.:":.Portal Sanraimundense.:":. - Entretenimento e Informação.

 

.

O objetivo é escrever sobre cidadania, democracia, políticas públicas, governos e eleições, e quiçá tantos outros temas.

Sou Alexandre Rocha, sanraimundense de coração, filho de sanraimundenses e morador por vários anos do bairro Gavião. Entretanto, agora resido em Brasília, mas não me esqueço de nossa cidade. Sempre quando posso trilho o caminho para esta terra adorável. Na Capital Federal conheci, estudei e apaixonei-me pela Ciência Política. Nessa mesma área conclui o curso de Mestrado. A Ciência Política é uma formação pouco conhecida em nossa região, por isso também tenho como propósito divulgá-la, e quem sabe despertar o interesse de pessoas por essa disciplina.

Veja no site da UNB  | No Portal SRN 

j


Que polícia é essa?

alxroch@yahoo.com.br


A violência nas grandes cidades brasileiras cada vez mata mais. Qualquer pessoa pode ser a próxima vítima. Não há ninguém imune tampouco lugar seguro. A sensação de insegurança é generalizada, toma as ruas e os lares. Para piorar esse cenário até a polícia já não é mais confiável. Isso fica claro com o assassinato do menino João Roberto cometido por policias militares cariocas, no último dia 8 de julho. Tal fato reacende o debate sobre a atuação das instituições policiais. É triste. Em nome do estabelecimento da ordem a polícia perdeu o rumo e fomenta o caos. Que polícia é essa?

 

A referida questão partiu do pai do menino baleado. Num momento de desespero ele clamou por justiça e criticou severamente as instituições policiais. O grito de revolta dele se somou a de tantas outras pessoas que perderam entes queridos em conseqüência de balas disparadas por bandidos ou policiais. A morte do menino João Roberto chocou tanto quanto a morte de outro menino, a do João Hélio ocorrida em fevereiro de 2007. Duas crianças mortas, dois “Joãos” ceifados precocemente da vida, duas famílias destroçadas e uma só causa: a violência. No caso do João Hélio faltou a polícia e sobrou a crueldade dos delinqüentes. No caso do João Roberto o problema não foi a falta da polícia, mas justamente a presença dela. Isso mostra que quando o assunto é a atividade policial, tanto a falta quanto o excesso podem gerar problemas sérios.

 

A morte do menino João Roberto ratifica o quão é despreparada a polícia brasileira. Ademais, evidencia o quão é perigoso propagar uma política de tolerância-zero, ou seja, um verdadeiro estado de guerra contra o crime. Por certo, o alvo dos policiais militares não era para ser uma mãe e seus filhos. É pena. O automóvel dessa família foi confundido com o de assaltantes em fuga. No entanto, a crueldade do fato mostra que o objetivo não era realizar uma abordagem, mas sim matar. Os bandidos tiveram a sorte de serem confundidos, senão eles é que estariam mortos. Este é o perigo de instituir um estado de guerra. Todos somos vítimas em potencial. Até agora essa forma de combater o crime não trouxe resultados positivos. Portanto, é fundamental repensar as políticas de segurança pública e a atuação das forças policiais.

 

O problema da criminalidade precisa ser enfrentado com severidade, contudo não se pode atirar para todos os lados. A defesa da doutrina tolerância-zero no Rio de Janeiro bem como noutras cidades – sem a estruturação e o alinhamento das políticas de segurança pública – é algo desarazoável que só potencializa a violência. As autoridades governamentais brasileiras desconsideram que nas atuais circunstâncias a polícia não é plenamente capacitada para o combate da criminalidade. Cobram dela algo que ela não pode ofertar. Ora, só colocar policiais nas ruas não é suficiente para combater o crime. Mesmo assim, exigem-se da polícia atribuições além de sua capacidade e competência. Daí a ocorrência de operações malsucedidas e, inclusive, atrocidades contra pessoas civis.

 

Os policiais que retiraram a vida do menino João Roberto devem ser responsabilizados por seus atos e excessos. Malgrado a ação deles tenha sido desastrosa, o fim era capturar criminosos. Isso não pode ser deixado de lado, pois a polícia passa por um processo de desvalorização e crimilinalização perpetrado por segmentos diversos da sociedade e da mídia. Ademais, é comum governos manipularem a polícia para obter vantagens ilícitas. No Rio de Janeiro, por exemplo, cita-se a montagem de uma quadrilha criminosa na cúpula da polícia civil, tendo como líder o ex-governador Antônio Garotinho. Decerto, essa situação se repete noutros estados e noutras policiais.  

A polícia brasileira de hoje é incapaz de combater a violência não só porque é sucateada e seus profissionais mal-treinados. Mas também porque é manejada por governos irresponsáveis e comanda por pessoas capturadas pelo crime. A polícia é uma instituição hierárquica, logo é difícil esperar dos policiais de rua atitudes adequadas se a cúpula é corrompida. A trágica morte do menino João Roberto decorre dessa desestruturação. É preciso reordenar a função policial do Estado brasileiro. Todavia isso não acontecerá enquanto os governantes se limitarem a discursos demagógicos e pedidos de desculpas.

 

Alexandre Pereira Rocha. É cientista político.

Mestre em Ciência Política (UnB)

  Página Inicial | Comente esta matéria | Imprimir | Painel de Notícias | Topo

Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Alexandre Rocha