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O objetivo é escrever sobre cidadania, democracia, políticas públicas, governos e eleições, e quiçá tantos outros temas.

Sou Alexandre Rocha, sanraimundense de coração, filho de sanraimundenses e morador por vários anos do bairro Gavião. Entretanto, agora resido em Brasília, mas não me esqueço de nossa cidade. Sempre quando posso trilho o caminho para esta terra adorável. Na Capital Federal conheci, estudei e apaixonei-me pela Ciência Política. Nessa mesma área conclui o curso de Mestrado. A Ciência Política é uma formação pouco conhecida em nossa região, por isso também tenho como propósito divulgá-la, e quem sabe despertar o interesse de pessoas por essa disciplina.

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Retrato do abandono

alxroch@yahoo.com.br


Alguns anos atrás, ainda na gestão de outro prefeito, foi adquirido para a população de São Raimundo Nonato o primeiro consultório itinerante. Tratava-se de um ônibus projetado para ser consultório móvel e com capacidade de levar profissionais de saúde às regiões desprovidas de atendimento odontológico e médico.

Hoje o consultório itinerante – que já fora exemplo de compromisso com a saúde pública e com a população interiorana – não passa de uma “lata velha” estacionada em frente ao posto de saúde do bairro Milonga.

A situação do ônibus é deplorável. Não há menor condição de transportar pessoas, tampouco de servir como consultório. Do lado de fora do ônibus se vê a pintura desbotada, os vidros quebrados e os pneus carecas. Mesmo assim, ainda consta o slogan “Rumo ao Futuro”, o qual deu início à gestão do atual prefeito.

O tempo passou e o futuro chegou, mas o ônibus-consultório que outrora fora modelo, ficou estacionado no passado. Hoje resta apenas uma sucata velha e depredada. É este o futuro que se esperava?

É verdade que o ônibus já conta com mais de dez anos de uso. No entanto, não foi necessariamente o tempo que o depredou, mas sim o total abandono e desleixo. Por que não houve manutenção e conservação do ônibus? Já que o antigo ônibus não oferece mais condições dignas de atendimento e funcionamento, por que outro não foi adquirido?

O consultório itinerante poderia estar beneficiando várias pessoas das regiões mais afastadas do centro da cidade. Ajudando pessoas das zonas rurais, que mesmo doentes, percorrem horas de viagem dependuradas nas carrocerias de caminhões e camionetes. Ademais, o ônibus-consultório certamente estaria ajudando a diminuir o número de pacientes no hospital e nos postos de saúde.

A função da unidade móvel odonto-médico é agir de forma preventiva, não se trata necessariamente de instrumento para atender pessoas já doentes. Nem por isso deixa de ter valor, pois como diz o ditado: é melhor prevenir do que remediar. No ônibus-consultório poderiam ser realizadas vacinações, orientações à população, consultas médicas e odontológicas.

O município de São Raimundo Nonato tem recursos suficientes para melhorar os serviços de saúde pública. No ano de 2007, segundo dados da Controladoria Geral da União (CGU), foi repassada à Secretaria de Saúde Municipal a quantia de R$ 1.316,662 (um milhão trezentos e dezesseis mil e seiscentos e sessenta dois reais). Isso sem mencionar os valores adquiridos por convênios junto ao Governo Federal. Mesmo com tanto dinheiro disponível, parece que nenhum centavo foi investido na manutenção da unidade móvel odonto-médico.

São Raimundo Nonato, embora seja o município mais desenvolvido da região, conta com poucos e precários postos de saúde. Além disso, faltam profissionais da área de saúde especializados. Às vezes faltam medicamentos simples e, até mesmo, o combustível da ambulância para transportar pacientes. 

A população sanraimundense carece de novos postos de saúde. As regiões rurais necessitam de ônibus-consultórios equipados e atuantes para amenizar a distância. Mas nada disso funciona sem profissionais de saúde qualificados, principalmente médicos com residências ou especializações.

O consultório itinerante se encontra depredado porque para certos políticos não é interessante o bom funcionamento da saúde pública. Ora, é justamente nos casos de doenças que as pessoas carentes mais procuram os políticos. Nessa hora de fragilidade e dor eles aparecem como salvadores, como samaritanos prontos para ajudar. Assim, ganham a eterna gratidão e o voto. 

A lata velha a qual se transformou o ônibus-consultório retrata o abandono do poder público municipal. Isso só intensifica o sofrimento da população sanraimundense tão necessitada de atendimento otondo-médico. Ademais, semelhante à ferrugem coroe a esperança de dias melhores. A cidade de São Raimundo Nonato não pode persistir no caminho do sucateado ônibus, não pode ficar se deteriorando e estacionada no tempo.

Mestre em Ciência Política (UNB)

alxroch@yahoo.com.br

(61) 8157-9868 / 3340-6626

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Alexandre Rocha