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Os
personagens desta eleição municipal
são os mesmos de outrora. De um
lado, a família Ferreira. Do outro,
uma oposição desarticulada. Nada
obstante, paira uma indefinição em
torno das candidaturas. Os dois
candidatos que lideram a corrida
enfrentam pendências judiciais.
Pelo visto, nesta eleição, serão os
tribunais que decidirão o futuro
político dos candidatos.
A
família Ferreira está no comando da
prefeitura há oito anos. Sua gestão
foi marcada pelo desmantelamento da
administração pública. Mas nem por
isso ela deixa de se julgar como a
única e melhor opção para governar
a cidade. É verdade que ela
enfrenta dificuldades em firmar seu
candidato, pois dois nomes já
sucumbiram e o terceiro está na
corda bamba. Todavia a família
Ferreira conhece bem os labirintos
do submundo da política. Por isso,
não pode ser menosprezada.
A
oposição, como era de se esperar,
rachou. Os candidatos Padre
Herculano e Dr. Isaias, que durante
as prévias esboçavam uma possível
união, hoje estão em chapas
distintas. Ao Padre Herculano coube
o apoio do PT, do governo
Wellington Dias, da família Macêdo,
entre outras. Ao Dr. Isaias,
principalmente o apoio de seu
irmão, o deputado estadual Hélio
Isaias, do deputado federal Marcelo
Castro, do velho coronel José de
Castro. Por estarem em lados
opostos, a questão que surge é a
seguinte: algum desses grupos da
oposição de forma isolada tem
condição de suplantar o domínio da
família Ferreira?
O
candidato Padre Herculano, que
lidera a ala mais forte da
oposição, tem boas chances de ser
eleito, mas primeiro precisa
assegurar o registro de sua
candidatura. Por sua vez, o
candidato Dr. Isaias, apesar de sem
problemas judiciais, até o momento
não empolgou o eleitorado. Daí se
observa que o principal adversário
a ser superado pelos partidos da
oposição é fato de eles não falarem
a mesma língua. Ora, essa situação
fragmentaria só favorece o
candidato da situação Valmir Filho,
o qual já conta com a logística dos
Ferreiras, com a máquina pública e
com uma rede de contatos que se
estende por vários segmentos do
poder.
A
polarização dos grupos da oposição
simboliza bem a falta de um
“projeto político de oposição”
capaz de barrar o poderio dos
Ferreiras. É fato. A família-poder
é mais forte e organizada do que
muitos partidos políticos de São
Raimundo Nonato. Quando o assunto é
eleição, os Ferreiras partem para o
combate com todas as armas.
Enquanto a oposição tentava se
articular, constituir um nome
viável, os Ferreiras já rodavam
pelos interiores do município em
busca de votos. Para eles não
importa quem será o candidato da
família, simplesmente apontam um
nome e vão para campo. Eles
defendem que qualquer um entre os
Ferreiras pode ser candidato.
Pelo
caminho ficaram Gaspar Neto e Ana
Teresa. Valmir Filho está
seriamente comprometido. Entretanto
nada disso faz diferença. Por
certo, os Ferreiras sacam outro
nome e continuam sua saga. Já a
oposição – em vez de construir uma
visão de futuro – continua
cambaleante e fracionada. É triste.
Na oposição vaidades e picuinhas
dão lugar a um debate produtivo, o
qual seja capaz não só de contrapor
aos Ferreira, mas, sobretudo, capaz
de formar um via de governo
sustentável, eficiente e
duradoura.
O
Padre Herculano é do grupo forte da
oposição e tem chances de vitória.
O Dr. Isaias não é maioria, mas
pode muito bem surpreender, haja
vista ser o único dos candidatos
com o registro assegurado. No
entanto, um retira voto do outro,
pouco avançam sobre a votação do
candidato da situação. No fim das
contas, a oposição poderia fazer
uma votação expressiva e bem além
da dos adversários. Como isso não
acontece, ou seja, os partidos de
oposição não se entendem, os
Ferreiras deitam e rolam nas
eleições.
A
justiça decidirá não só o destino
de candidatos, mas o do povo
sanraimundense. Caso o Padre
Herculano não possa mais concorrer
ao pleito nem a campanha do Dr.
Isaias decole, a oposição novamente
deixará caminho aberto para família
Ferreira e aliados. Daí mais outro
período de atraso para a cidade São
Raimundo Nonato.
Alexandre Pereira Rocha.
É cientista político.
Mestre em Ciência Política (UnB)
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