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O objetivo é escrever sobre cidadania, democracia, políticas públicas, governos e eleições, e quiçá tantos outros temas.

Sou Alexandre Rocha, sanraimundense de coração, filho de sanraimundenses e morador por vários anos do bairro Gavião. Entretanto, agora resido em Brasília, mas não me esqueço de nossa cidade. Sempre quando posso trilho o caminho para esta terra adorável. Na Capital Federal conheci, estudei e apaixonei-me pela Ciência Política. Nessa mesma área conclui o curso de Mestrado. A Ciência Política é uma formação pouco conhecida em nossa região, por isso também tenho como propósito divulgá-la, e quem sabe despertar o interesse de pessoas por essa disciplina.

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São Raimundo Nonato à deriva

alxroch@yahoo.com.br


A primeira Comissão Parlamentar de Inquérito de São Raimundo Nonato, conhecida como a CPI dos cheques sem fundo, sofre um duro golpe. A bancada da situação conseguiu sorrateiramente suspender os trabalhos da comissão na via judicial. Tal fato obstrui por completo o processo investigatório. Com isso, nem o direito de se ter o direito de investigar é permitido à oposição.   

 

A Câmara de Vereadores de São Raimundo Nonato não representa o povo do município. É uma instituição capturada pelos interesses dos grupos políticos dominantes. Salvo algumas raras exceções, a maioria dos parlamentares municipais age como se fossem funcionários do prefeito. Servem notadamente para ocultar as irregularidades dele, em vez de zelar pelo bem público. A despeito das preferências político-partidárias, o caso dos cheques sem fundo da prefeitura precisa, pelo menos, ser investigado.     

 

Os quatro vereadores da situação que pleitearam na justiça a suspensão da CPI são desmerecedores da confiança dos cidadãos sanraimundenses, são indignos de representar este povo tão virtuoso. Eles estão mais preocupados em demonstrar seu servilismo ao chefe do executivo municipal, do que fiscalizar e primar pelo uso adequado dos recursos públicos. É fato incontestável: as dezenas de cheques sem fundos são indícios de fraudes e de gestão irresponsável.  

 

A bancada governista lança mão de meios legais para obter fins ilegítimos. As legislações são torpemente manipuladas. Afinal, numa miríade de possibilidades se interpreta a lei de acordo com as vantagens pretendidas. O parágrafo único do artigo 46 do Regimento Interno da Câmara Municipal prescreve: nenhum vereador poderá presidir reunião de comissão quando se debater ou votar matéria da qual seja autor, bem como não poderá o autor de preposição ser dela relator ou substituto. Esse dispositivo tem por fim impedir a autopromoção de parlamentares oportunistas. Todavia, no episódio da CPI dos cheques, ele está sendo usado para amordaçar a oposição.  

 

O controle externo a cargo do legislativo municipal é altamente enviesado quando o prefeito tem uma maioria submissa na Câmara de Vereadores. Cabe, portanto, à oposição equilibrar esse desnível de poder. O artigo 46 foi interpretado da seguinte forma pelos parlamentares da situação: os autores do requerimento de instauração da CPI não podem assumir a presidência ou relatoria da comissão. A oposição geralmente é minoria, no caso de São Raimundo Nonato, ela conta com apenas três vereadores.

 

É curioso. O número de vereadores da oposição sanraimundense corresponde justamente ao número mínimo necessário para instauração de uma CPI. Seguindo a interpretação dada ao artigo 46, nenhum dos vereadores da oposição pode encabeçar os trabalhos da CPI. A tarefa sobra então para os parlamentares da situação, os quais são taxativamente contrários a qualquer tipo de averiguação. Que legitimidade teria uma CPI presidida ou relatada por vereadores afetos ao prefeito investigado? 

 

As decisões judiciais têm que ser respeitas, mas podem ser criticadas. A decisão que suspende a CPI dos cheques deixou de lado o interesse público e favoreceu exclusivamente a pessoa do prefeito investigado. Ademais, cerceou o direito de manifestação da minoria, dos três vereadores da oposição. Ao apelarem para o judiciário os vereadores governistas não estão preocupados em salvaguardar o devido processo legislativo. Só pretendem mesmo é impedir os trabalhos da CPI e abafar a voz da oposição.

 

O município de São Raimundo Nonato está à deriva. Sua população não conta com representantes públicos transparentes e perseguidores da boa governança. A abrupta suspensão da CPI dos cheques sem qualquer investigação aprofundada comprova que, por essas bandas, os privilégios das elites políticas valem mais do que os interesses do povo.

 

Alexandre Pereira Rocha. É cientista político.

Mestre em Ciência Política (UnB)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Alexandre Rocha