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As
eleições estão se aproximando, e
brevemente os eleitores
sanraimundenses irão escolher seus
representantes municipais. Vejo que
até agora, o debate se concentra em
torno dos nomes que concorrerão ao
posto de prefeito. Isso não é ruim,
faz parte das disputas a cargos
executivos. Todavia não deveria ser
essa a única tônica das discussões.
O essencial é questionar o que a
cidade de São Raimundo Nonato
precisa para progredir?
É
fato que a cidade se encontra numa
situação deplorável. A gestão
Avelar operou nefasto sucateamento
nos serviços públicos do município.
Não quero aqui explorar esse tema
tão batido. Vou me limitar a pensar
o que São Raimundo precisa para
progredir. Esse não é um desafio
longínquo, limitado aos ditames do
Planalto Central. Pelo contrário,
procurar formas de desenvolvimento
compete a todos os níveis de
governo e a todos os cidadãos.
Ademais, na democracia cabe aos
cidadãos anelados ao poder público
buscarem meios para solucionar os
problemas coletivos.
Para
colocar São Raimundo Nonato nos
trilhos do desenvolvimento o
fundamental é mudar nossa cultura
política. Para tanto, é preciso
encarar as eleições como momentos
para exercício da cidadania, não
para obtenção de vantagens
pessoais. Criticamos os políticos
por comprar votos, mas infelizmente
os eleitores se acostumaram a
vender. É lamentável. O eleitor
fica na expectativa de qual
candidato irá lhe beneficiar, em
vez de analisar qual candidato pode
governar melhor. Enquanto isso não
mudar sempre figuras oportunistas e
corruptas vão ascender ao poder.
É
preciso sobrepesar que a escolha de
um candidato deve se pautar na
capacidade técnica e política dele,
não por ele pertencer a certo grupo
político, ou a família tal ou por
ser cicrano. O candidato certo não
é aquele que agrada mais de modo
pessoal, porém é aquele que pode
fazer mais pelo coletivo. É aquele
que reúne condições mínimas de
suplantar os conchavos políticos e
governar para população. O problema
é que cada pessoa escolhe o que
melhor para si em detrimento do que
é bom para todos. Essa atitude
individualista afasta as pessoas
umas das outras, ninguém se importa
com os problemas alheios, com as
deficiências da sociedade. Assim, é
impossível melhorar qualquer
cidade.
No
aspecto físico as necessidades de
São Raimundo Nonato são enormes. A
cidade é pobre em infra-estrutura,
sequer tem sistema de esgoto e
saneamento básico. A saúde pública
é precária, praticamente limitada
às ações do governo estadual e
federal. É urgente a criação de
mais postos de saúde, sobretudo na
área rural. A educação fundamental
e infantil a cargo do município
deve ser ampliada e melhorada. O
transporte escolar deve ser feito
com dignidade e segurança. O
disciplinamento do trânsito é
urgente para conter a desordem e
evitar acidentes corriqueiros.
Áreas de lazer e esporte precisam
ser criadas. Tudo isso e muito mais
poderia ser pensado num plano
diretor integrado e elaborado com a
participação popular.
Pode
parece devaneio desejar mudanças na
cultura política do povo
sanraimundense ou pensar em
questões de progresso para uma
cidade do sertão do Piauí. No
entanto, é esse o paradigma que
separa as cidades que desenvolveram
daquelas que jazem na pobreza
estrutural e na ignorância
política. O progresso é possível,
mas para que aconteça – nós
cidadãos sanraimundenses –,
precisamos mudar nosso modo ver a
política.
Alexandre Pereira Rocha.
É cientista político.
Mestre em Ciência Política (UnB)
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