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O objetivo é escrever sobre cidadania, democracia, políticas públicas, governos e eleições, e quiçá tantos outros temas.

Sou Alexandre Rocha, sanraimundense de coração, filho de sanraimundenses e morador por vários anos do bairro Gavião. Entretanto, agora resido em Brasília, mas não me esqueço de nossa cidade. Sempre quando posso trilho o caminho para esta terra adorável. Na Capital Federal conheci, estudei e apaixonei-me pela Ciência Política. Nessa mesma área conclui o curso de Mestrado. A Ciência Política é uma formação pouco conhecida em nossa região, por isso também tenho como propósito divulgá-la, e quem sabe despertar o interesse de pessoas por essa disciplina.

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Fiki pra sempre

alxroch@yahoo.com.br


O clima de festividade começa a se espalhar pelo ar. É julho, mês das férias. A cidade fica mais animada. Sanraimundenses residentes na cidade ou não comungam a alegria do reencontro. Familiares, amigos, amores novamente juntos. Daí a saudade vai embora, a conversa é colocada em dia, carinhos são compartilhados. É São Raimundo o lugar da emoção.

Gosto de estar em São Raimundo, principalmente nos períodos festivos. Em agosto é o meu favorito. Tem o festejo religioso, a novena ao santo que deu nome à nossa cidade. Tem festa nas ruas, nos clubes. Mas além desta, tem outra festa que muito aprecio. É o carnaval do meio do ano, das férias.

Não sei quando esse carnaval começou. Sei que o pontapé foi dado pelo Pereira. Este é um empreendedor que devemos parabenizar. Consegue motivar empresários a investir numa descontração de som, dança e suor. É um bom negócio para os comerciantes, mas principalmente para quem está no meio da diversão. Eu fico no meio.

Em julho, por três dias São Raimundo é só carnaval. Lá pelas onze da noite o trio-elétrico dá os primeiros acordes. Os foliões estão apostos para maratona. E lá vai. É só curtição. As pessoas dançam de um lado para o outro. A marcha segue pela avenida principal. Os corações estão a mais de mil. É engraçado. Som e clima envolvem a todos. Não dá pra ficar parado. É carnaval.

É isso que sinto. Não sei se gosto do carnaval ou de São Raimundo. Ah! Gosto dos dois. Tudo é maravilho quando estou em minha cidade rodeado por conterrâneos. Por isso, deixo meus afazes e vou atrás do trio. Aproveito cada instante, eu e minha companheira. Afinal, foi numa festa de carnaval que nosso amor embalou.

São Raimundo é uma cidade festiva. O nosso carnaval, em termos de estrutura e organização, não é um dos melhores. Os espaços da cidade não favorecem. O trio-elétrico mal consegue romper as ruas estreitas e os foliões dançam entre buracos e esgoto. Temos deficiência, mas temos potencial. Se algumas coisas forem melhoradas, nosso carnaval pode proporcionar muito mais que alegria.

O nosso carnaval não é para concorrer com outros. Não é isso. O bom do carnaval sanraimundense é porque ele é particular. É próprio de uma cidade do interior, mas sem perder o brio. É um carnaval diferente sem ser inferior. Explico: não é apenas a estrutura que faz a festa, porém também o espírito. O povo sanraimundense é de espírito alegre. É por isso que nosso carnaval é bom.

É claro que muita coisa pode e deve ser melhorada. O poder público municipal deveria aprimorar a estrutura da cidade e apostar no empreendedorismo das pessoas. Toda uma preparação e decoração deveriam ser feitas para deixar a cidade bonita e pronta para festa. Isso atrairia mais turistas, geraria mais renda, provocaria mais animação.

Apesar da alegria do carnaval sanraimundense, boatos dizem que em fevereiro o bloco Kaos não mais organizará essa festa. O motivo: falta de apoio, seja público ou privado. O nosso carnaval está desfalecendo. Que visão limitada. Ora, o carnaval é uma festa para o povo, mas é fonte de recursos para o município. Não é só alegria. Também é negócio.

São Raimundo tem de tradição de bons carnavais. O seu passado não me deixa mentir. Quem não se lembra de outros carnavais com os blocos Bacana, Gavião, Morro-legal. Era animação o tempo todo. A cidade fervia. É preciso resgatar essa história. Para tanto, o poder público municipal em parceria com empresários deveriam adotar de fez o carnaval.

Achei o carnaval de julho bom, mas já vi melhores. O bloco Fiki fez sua parte. Hoje o nosso carnaval persiste graças à coragem de alguns empresários e à paixão dos sanraimundenses. A cidade está perdendo sua tradição carnavalesca. É pena, pois sei que ecoa nos corações de muitos sanraimundenses o desejo de “fiki pra sempre”.

 

Alexandre Pereira Rocha. É cientista político.

Mestre em Ciência Política (UnB)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Alexandre Rocha