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A
CPI dos cheques voadores terá um
grande desafio. Comprovar que houve
malversação do dinheiro público no
caso dos cheques distribuídos pelo
Prefeito Avelar não será uma tarefa
tão fácil. Ora, por mais que a CPI
assuma poderes judiciais, ela é um
órgão político. Aqui mora o perigo,
porquanto no mundo da política nem
sempre a justiça é alcançada.
A
influência política do clã Ferreira
pode mitigar os resultados da
inédita comissão. E o pior. A CPI
em vez de apontar a culpa, pode
servir para forjar a inocência. Se
a investigação não se aprofundar
nos nós da gestão Avelar; se os
vereadores não ouvirem certas
pessoas, como agiotas e políticos
da situação; se tender no caminho
de acusar laranjas, como
ex-tesoureiro Petrônio;
lamentavelmente o Prefeito sairá
ileso.
A
CPI tem prazo certo para ser
concluída. Daí seus resultados
devem ser informados à sociedade e
remetidos ao Ministério Público. No
julgamento político, caso a CPI
comprove a quebra de decoro do
prefeito, a punição pode chegar até
o impeachment, o que não seria
descabido para o senhor Avelar. Nos
meandros do judiciário as penas
também são severas, como detenção,
ressarcimento aos cofres públicos e
suspensão dos direitos políticos;
mas infelizmente neste campo a
vastidão de recursos faz com que a
causa se arrefeça.
Malgrado as barreiras a serem
suplantadas pela CPI, ela já se
constitui num avanço. Afinal, ela é
fruto da opinião pública
sanraimundense, que pela primeira
vez conseguiu sensibilizar a classe
política. A mobilização de
segmentos e pessoas da comunidade
transformou a revolta numa ação
coletiva. Ou seja: a CPI saiu da
possibilidade para realidade graças
à participação popular. Este portal
teve grande influência nessa
empreita. Aqui pôde ser visto uma
enxurrada de mensagens exigindo a
intervenção dos vereadores, e até
mesmo de modestos colunistas.
Os
vereadores são políticos. Sabem que
o povo é quem os elege. Por mais
que o mando do clã Ferreira seja
forte, quem diz de fato quem será
os representantes do povo é o
eleitorado. Portanto, assim como os
cidadãos sanraimundenses
pressionaram os vereadores para
criação da CPI, agora precisam
fiscalizar o trabalho deles, isto
é, vendo quem está do lado da
verdade e dos interesses do povo.
Decerto, a participação efetiva dos
populares pode levar os vereadores
refletir o custo político de ir
contra a vontade dos eleitores,
ainda mais com a proximidade das
eleições municipais.
A
CPI dos cheques sem fundo, apesar
de agir sobre fato determinado, tem
a possibilidade de expor vários
podres da gestão Avelar. Com receio
disso, o prefeito opera o retorno
do vereador Rosibal à Câmara
Municipal. Tal atitude não passa de
uma sorrateira manobra, a qual visa
impedir uma investigação
transparente. Isso demonstra a
preocupação do prefeito, pois sabe
que a CPI tem instrumentos
suficientes para condená-lo por
improbidade e irresponsabilidade.
Nessa saga contra a corrupção
destaca-se a atitude de algumas
pessoas, sobretudo do vereador
Laércio. Esse incansável
representante da oposição usa de
todos os meios legais para apontar
as falcatruas do prefeito Avelar.
Prova inconteste disso é sua
corajosa atuação na CPI dos
cheques. Todavia, ele enfrenta
dificuldades para realizar sua
missão, porque infelizmente o
coronelismo ainda predomina na
política sanraimundense. Mesmo
assim, o vereador Laércio persiste
na luta, não se rende aos
aliciamentos da família-poder.
O
episódio dos cheques sem fundo não
pode ficar impune, pois se
constitui noutra prova cabal da
irresponsabilidade administrativa
do prefeito Avelar. Os vereadores
não podem deixar de investigar
tamanha afronta aos princípios da
administração pública. Destarte, a
CPI não pode se curvar às
artimanhas do Clã Ferreira e
aliados. Pelo contrário, deve
primar pela verdade, pela defesa
dos interesses do povo
sanraimundense.
Alexandre Pereira Rocha.
É cientista político.
Mestre em Ciência Política (UnB) |