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O objetivo é escrever sobre cidadania, democracia, políticas públicas, governos e eleições, e quiçá tantos outros temas.

Sou Alexandre Rocha, sanraimundense de coração, filho de sanraimundenses e morador por vários anos do bairro Gavião. Entretanto, agora resido em Brasília, mas não me esqueço de nossa cidade. Sempre quando posso trilho o caminho para esta terra adorável. Na Capital Federal conheci, estudei e apaixonei-me pela Ciência Política. Nessa mesma área conclui o curso de Mestrado. A Ciência Política é uma formação pouco conhecida em nossa região, por isso também tenho como propósito divulgá-la, e quem sabe despertar o interesse de pessoas por essa disciplina.

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Recordações de estudante

alxroch@yahoo.com.br


Numa de minhas viagens a São Raimundo Nonato estendi o percurso até Teresina. O ônibus chega cedo à capital piauiense, antes do alvorecer do dia. Por sua vez, o vôo de volta a Brasília só sai no fim da tarde. Esse espaço de tempo não seria suficiente para rever a querida Teresina, porém bastaria para uma breve visita.

Cheguei à rodoviária interestadual desejoso de refazer o percurso que costumava realizar quando estudante. Depois de longos anos sem visitar Teresina tive a oportunidade de reencontrá-la. O típico calor teresinense, de início, me incomodou, mas eu estava delirante por passear pelos lugares de outrora. Uma chuva inesperada caiu em meio ao dia ensolarado, e com ela sobrevieram-me recordações da época de estudante, de adolescente que saiu do interior estado com o fito de estudar na Capital.

Logo cedo peguei um ônibus com destino ao centro. Pelo trajeto notei algumas diferenças. A cidade progrediu, cresceu e ficou mais verticalizada. Ao passar pela Avenida Frei Serafim as recordações aumentaram. Desci próximo à Igreja São Benedito. Ali perto fica o colégio onde estudei. Na igreja parei um pouco, abriguei-me da chuva, rezei e tirei algumas fotos. 

Apesar do tempo consegui me localizar bem. Segui rumo à extensa Rua Rui Barbosa, andando com vagar e admiração. O calor era intenso, a chuva que tinha caído não pode aplacá-lo. As lembranças ficavam mais fortes a cada cruzamento, a cada esquina. Ia caminhando assim repleto de recordações. O meu destino se aproximava e a ansiedade aumentava. Depois de doze anos pude rever o local onde residi quando estudante secundarista.  

Ao longe avistei a Casa do Estudante do Piauí (CEPI). Não foi possível conter a emoção, pois a velha casa com seu tom acinzentado para mim tem significância. Foi justamente nela que meus sonhos de estudante do interior começaram a se concretizar. Foi ali que compreendi de fato a importância da educação. Foi ali que apreendi valores como encorajamento, solidariedade, partilha. Foi ali que senti saudade, temor, sofri preconceitos.

Para meu espanto a casa do estudante continua a mesma. Ao chegar à sua frente parei e encarei a estrutura depredada. Refleti alguns minutos sobre minha vida naquele local. Olhava com sentimento de superação. De repente vi vultos de jovens através das janelas. Lembrei-me de como os quartos são pequenos e abafados, e de como somente as janelas proporcionam ventilação. Contudo elas também se abrem para um mundo curioso. As pessoas que ali passam olham para ver os que ali moram. Por sua vez os que ali residem se escondem.

No passado eu fora semelhante a um daqueles jovens. Não relegava minha condição de estudante do interior, mas sabia do preconceito de ser morador da velha casa estudantil. Era preferível passar despercebido. Depois de alguns instantes parado e pasmado, recompus-me e resolvi entrar. As recordações sobrevieram aos milhares. A tristeza foi grande ao ver o abandono do prédio, das dependências e, sobretudo, dos jovens estudantes.

Certo jovem entrecruzou meu caminho. Disse-lhe que tinha sido morador dali anos atrás. Daí a conversa foi amistosa, mas breve porque ele teve que se ausentar. Segui sozinho. Primeiro pela casa velha, depois passei pela sucateada quadra de esportes, e cheguei ao outro prédio chamado de casa nova (o qual já é velho também). Pelo lado de fora dei uma volta em torno da casa. Tirei algumas fotos para firmar as lembranças. Parti dali com sensações confusas. Ora alívio, ora indignação.

Ainda no aeroporto reprisei as fotos. Nisso me veio um estalo. Comecei a procurar entre meus documentos algo importante. Sabia que trazia comigo. Ah, lá estava ela cuidadosamente guardada num compartimento secreto. Tratava-se de minha carteirinha de morador da Casa do Estudante do Piauí. A carteirinha de “cepiano”. Era assim que nós moradores nos intitulávamos. Regressei nostalgicamente a outra capital, a do Brasil. 

Mestre em Ciência Política (UNB)

alxroch@yahoo.com.br

(61) 8157-9868 / 3340-6626

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Alexandre Rocha