com.br


A crise na economia começou nos Estados Unidos, expandiu-se para a Europa, Ásia e depois tomou o mundo. Daí a marolinha que se imaginou que passaria pelo Brasil se tornou numa grande enxurrada. As consequências são perversas, pois atingem todas as regiões do país, sobretudo aquelas mais dependentes de transferência de recursos, como a maioria dos pequenos municípios. Assim, a crise chegou a São Raimundo Nonato.     

 

Para conter o impacto da crise no Brasil o governo federal seguiu o caminho das maiores economias do mundo. A intervenção do Estado se fez necessária, pelo menos num primeiro momento. Em virtude disso, o governo emitiu um conjunto de medidas com o fim de aplacar a crise, sendo a principal delas a redução de impostos, principalmente o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

 

Essa medida alavancou o setor industrial, como o mercado de automóveis. Entretanto, parece que o governo desconsiderou o efeito tradeoff, isto é, o fato de que uma política que visa à resolução de determinado problema acarreta, inevitavelmente, outros. Daí a medida positiva de incentivo ao setor industrial teve consequência negativa na economia dos municípios brasileiros. De uma hora para outra, muitos municípios tiveram suas receitas reduzidas. 

 

Grande parte dos municípios brasileiros tem menos de 50 mil habitantes e não contam com recursos originários, logo sobrevivem de repasses, sobretudo do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Este fundo é formado pelo conjugado de diversos impostos, como o IPI, por exemplo. Com a isenção do IPI proporcionada pelo governo federal de imediato se reduziu o montante do FPM.

 

Desse modo, os efeitos da crise chegaram aos mais recônditos municípios brasileiros. Cidadezinhas que nada têm a ver com a ciranda financeira operada pelos especuladores do mercado sofrem com a falta de investimentos. É fato. Com a deficiência do FPM muitos prefeitos encontram dificuldades de manter a máquina municipal operando. A conseqüência disso é desastrosa, haja vista ser o poder público municipal freqüentemente o indutor da economia local. 

 

O governo brasileiro participou ativamente da última reunião do G20, onde se discutiu os rumos da economia mundial. Em resumo, comentou-se que os países devem agir cooperativamente. Esse foi o discurso dos líderes mundiais, inclusive do brasileiro. No entanto, essa receita não se aplicou domesticamente, pois as medidas anticrise se concentram no governo federal, pouco importando os interesses dos municípios.

 

Como fica São Raimundo Nonato na crise? A previsão não é nada boa. Como senão bastasse o corte do FPM, os recursos prometidos, nomeadamente os do governo estadual, dificilmente chegarão à cidade. Portanto, as obras de infraestrutura necessárias para a realização do Congresso Internacional de Arqueologia, para o Aeroporto e outras políticas de desenvolvimento turístico não sairão do papel. É cômodo para o governo estadual se esconder na crise. Ademais, agora tudo é culpa dela.

 

Na verdade, justificados pela crise, têm governantes se esquivando de suas promessas e compromissos. Essa visão oportunista potencializa os efeitos da crise, em vez de mitigá-los. Por certo, o momento é de parcimônia, mas é preciso continuar com os investimentos. Afinal, só assim será possível superar a crise, seja nos Estados Unidos, em São Raimundo e alhures.

 

Alexandre Pereira Rocha. É cientista político.

Mestre em Ciência Política (UnB)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Alexandre Rocha

 

 

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