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A violência
não encontra limites. Não respeita
o fato de a pessoa ser criança,
jovem, adulto, idoso, homem,
mulher. Ela ocorre em qualquer
lugar e qualquer pessoa pode ser a
próxima vítima. Essa é a sensação
que atormenta a todos. Parece não
existir lugar seguro. Até lugares
outrora considerados incólumes,
hoje são assolados pela violência.
Esse é o dilema das escolas.
Os motivos da
violência são diversos, vão desde
questões sociais ou distúrbios
psicológicos do indivíduo. Sejam
quais forem os motivos, é
conveniente se pergunta o porquê da
violência nas escolas? Essa
pergunta é interessante, porque a
escola é local de aprendizado, de
estabelecimento de regras e conduta
social, não de violência.
No entanto,
são cada vez mais comuns casos de
violência no âmbito das escolas. De
quem será a culpa? Saber o porquê e
quem são os responsáveis ajuda a
mitigar o problema da violência nas
escolas?
Como já foi
dito, os motivos da violência
provém de ordens diversas. Mas, nas
escolas, sobretudo as públicas, o
principal deles é a degenerescência
da instituição escolar e dos
profissionais de educação. O
processo de ampliação e
democratização do ensino, algo
louvável e necessário, não está
sendo acompanhado de processos de
qualidade nem de medidas que
incentivem uma formação mais
humana.
A preocupação
dos governos em obter estatísticas
positivas de pessoas alfabetizadas,
de anos de estudo, de redução do
índice de repetência, de número
salas de aulas construídas; muitas
vezes prescinde de uma formação
humana baseada em valores morais,
éticos e solidários.
A escola já
não é mais vista como um local de
desenvolvimento humano, de
surgimento de pensadores e
letrados. Ela funciona mais como
uma máquina emissora de
certificados e diplomas; ou então,
como uma formadora de mão-de-obra
padronizada para um mercado
desumanizado.
Nada
obstante, muitas famílias, quase
que exclusivamente atribuem à
escola a criação de seus filhos e
filhas. Muitos pais já não se
importam em educar a própria prole.
Preferem deixar tudo a cargo dos
professores e das escolas. Contudo,
por mais qualificada que seja a
instituição de ensino, jamais ela
poderá suprir o papel dos pais, das
famílias.
A deficiência
de educação no interior das
famílias, isto é, a falta de
transmissão de valores e virtudes
familiares e afetivas tem
implicações nefastas no transcorrer
de toda a vida dos indivíduos. A
escola e os educadores de hoje não
são preparados para transmudar essa
realidade.
A violência
nas escolas, portanto, pode
decorrer da desvalorização do
ensino e dos educadores, das
políticas enviesadas dos governos,
da irresponsabilidade de algumas
famílias. Essa visão reducionista
serve ao propósito de apontar
algumas causas ou culpados, mas não
vislumbra toda a dimensão do
problema.
A ocorrência
da violência nas escolas é tão-só
outra faceta das muitas da
violência que afligem as sociedades
atuais. Ela é um fenômeno complexo,
cujas causas e culpados são
variados e interconectados. Daí não
logra êxito duradouro medidas que
atuem isoladamente.
Para
compreender a questão da violência
é mister uma visão holística. Aqui
é oportuna a lição do sociólogo
Norbert Elias, para quem “as
estruturas da psique humana, as
estruturas da sociedade humana e as
estruturas da história humana são
indissociavelmente complementares,
só podendo ser estudas em
conjunto”.
Assim, seja
qual for a natureza ou o local, a
violência é resultado de ações de
indivíduos e de seus históricos de
vida dentro de certa contexto
social. É a partir desse conjunto
que se deve analisar a violência. O
caso dela nas escolas, portanto,
não pode ser visto de outra forma,
tampouco dissociado de outros tipos
de violações.
Medidas para
aplacar a violência não são fáceis.
Todavia, a compreensão do indivíduo
como parte de certa sociedade e o
resgate de valores e virtudes há
tempos esquecidos, podem
contribuir. A escola – por ser uma
instituição sensível às
vicissitudes sociais, além de
formadora de mentes e corações –
deve adotar essa didática.
Para tanto, a
escola não deve se limitar a uma
posição passiva diante do problema
da violência. Ou seja, ela precisa
deixar de ser vítima e reocupar a
sua função de agente de
transformação, proporcionando uma
educação verdadeiramente humana.
Alexandre Pereira Rocha.
É cientista político.
Mestre em Ciência Política (UnB)
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