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O objetivo é escrever sobre cidadania, democracia, políticas públicas, governos e eleições, e quiçá tantos outros temas.

Sou Alexandre Rocha, sanraimundense de coração, filho de sanraimundenses e morador por vários anos do bairro Gavião. Entretanto, agora resido em Brasília, mas não me esqueço de nossa cidade. Sempre quando posso trilho o caminho para esta terra adorável. Na Capital Federal conheci, estudei e apaixonei-me pela Ciência Política. Nessa mesma área conclui o curso de Mestrado. A Ciência Política é uma formação pouco conhecida em nossa região, por isso também tenho como propósito divulgá-la, e quem sabe despertar o interesse de pessoas por essa disciplina.

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A CPI e seus desafios

alxroch@yahoo.com.br


A CPI dos cheques voadores terá um grande desafio. Comprovar que houve malversação do dinheiro público no caso dos cheques distribuídos pelo Prefeito Avelar não será uma tarefa tão fácil. Ora, por mais que a CPI assuma poderes judiciais, ela é um órgão político. Aqui mora o perigo, porquanto no mundo da política nem sempre a justiça é alcançada.   

A influência política do clã Ferreira pode mitigar os resultados da inédita comissão. E o pior. A CPI em vez de apontar a culpa, pode servir para forjar a inocência. Se a investigação não se aprofundar nos nós da gestão Avelar; se os vereadores não ouvirem certas pessoas, como agiotas e políticos da situação; se tender no caminho de acusar laranjas, como ex-tesoureiro Petrônio; lamentavelmente o Prefeito sairá ileso.

A CPI tem prazo certo para ser concluída. Daí seus resultados devem ser informados à sociedade e remetidos ao Ministério Público. No julgamento político, caso a CPI comprove a quebra de decoro do prefeito, a punição pode chegar até o impeachment, o que não seria descabido para o senhor Avelar. Nos meandros do judiciário as penas também são severas, como detenção, ressarcimento aos cofres públicos e suspensão dos direitos políticos; mas infelizmente neste campo a vastidão de recursos faz com que a causa se arrefeça.

Malgrado as barreiras a serem suplantadas pela CPI, ela já se constitui num avanço. Afinal, ela é fruto da opinião pública sanraimundense, que pela primeira vez conseguiu sensibilizar a classe política. A mobilização de segmentos e pessoas da comunidade transformou a revolta numa ação coletiva. Ou seja: a CPI saiu da possibilidade para realidade graças à participação popular. Este portal teve grande influência nessa empreita. Aqui pôde ser visto uma enxurrada de mensagens exigindo a intervenção dos vereadores, e até mesmo de modestos colunistas.

Os vereadores são políticos. Sabem que o povo é quem os elege. Por mais que o mando do clã Ferreira seja forte, quem diz de fato quem será os representantes do povo é o eleitorado. Portanto, assim como os cidadãos sanraimundenses pressionaram os vereadores para criação da CPI, agora precisam fiscalizar o trabalho deles, isto é, vendo quem está do lado da verdade e dos interesses do povo. Decerto, a participação efetiva dos populares pode levar os vereadores refletir o custo político de ir contra a vontade dos eleitores, ainda mais com a proximidade das eleições municipais.

A CPI dos cheques sem fundo, apesar de agir sobre fato determinado, tem a possibilidade de expor vários podres da gestão Avelar. Com receio disso, o prefeito opera o retorno do vereador Rosibal à Câmara Municipal. Tal atitude não passa de uma sorrateira manobra, a qual visa impedir uma investigação transparente. Isso demonstra a preocupação do prefeito, pois sabe que a CPI tem instrumentos suficientes para condená-lo por improbidade e irresponsabilidade.

Nessa saga contra a corrupção destaca-se a atitude de algumas pessoas, sobretudo do vereador Laércio. Esse incansável representante da oposição usa de todos os meios legais para apontar as falcatruas do prefeito Avelar. Prova inconteste disso é sua corajosa atuação na CPI dos cheques. Todavia, ele enfrenta dificuldades para realizar sua missão, porque infelizmente o coronelismo ainda predomina na política sanraimundense. Mesmo assim, o vereador Laércio persiste na luta, não se rende aos aliciamentos da família-poder.  

O episódio dos cheques sem fundo não pode ficar impune, pois se constitui noutra prova cabal da irresponsabilidade administrativa do prefeito Avelar. Os vereadores não podem deixar de investigar tamanha afronta aos princípios da administração pública. Destarte, a CPI não pode se curvar às artimanhas do Clã Ferreira e aliados. Pelo contrário, deve primar pela verdade, pela defesa dos interesses do povo sanraimundense.

 

Alexandre Pereira Rocha. É cientista político.

Mestre em Ciência Política (UnB)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Alexandre Rocha