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O objetivo é escrever sobre cidadania, democracia, políticas públicas, governos e eleições, e quiçá tantos outros temas.

Sou Alexandre Rocha, sanraimundense de coração, filho de sanraimundenses e morador por vários anos do bairro Gavião. Entretanto, agora resido em Brasília, mas não me esqueço de nossa cidade. Sempre quando posso trilho o caminho para esta terra adorável. Na Capital Federal conheci, estudei e apaixonei-me pela Ciência Política. Nessa mesma área conclui o curso de Mestrado. A Ciência Política é uma formação pouco conhecida em nossa região, por isso também tenho como propósito divulgá-la, e quem sabe despertar o interesse de pessoas por essa disciplina.

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A Violência na Escola

alxroch@yahoo.com.br


A violência não encontra limites. Não respeita o fato de a pessoa ser criança, jovem, adulto, idoso, homem, mulher. Ela ocorre em qualquer lugar e qualquer pessoa pode ser a próxima vítima. Essa é a sensação que atormenta a todos. Parece não existir lugar seguro. Até lugares outrora considerados incólumes, hoje são assolados pela violência. Esse é o dilema das escolas.

Os motivos da violência são diversos, vão desde questões sociais ou distúrbios psicológicos do indivíduo. Sejam quais forem os motivos, é conveniente se pergunta o porquê da violência nas escolas? Essa pergunta é interessante, porque a escola é local de aprendizado, de estabelecimento de regras e conduta social, não de violência.

No entanto, são cada vez mais comuns casos de violência no âmbito das escolas. De quem será a culpa? Saber o porquê e quem são os responsáveis ajuda a mitigar o problema da violência nas escolas?

Como já foi dito, os motivos da violência provém de ordens diversas. Mas, nas escolas, sobretudo as públicas, o principal deles é a degenerescência da instituição escolar e dos profissionais de educação. O processo de ampliação e democratização do ensino, algo louvável e necessário, não está sendo acompanhado de processos de qualidade nem de medidas que incentivem uma formação mais humana.

A preocupação dos governos em obter estatísticas positivas de pessoas alfabetizadas, de anos de estudo, de redução do índice de repetência, de número salas de aulas construídas; muitas vezes prescinde de uma formação humana baseada em valores morais, éticos e solidários.

A escola já não é mais vista como um local de desenvolvimento humano, de surgimento de pensadores e letrados. Ela funciona mais como uma máquina emissora de certificados e diplomas; ou então, como uma formadora de mão-de-obra padronizada para um mercado desumanizado.

Nada obstante, muitas famílias, quase que exclusivamente atribuem à escola a criação de seus filhos e filhas. Muitos pais já não se importam em educar a própria prole. Preferem deixar tudo a cargo dos professores e das escolas. Contudo, por mais qualificada que seja a instituição de ensino, jamais ela poderá suprir o papel dos pais, das famílias.

A deficiência de educação no interior das famílias, isto é, a falta de transmissão de valores e virtudes familiares e afetivas tem implicações nefastas no transcorrer de toda a vida dos indivíduos. A escola e os educadores de hoje não são preparados para transmudar essa realidade.      

A violência nas escolas, portanto, pode decorrer da desvalorização do ensino e dos educadores, das políticas enviesadas dos governos, da irresponsabilidade de algumas famílias. Essa visão reducionista serve ao propósito de apontar algumas causas ou culpados, mas não vislumbra toda a dimensão do problema.

A ocorrência da violência nas escolas é tão-só outra faceta das muitas da violência que afligem as sociedades atuais. Ela é um fenômeno complexo, cujas causas e culpados são variados e interconectados. Daí não logra êxito duradouro medidas que atuem isoladamente.  

Para compreender a questão da violência é mister uma visão holística. Aqui é oportuna a lição do sociólogo Norbert Elias, para quem “as estruturas da psique humana, as estruturas da sociedade humana e as estruturas da história humana são indissociavelmente complementares, só podendo ser estudas em conjunto”.

Assim, seja qual for a natureza ou o local, a violência é resultado de ações de indivíduos e de seus históricos de vida dentro de certa contexto social. É a partir desse conjunto que se deve analisar a violência. O caso dela nas escolas, portanto, não pode ser visto de outra forma, tampouco dissociado de outros tipos de violações.  

Medidas para aplacar a violência não são fáceis. Todavia, a compreensão do indivíduo como parte de certa sociedade e o resgate de valores e virtudes há tempos esquecidos, podem contribuir. A escola – por ser uma instituição sensível às vicissitudes sociais, além de formadora de mentes e corações – deve adotar essa didática.

Para tanto, a escola não deve se limitar a uma posição passiva diante do problema da violência. Ou seja, ela precisa deixar de ser vítima e reocupar a sua função de agente de transformação, proporcionando uma educação verdadeiramente humana.      

 

Alexandre Pereira Rocha. É cientista político.

Mestre em Ciência Política (UnB)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Alexandre Rocha