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O objetivo é escrever sobre cidadania, democracia, políticas públicas, governos e eleições, e quiçá tantos outros temas.

Sou Alexandre Rocha, sanraimundense de coração, filho de sanraimundenses e morador por vários anos do bairro Gavião. Entretanto, agora resido em Brasília, mas não me esqueço de nossa cidade. Sempre quando posso trilho o caminho para esta terra adorável. Na Capital Federal conheci, estudei e apaixonei-me pela Ciência Política. Nessa mesma área conclui o curso de Mestrado. A Ciência Política é uma formação pouco conhecida em nossa região, por isso também tenho como propósito divulgá-la, e quem sabe despertar o interesse de pessoas por essa disciplina.

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A vez da política

alxroch@yahoo.com.br


A crise econômica se aprofunda. O perigo de uma depressão semelhante à da década de 1930 aterroriza países dos quatro cantos do planeta. Bancos e empresas estão falindo. O desemprego aumenta vertiginosamente. O dinheiro não circula, perde liquidez. Por mais que se adotem os receituários anticrise, os mercados não se estabilizam. Em virtude disso, as soluções para a crise estão sendo cada vez menos econômicas e, cada vez mais políticas.

 

Os economistas, sobretudo os da linhagem neoliberal e da Escola de Chicago, estão frustrados e escondidos nas suas alcovas ou cátedras. Não foram capazes de diagnosticar uma crise de proporção tão  avassaladora. As instituições de doutrinação econômica, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e as agências de “rating” estão desmoralizadas. Afinal, de pouco adiantam se são incapazes de antever os solavancos da economia.

Será que era impossível prever a atual crise econômica? Não. Esta crise é sistêmica e, como uma grave doença, já emitia sinais de que alguma coisa estava errada. Mas não foi por falta de avisos que os mercados foram parar na UTI e hoje respiram graças aos aportes financeiros de cofres públicos. Economistas, analistas financeiros, acadêmicos, jornalistas, além de diversas instituições altermundialistas já prenunciavam o perigo da bancarrota dos mercados. Só que não lhes deram ouvidos.

 

Aliás, qualquer análise contrária à autonomia da economia, à auto-regulação dos mercados, ao livre comércio, ao capitalismo especulativo, era logo taxada de retrograda e considerada visões de socialistas ressentidos. A verdade é que eclipsados pela especulação financeira e pelo lucro fácil, magnatas do capital não respeitaram elementos mínimos de conduta econômica. Em vez de liberalismo, eles praticaram libertinagem na esfera financeira. Pior. Muitos com o aval de governos e de tradicionais instituições econômicas.

 

O resultado é conhecido por todos. As bases da principal economia mundial, a dos Estados Unidos, estavam corroídas. Milhões de dólares em créditos podres, empresas e bancos com balanços maquiados, pilhas de hipotecas sem valor, tudo fazia parte de uma ciranda financeira sustentada apenas pela especulação. De concreto quase nada. Daí ao menor rumor de que isso poderia ruir, os especuladores entraram em frenesi. E lá se foram os mercados para uma das piores crises econômicas da história. 

 

A crise não é mais só econômica, pois já é de todo o sistema capitalista. Ora, o capitalismo passa por questionamentos. Confronta-se não mais diretamente com outro sistema, como ocorreu outrora no embate com o socialismo. Contudo, defronta-se com ele mesmo. A crise atual é do capitalismo contra suas próprias doutrinas, sobretudo as de cunho neoliberal. Ao pregar o mínimo de Estado, o capitalismo perdeu seu sustentáculo. É fato. A economia precisa de Estados fortes para garantir a plenitude dos mercados.

 

Diante dessas considerações, tanto no Fórum Econômico Mundial de Davos, quanto no Social Mundial de Belém, discutiu-se para onde vai o sistema capitalista. Há capitalismo desprovido de neoliberalismo? Há outro mundo possível? Para os empedernidos de Davos, apesar da crise, os elementos valiosos do livre comércio e do livre mercado são intocáveis. Para os idealistas de Belém é hora de consolidar a ideia altermundialista de um mundo voltado para os valores humanos, não só para os mercados.

 

A despeito das vias a serem seguidas para superar a crise econômica, são necessárias decisões políticas que envolvam governos de países nos mais variados estágios de desenvolvimento. As imposições unilaterais das potências já não acomodam as demandas de participação dos países. As decisões, portanto, devem ser multilaterais, cooperativas e democráticas. Ademais, decisões sensatas que não trilhem para o estatismo irracional nem para o liberalismo irresponsável. Daí fóruns e outros encontros de líderes mundiais deveriam sobrelevar a importância de decisões políticas compartilhadas, as quais respeitem as diversidades econômicas e sociais.

 

É difícil encontrar meio termo entre as ideologias políticas e econômicas. Contudo, boa dica é saber que: “o essencial da política é econômico e o grosso da economia é político”. Desse modo, para aplacar a crise mundial – a vez pode até ser da política –, mas as decisões políticas serão inócuas caso não resultem em positivas modificações no ordenamento econômico.

 

Alexandre Pereira Rocha. É cientista político.

Mestre em Ciência Política (UnB)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Alexandre Rocha