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O objetivo é escrever sobre cidadania, democracia, políticas públicas, governos e eleições, e quiçá tantos outros temas.

Sou Alexandre Rocha, sanraimundense de coração, filho de sanraimundenses e morador por vários anos do bairro Gavião. Entretanto, agora resido em Brasília, mas não me esqueço de nossa cidade. Sempre quando posso trilho o caminho para esta terra adorável. Na Capital Federal conheci, estudei e apaixonei-me pela Ciência Política. Nessa mesma área conclui o curso de Mestrado. A Ciência Política é uma formação pouco conhecida em nossa região, por isso também tenho como propósito divulgá-la, e quem sabe despertar o interesse de pessoas por essa disciplina.

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Eleições municipais e as mudanças desejadas

alxroch@yahoo.com.br


As eleições estão se aproximando, e brevemente os eleitores sanraimundenses irão escolher seus representantes municipais. Vejo que até agora, o debate se concentra em torno dos nomes que concorrerão ao posto de prefeito. Isso não é ruim, faz parte das disputas a cargos executivos. Todavia não deveria ser essa a única tônica das discussões. O essencial é questionar o que a cidade de São Raimundo Nonato precisa para progredir?  

É fato que a cidade se encontra numa situação deplorável. A gestão Avelar operou nefasto sucateamento nos serviços públicos do município. Não quero aqui explorar esse tema tão batido. Vou me limitar a pensar o que São Raimundo precisa para progredir. Esse não é um desafio longínquo, limitado aos ditames do Planalto Central. Pelo contrário, procurar formas de desenvolvimento compete a todos os níveis de governo e a todos os cidadãos. Ademais, na democracia cabe aos cidadãos anelados ao poder público buscarem meios para solucionar os problemas coletivos.

Para colocar São Raimundo Nonato nos trilhos do desenvolvimento o fundamental é mudar nossa cultura política. Para tanto, é preciso encarar as eleições como momentos para exercício da cidadania, não para obtenção de vantagens pessoais. Criticamos os políticos por comprar votos, mas infelizmente os eleitores se acostumaram a vender. É lamentável. O eleitor fica na expectativa de qual candidato irá lhe beneficiar, em vez de analisar qual candidato pode governar melhor. Enquanto isso não mudar sempre figuras oportunistas e corruptas vão ascender ao poder.

É preciso sobrepesar que a escolha de um candidato deve se pautar na capacidade técnica e política dele, não por ele pertencer a certo grupo político, ou a família tal ou por ser cicrano. O candidato certo não é aquele que agrada mais de modo pessoal, porém é aquele que pode fazer mais pelo coletivo. É aquele que reúne condições mínimas de suplantar os conchavos políticos e governar para população. O problema é que cada pessoa escolhe o que melhor para si em detrimento do que é bom para todos. Essa atitude individualista afasta as pessoas umas das outras, ninguém se importa com os problemas alheios, com as deficiências da sociedade. Assim, é impossível melhorar qualquer cidade.

No aspecto físico as necessidades de São Raimundo Nonato são enormes. A cidade é pobre em infra-estrutura, sequer tem sistema de esgoto e saneamento básico. A saúde pública é precária, praticamente limitada às ações do governo estadual e federal. É urgente a criação de mais postos de saúde, sobretudo na área rural. A educação fundamental e infantil a cargo do município deve ser ampliada e melhorada. O transporte escolar deve ser feito com dignidade e segurança. O disciplinamento do trânsito é urgente para conter a desordem e evitar acidentes corriqueiros. Áreas de lazer e esporte precisam ser criadas. Tudo isso e muito mais poderia ser pensado num plano diretor integrado e elaborado com a participação popular.

Pode parece devaneio desejar mudanças na cultura política do povo sanraimundense ou pensar em questões de progresso para uma cidade do sertão do Piauí. No entanto, é esse o paradigma que separa as cidades que desenvolveram daquelas que jazem na pobreza estrutural e na ignorância política. O progresso é possível, mas para que aconteça – nós cidadãos sanraimundenses –, precisamos mudar nosso modo ver a política.

 

Alexandre Pereira Rocha. É cientista político.

Mestre em Ciência Política (UnB)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Alexandre Rocha