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O objetivo é escrever sobre cidadania, democracia, políticas públicas, governos e eleições, e quiçá tantos outros temas.

Sou Alexandre Rocha, sanraimundense de coração, filho de sanraimundenses e morador por vários anos do bairro Gavião. Entretanto, agora resido em Brasília, mas não me esqueço de nossa cidade. Sempre quando posso trilho o caminho para esta terra adorável. Na Capital Federal conheci, estudei e apaixonei-me pela Ciência Política. Nessa mesma área conclui o curso de Mestrado. A Ciência Política é uma formação pouco conhecida em nossa região, por isso também tenho como propósito divulgá-la, e quem sabe despertar o interesse de pessoas por essa disciplina.

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O vai-e-vem da posição e da situação

alxroch@yahoo.com.br


Os personagens desta eleição municipal são os mesmos de outrora. De um lado, a família Ferreira. Do outro, uma oposição desarticulada. Nada obstante, paira uma indefinição em torno das candidaturas. Os dois candidatos que lideram a corrida enfrentam pendências judiciais. Pelo visto, nesta eleição, serão os tribunais que decidirão o futuro político dos candidatos.    

A família Ferreira está no comando da prefeitura há oito anos. Sua gestão foi marcada pelo desmantelamento da administração pública. Mas nem por isso ela deixa de se julgar como a única e melhor opção para governar a cidade. É verdade que ela enfrenta dificuldades em firmar seu candidato, pois dois nomes já sucumbiram e o terceiro está na corda bamba. Todavia a família Ferreira conhece bem os labirintos do submundo da política. Por isso, não pode ser menosprezada.  

A oposição, como era de se esperar, rachou. Os candidatos Padre Herculano e Dr. Isaias, que durante as prévias esboçavam uma possível união, hoje estão em chapas distintas. Ao Padre Herculano coube o apoio do PT, do governo Wellington Dias, da família Macêdo, entre outras. Ao Dr. Isaias, principalmente o apoio de seu irmão, o deputado estadual Hélio Isaias, do deputado federal Marcelo Castro, do velho coronel José de Castro. Por estarem em lados opostos, a questão que surge é a seguinte: algum desses grupos da oposição de forma isolada tem condição de suplantar o domínio da família Ferreira?

O candidato Padre Herculano, que lidera a ala mais forte da oposição, tem boas chances de ser eleito, mas primeiro precisa assegurar o registro de sua candidatura. Por sua vez, o candidato Dr. Isaias, apesar de sem problemas judiciais, até o momento não empolgou o eleitorado. Daí se observa que o principal adversário a ser superado pelos partidos da oposição é fato de eles não falarem a mesma língua. Ora, essa situação fragmentaria só favorece o candidato da situação Valmir Filho, o qual já conta com a logística dos Ferreiras, com a máquina pública e com uma rede de contatos que se estende por vários segmentos do poder.  

A polarização dos grupos da oposição simboliza bem a falta de um “projeto político de oposição” capaz de barrar o poderio dos Ferreiras.  É fato. A família-poder é mais forte e organizada do que muitos partidos políticos de São Raimundo Nonato. Quando o assunto é eleição, os Ferreiras partem para o combate com todas as armas. Enquanto a oposição tentava se articular, constituir um nome viável, os Ferreiras já rodavam pelos interiores do município em busca de votos. Para eles não importa quem será o candidato da família, simplesmente apontam um nome e vão para campo. Eles defendem que qualquer um entre os Ferreiras pode ser candidato.

Pelo caminho ficaram Gaspar Neto e Ana Teresa. Valmir Filho está seriamente comprometido. Entretanto nada disso faz diferença. Por certo, os Ferreiras sacam outro nome e continuam sua saga. Já a oposição – em vez de construir uma visão de futuro – continua cambaleante e fracionada. É triste. Na oposição vaidades e picuinhas dão lugar a um debate produtivo, o qual seja capaz não só de contrapor aos Ferreira, mas, sobretudo, capaz de formar um via de governo sustentável, eficiente e duradoura.     

O Padre Herculano é do grupo forte da oposição e tem chances de vitória. O Dr. Isaias não é maioria, mas pode muito bem surpreender, haja vista ser o único dos candidatos com o registro assegurado. No entanto, um retira voto do outro, pouco avançam sobre a votação do candidato da situação. No fim das contas, a oposição poderia fazer uma votação expressiva e bem além da dos adversários. Como isso não acontece, ou seja, os partidos de oposição não se entendem, os Ferreiras deitam e rolam nas eleições.

A justiça decidirá não só o destino de candidatos, mas o do povo sanraimundense. Caso o Padre Herculano não possa mais concorrer ao pleito nem a campanha do Dr. Isaias decole, a oposição novamente deixará caminho aberto para família Ferreira e aliados. Daí mais outro período de atraso para a cidade São Raimundo Nonato.    

 

Alexandre Pereira Rocha. É cientista político.

Mestre em Ciência Política (UnB)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Alexandre Rocha