|
O
resultado das eleições municipais
de 2008 foi surpreendente. A
oligarquia política fica de fora do
comando da prefeitura municipal.
Ela perde para uma oposição, que
embora não fosse coesa, foi capaz
de virar o jogo nos últimos
instantes. Uma vitória conquistada
na “raça”. Daí surgem mudanças e
quiçá melhorias para São Raimundo
Nonato.
A
vitória da oposição foi importante,
mas só foi possível porque o povo
sanraimundense ansiava por
mudanças. A população estava
cansada e insatisfeita com a velha
oligarquia política, a qual há
tempos dominava e afundava a cidade
num mundo de atraso. A resposta
veio pelas urnas. A maioria dos
eleitores disse NÃO ao grupo
Ferreira, que a despeito das
gestões desastrosas e do
desrespeito com a coisa pública,
imaginou que imporia seu candidato
a todo custo.
Tudo
indicava o continuísmo.
Acreditava-se que qualquer
candidato da oligarquia Ferreira
sairia vitorioso. Mas as coisas
mudaram quando os partidos da
oposição deixaram de lado as
desavenças. Para tanto, o acordo
entre as lideranças políticas,
sobretudo o apóio do Dr. Isaias,
foi fundamental. A partir de então
o povo viu a força motriz da
mudança e apostou na nova linha
política. Não importa se o
resultado foi apertado, pois pouco
mais de 300 votos deram a vitória
ao Pe. Herculano. De fato, o que
importa é a mudança de rumo na
política sanraimundense.
A
dança das cadeiras vai além de uma
simples alternância de mandatários.
Ela representa a saída da velha
oligarquia e a entrada de uma nova
força política. Pode-se argumentar
que o Pe. Herculano não é nenhuma
novidade. Por causa disso, sua
candidatura enfrentou dificuldades,
inclusive forte rejeição de alguns
que vivenciaram o período que ele
foi prefeito. Mas o Pe. Herculano
de agora não é o mesmo de outrora.
Dessa vez ele não está só. Em torno
dele há uma geração de sonhadores
com o pé no chão.
Na
verdade, o Pe. Herculano foi o nome
capaz de sinergizar um grupo de
pessoas que já vinha pensando São
Raimundo de forma diferente. Eram
pessoas que desejavam uma cidade
melhor para se viver. Almejam por
representantes públicos competentes
e transparentes, os quais seriam
capazes de prestar serviços
públicos voltados exclusivamente ao
bem-estar do povo sanraimundense.
Nenhum outro nome da classe
política ou de outros segmentos da
sociedade sanraimundense teve a
sensibilidade de ouvir novos atores
como fez o Pe. Herculano.
Nas
suas idas e vindas a São Raimundo,
Pe. Herculano, viu o alvorecer do
movimento por uma cidade melhor e
se engajou nele. Se sua vontade
tivesse prevalecido, alguém desse
movimento teria saído candidato.
Ele pregava o surgimento de novos
nomes. Ele não queria se apoderar
do poder, só queria ver a cidade
melhor. No entanto a política é um
campo obtuso. Sabíamos que, a
despeito de bons nomes, muita
vontade e capacidade, nenhum seria
aceito com facilidade e brevidade
no meio político. Coube ao Pe.
Herculano assumir a
responsabilidade de não deixar o
momento passar. As eleições já
estavam em cima.
A
política de “festa e cachaça”
perpetrada pela oligarquia já não
mais mascarava as mazelas da
cidade. A situação deplorável da
infra-estrutura, dos serviços
públicos, os casos de corrupção
saltavam aos olhos de qualquer um.
Era preciso dar um basta. Daí
surgiu um movimento disforme, mas
com objetivos. Tinha-se a opinião
de fulano, de sicrano, de um dali,
de outro de acolá. Com o passar do
tempo essas opiniões se alinharam,
adquiriram um norte. Ademais,
encontram albergue no Portal
Sanraimundense, sobretudo nas
colunas e no mural de recados.
Também no informativo
Pau-de-colher. Nesse meio estava o
Pe. Herculano.
A
mudança começou. A oligarquia não
terá mais o comando ativo do poder
municipal. Todavia, a principal
mudança é a ascensão de
sanraimundenses devotos às causas
de sua cidade e ansiosos por
melhorias efetivas. Venceu a
oposição, na pessoa do Pe.
Herculano, dos aliados e de todos
aqueles que desejam o progresso
para São Raimundo. Decerto, nesta
eleição, a sensatez pública falou
mais alto do que os interesses
mesquinhos.
Alexandre Pereira Rocha.
É cientista político.
Mestre em Ciência Política (UnB)
|