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O objetivo é escrever sobre cidadania, democracia, políticas públicas, governos e eleições, e quiçá tantos outros temas.

Sou Alexandre Rocha, sanraimundense de coração, filho de sanraimundenses e morador por vários anos do bairro Gavião. Entretanto, agora resido em Brasília, mas não me esqueço de nossa cidade. Sempre quando posso trilho o caminho para esta terra adorável. Na Capital Federal conheci, estudei e apaixonei-me pela Ciência Política. Nessa mesma área conclui o curso de Mestrado. A Ciência Política é uma formação pouco conhecida em nossa região, por isso também tenho como propósito divulgá-la, e quem sabe despertar o interesse de pessoas por essa disciplina.

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Povo alienado, políticos cara-de-pau

alxroch@yahoo.com.br


A política é mesmo um campo estranho. Personagens com um passado nada ilibado, de um histórico corrupto, de uma hora para outra pousam com ares moralistas. Não sei com que cara eles conseguem fazer isso, mas é impressionante a capacidade de adaptabilidade e sedução deles. É muita cara-de-pau!

A principal imagem da classe política vem do legislativo, sobretudo do Congresso Nacional. É fato o quanto esta instituição basilar da democracia tem sua imagem arranhada no senso comum brasileiro. Tudo em virtude dos sucessivos escândalos de corrupção envolvendo parlamentares. Mas mesmo assim, o que se vê é que isso pouco importa. Tanto faz para os políticos, pois o que vale mesmo é a mantença do poder.

A escolha dos parlamentares que compõem as mesas diretivas do Congresso nos trouxe o curioso caso do deputado dono de um castelo de mais 25 milhões de reais. Apesar dos indícios de enriquecimento ilícito e do bafafá da imprensa, o dono, o deputado Edmar Moreira, tem tudo para rumar impunemente para o seu castelo. Mas isso é fichinha quando comparado à escolha do ex-presidente da República, Fernando Collor, para o comando da comissão de infraestrutura do Senado.

O ex-presidente cassado por ter institucionalizado a corrupção na República brasileira, após restituir seus direitos políticos, volta à cena como senador. Isso, por si só, já é revoltante. Porém, como se não bastasse, agora ele foi eleito por seus pares para presidir a comissão que avalia as obras do governo, como as do PAC, por exemplo. É cômico. Não é trágico. Um corrupto de carteirinha tem a incumbência de fiscalizar, de exigir o fiel cumprimento dos recursos públicos.  

Tudo isso foi possível graças à orquestração de outro senador corrupto que há pouco tempo teve a cara e o nome estampados nos principais jornais e revistas do país. É o senador Renan Calheiros. Aquele das aventuras amorosas custeadas com o dinheiro público. Ele saiu dos holofotes, mas não deixou de reinar. Ele não só emplacou o Collor, mas antes disso, já tinha articulado a eleição do senador José Sarney para presidir o Congresso. Bem ele, a fina casta da oligarquia política.

Esses são alguns casos, entre muitos outros, de políticos – que apesar do passado corrompido (e do presente) –, reassumem a dianteira da política brasileira tendo à mão o bastião da moralidade. É triste. Tantos e tantos casos de corrupção que não dão em nada. Escândalos que foram exaustivamente explorados e inflados pela imprensa, mas pouco investigados pela polícia e Ministério Público, e muito menos punido pelo Judiciário. Pior. Muito menos importância foi dada por parte do povo, dos eleitores, que continuamente reelege políticos corruptos.

Como isso é possível? Paira na cultura brasileira a ideia de que a política é corrupta. Não tem jeito. Daí para maioria dos eleitores é indiferente em quem se vota. Tudo é farinha do mesmo saco. Por outro lado, a classe política está se lixando para o que é dito ao seu respeito. A política, nestes termos, só pode ser um campo estranho. Parece mais um campo de exceção, onde a moral e a virtude são enviesadas. Ou seja, uma terra imaginária, onde nem sempre o que é de fato é, e o que não é pode ser.

Assim é a política. Não. Esta é política à brasileira criada pela esperteza de alguns e sustentada pela ignorância de muitos. Os donos do poder, não por acaso os políticos corruptos, criaram a política da exceção, onde o povo – em sua maioria, alheio à vida política –, é engabelado pelos discursos polidos. Será? Nem sempre. Na verdade, há um conluio. O povo finge que acredita, desde que tenha algo em troca. E os políticos fazem de conta que visam o bem comum, mas só pensam em si. Esta é a lei da vantagem coletiva, na qual o individualismo impera em quaisquer circunstâncias.

A política não é ruim. O problema não é ela, mas as pessoas que a desvirtuam. De um lado pelos políticos que não se importam pela pecha de corruptos. De outro, pelo povo que se aliena completamente dos assuntos públicos. Destarte, se há políticos corruptos com lustrosos caras-de-pau por aí, é porque também há aqueles do povo que passam óleo de peroba nas caras deles.

 

Alexandre Pereira Rocha. É cientista político.

Mestre em Ciência Política (UnB)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Alexandre Rocha

 

 

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