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“A
política afina o espírito humano,
educa os povos no conhecimento de
sim mesmos, desenvolve nos
indivíduos a atividade, a coragem,
a nobreza, a previsão, a energia,
cria, apura, eleva o merecimento.
Não é esse jogo da intriga, da
inveja e da incapacidade, a que
entre nós se deu a alcunha da
politicagem. Esta palavra não
traduz ainda todo o desprezo do
objeto significado. Não há dúvida
que rima bem com criadagem e
parolagem, afilhadagem e ladroagem.
Mas não tem o mesmo vigor e
expressão que os seus consoantes.
Quem lhe dará com o batismo
adequado? Politiquice? Politiquismo?
Politicaria? Politicalha? Neste
último, sim, o sufixo pejorativo
queima como um ferrete, e desperta
ao ouvido uma consonância
elucidativa.
Política e politicalha não se
confundem, não se parecem, não se
relacionam uma com a outra. Antes
se negam, se excluem, se repulsam
mutuamente.
A
política é a arte de gerir o
Estado, segundo princípios
definidos, regras morais, leis
escritas, ou tradições
respeitáveis. A politicalha é a
indústria de explorar o benefício
de interesses pessoais. Constitui a
política uma função, ou o conjunto
das funções do organismo nacional:
é o exercício normal das forças de
uma nação consciente e senhora de
si mesma. A politicalha, pelo
contrário, é o envenenamento
crônico dos povos negligentes e
viciosos pela contaminação de
parasitas inexoráveis. A política é
a higiene dos países moralmente
sadios. A politicalha, a malaria
dos povos de moralidade estragada.”
O texto acima foi escrito no século
passado, mesmo assim continua
atual. Valho-me dele para frisar
bem a diferença entre política e
politicalha. E mais. Para aplicá-lo
a política(lha) de São Raimundo
Nonato.
Pelo exposto, podemos ver que o
conceito de política não cabe à
realidade sanraimundense. É triste.
Nossa administração pública é
avacalhada. Basta ver as ruas e
praças depredadas. Esgotos e lixos
por toda a parte. E o pior. Roubo
escancarado do dinheiro público.
Nem por isso se valoriza uma
discussão séria sobre a política,
sobre a forma de governar nossa
cidade. Pelo contrário, o que
desperta interesse são picuinhas,
intrigas, fofocas, jogos de
vaidades.
Enquanto isso a praga da
politicalha se alastra. A população
é acometida de uma doença sem
sintomas aparentes. Todavia, poucos
se preocupam em fazer exames,
sobretudo de consciência. E mais.
Quando alguns alertam para a
doença, falam sobre vacinas e
curas, são tachados de loucos,
doentes.
Os parasitas são expertos e crescem
na dormência da vítima. Para sugar
a seiva e a vida alheia eles
inoculam substâncias que paralisam
ou enganam. De forma semelhante
agem os vermes da politicalha. São
hábeis em iludir e trapacear.
Assim, sem que o povo perceba,
sugam tudo o que podem do poder
público.
Não posso explicar o texto citado.
É clara a distinção entre política
e politicalha. Limito-me a dizer
que foi escrito por Rui Barbosa.
Que posso dizer então?
Muitos sanraimundenses se preocupam
com politicalha, em vez da
política. Os vermes da politicalha
já estão apostos. Prontos pra
devorar o dinheiro público. E o
povo, como está? É hora de sanar a
política sanraimundense, senão só
resta chorar!
Mestre em Ciência Política (UNB)
alxroch@yahoo.com.br
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