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O objetivo é escrever sobre cidadania, democracia, políticas públicas, governos e eleições, e quiçá tantos outros temas.

Sou Alexandre Rocha, sanraimundense de coração, filho de sanraimundenses e morador por vários anos do bairro Gavião. Entretanto, agora resido em Brasília, mas não me esqueço de nossa cidade. Sempre quando posso trilho o caminho para esta terra adorável. Na Capital Federal conheci, estudei e apaixonei-me pela Ciência Política. Nessa mesma área conclui o curso de Mestrado. A Ciência Política é uma formação pouco conhecida em nossa região, por isso também tenho como propósito divulgá-la, e quem sabe despertar o interesse de pessoas por essa disciplina.

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Por um pacto educacional

alxroch@yahoo.com.br


O Ministério da Educação divulgou recentemente o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). O objetivo deste índice é analisar como vão as políticas públicas na área de educação para o ensino fundamental e médio. O país obteve sensível melhora, pois nos anos iniciais do ensino fundamental saiu de 3,8 em 2005 para 4,2 em 2007. Mesmo assim o resultado demonstra o quão longe estamos dos países desenvolvidos. É pena. Enquanto nesses países o índice já é de 6, o Brasil espera atingi-lo só em 2021.

A educação é um meio de mitigar as desigualdades e de alcançar o desenvolvimento econômico, social, político, cultural, tecnológico. Ciente dessa receita, alguns países investem fortemente, é caso do Japão, da Inglaterra, da Alemanha. Outro caso é o do nosso vizinho Chile, que desde 1996 empreende sistemáticas reformas no sistema educacional, sobretudo através de incentivo aos docentes. Por causa disso, o Chile tem obtido índices de desenvolvimento bem elevados, quando comparado aos demais países da América Latina. No Brasil a medida mais pujante foi a criação em 1996 do Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério), o qual definiu um gasto mínimo por aluno em nível educacional. 

Em 2007 o Fundef passou por alterações e foi renomeado como Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação). A lógica continua a mesma: financiamento descentralizado e gasto mínimo por aluno matriculado. A despeito disso, no Brasil a educação jamais foi projeto de Estado. Como um país historicamente envolto em crises políticas e econômicas, a maioria das propostas governamentais versaram sobre o desenvolvimento via estabilidade institucional. Era preciso transmudar os regimes políticos ou controlar a inflação. Neste ambiente pouco sobrou para se discutir a educação, a qual foi tratada de forma subjacente. Hoje o Brasil vive numa estabilidade institucional. A democracia, apesar dos deslizes patrimonialistas e clientelísticos, é assente. A economia, bem ou mal, suporta os baques do mercado globalizado.

Não será agora a hora de priorizar as políticas educacionais? A sociedade brasileira e suas autoridades governamentais não podem deixar a educação num segundo plano, pois as deficiências educacionais de hoje, além de impelirem milhares de brasileiros para pobreza, comprometem seriamente as gerações futuras. É fato. Todos os países atualmente desenvolvidos, em algum momento de sua história, tomaram a decisão de priorizar a educação. Todavia, no Brasil as políticas educacionais ainda são desordenadas. Prova disso é a extrema desigualdade entre os vários entes federativos. Enquanto alguns poucos municípios têm Ideb acima de 5, outros 30% têm Ideb igual ou menor a 2. Ademais, para o ensino privado o Ideb nacional observado já é 6.

As disparidades na área da educação não param por aí. Segundo dados de 2007 do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos), cerca de 12% dos brasileiros ainda são analfabetos. Aqui há milhares de pessoas que sequer tiveram a oportunidade de freqüentar os bancos escolares. Isto persistirá independente da melhoria do Ideb, pois geralmente os analfabetos não fazem parte do sistema regular de ensino. No Japão o combate ao analfabetismo é política de Estado desde o século 19, quando foi instituído o sistema educacional obrigatório. Em 1872 um decreto já apregoava que “nenhuma comunidade, nenhuma família terá analfabeto”. Atualmente o índice de analfabetismo não chega a 1% da população.

Outro grave problema do sistema educacional brasileiro é a baixa qualidade. O Fundeb possibilita o repasse de verbas para os entes federados conforme o número de alunos matriculados. Essa política tem ênfase na expansão e no acesso. A finalidade é alcançar metas quantitativas, só que elas nem sempre são conectadas a padrões de qualidade e eficiência. Os estados e os municípios ampliam a estrutura física da rede de ensino, contudo ignoram a qualificação dos educadores. O resultado imediato disso são professores despreparados e desmotivados, além da oferta de um ensino precário que não atende as demandas do mercado. Dados do Dieese apontam: cerca de 30% da população brasileira é considerada analfabeta funcional, ou seja, são pessoas capazes de ler textos, mas não os interpretam.

Os pífios números do Ideb assomados ao elevado índice de analfabetismo comprovam que, no Brasil, a educação não é projeto de Estado. As políticas educacionais necessitam de um princípio organizador geral, algo que dê coerência a todo sistema. Por certo, o país precisa de um pacto educacional capaz suplantar as mudanças de governo, as desigualdades regionais e as vicissitudes do cenário político. Se isso não for estabelecido logo, muitos brasileiros terão um futuro nada promissor.

 

Alexandre Pereira Rocha. É cientista político.

Mestre em Ciência Política (UnB)

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