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O objetivo é escrever sobre cidadania, democracia, políticas públicas, governos e eleições, e quiçá tantos outros temas.

Sou Alexandre Rocha, sanraimundense de coração, filho de sanraimundenses e morador por vários anos do bairro Gavião. Entretanto, agora resido em Brasília, mas não me esqueço de nossa cidade. Sempre quando posso trilho o caminho para esta terra adorável. Na Capital Federal conheci, estudei e apaixonei-me pela Ciência Política. Nessa mesma área conclui o curso de Mestrado. A Ciência Política é uma formação pouco conhecida em nossa região, por isso também tenho como propósito divulgá-la, e quem sabe despertar o interesse de pessoas por essa disciplina.

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Cidade, aqui a cidadania começa

alxroch@yahoo.com.br


A corrupção é um dos graves problemas do Brasil, nem por isso se sabe ao certo o quanto é desperdiçado por seus canais tenebrosos. Entretanto, não é preciso valores para expressar o estrago que ela causa. Basta ver o sofrimento das pessoas nas filas dos hospitais, a insegurança nas cidades, as escolas sem professores, as ruas intrafegáveis, a precariedade dos serviços públicos. Mesmo assim, quanto se perde com a corrupção?

Em 2004, a Fundação Getulio Vargas (FGV), estimou que aproximadamente 20% do montante captado pelas prefeituras a partir de impostos diretos ou repasses do governo federal eram desviados para caixa dois de prefeitos, vereadores, fornecedores e atravessadores. Isso significa, na prática, que mais de 20 bilhões de reais que poderiam ser aplicados em habitação, saúde, saneamento básico, ampliação da rede de água, e, principalmente para a educação, acabam abarrotando o patrimônio de pessoas que foram eleitas pelo voto popular para administrar com seriedade, responsabilidade e honestidade.

Apesar de a característica principal das repúblicas democráticas ser a transparência na condução da coisa pública, lamentavelmente a corrupção ainda é corriqueira no Estado brasileiro. Casos de corrupção são noticiados aos montes pela mídia, mas as punições nem sempre acontecem. Por certo, é a impunidade que fomenta o cometimento de práticas corruptas, bem como é ela que aumenta a descrença dos cidadãos no tocante à justiça. Nada obstante, por mais que o combate à corrupção seja obrigação dos representantes do povo, só com o efetivo engajamento dos cidadãos ele se tornará realidade.    

A cidadania não é apenas direito de votar, de eleger representantes. Ela é também um dever. Por conseqüência o cidadão tem o dever de participar da construção das políticas públicas, o dever fiscalizar seus representantes, o dever de votar com integridade. Essa é a cidadania ativa e transformadora, a qual é base para o controle social. Este controle difere de outros exercidos por órgãos formais, como Ministério Público e Tribunais de Contas, pois vai além da conformidade com as leis. No controle social os cidadãos – que são de fato os principais interessados e afetados pelas ações governamentais – julgam a qualidade dos serviços públicos e a atuação das autoridades públicas.

Tem um velho ditado que diz: ninguém mora na União ou no estado, mas na cidade. Ou seja, é na cidade que todo cidadão vive, trabalha, estuda, passeia; logo é nela que a cidadania e a participação política devem ser aprimoradas. Nesse corolário a Constituição de 1988 concedeu aos municípios a condição de ente federativo autônomo. Todavia, com essa ampliação de poderes também vieram responsabilidades, as quais muitos municípios desprezam ou não têm meios para ofertar. Daí é comum o empurra-empurra de responsabilidades entre União, estados e municípios. Nisso os cidadãos não sabem a quem recorrer e ficam impossibilitados de exercer plenamente a cidadania.   

O Brasil tem mais de 5500 municípios e grande parte deles não é auto-suficiente, pois têm pífia arrecadação tributária, dependem organicamente do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) ou de outros repasses. Essa situação piora quando somada à corrupção, a qual segundo estimativas da FGV, chega a sugar mais de 20 bilhões de reais dos cofres públicos municipais. Isso quer dizer que, embora os cidadãos vivam nos municípios, é exatamente neles que a cidadania sofre maiores afrontas. Assim, milhares de cidadãos brasileiros são alijados de qualquer ação governamental, porque a cidadezinha em que moram é recôndita e dominada por autoridades públicas corruptas.

Com a corrupção os brasileiros perdem muito mais que dinheiro público, perdem cidadania. Neste ano serão realizadas eleições municipais. Decerto é uma oportunidade para transmudar a triste realidade de muitas cidades. Para tanto, os cidadãos precisam fortalecer a consciência popular e o sentimento de comunidade, pois só assim se constrói elementos para a participação política e o controle social. Destarte, os brasileiros devem lutar pela cidadania na cidade em vivem, em vez de se renderem a promessas e favores políticos.

 

Alexandre Pereira Rocha. É cientista político.

Mestre em Ciência Política (UnB)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Alexandre Rocha