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Alguns anos atrás, ainda na gestão
de outro prefeito, foi adquirido
para a população de São Raimundo
Nonato o primeiro consultório
itinerante. Tratava-se de um ônibus
projetado para ser consultório
móvel e com capacidade de levar
profissionais de saúde às regiões
desprovidas de atendimento
odontológico e médico.
Hoje
o consultório itinerante – que já
fora exemplo de compromisso com a
saúde pública e com a população
interiorana – não passa de uma
“lata velha” estacionada em frente
ao posto de saúde do bairro Milonga.
A
situação do ônibus é deplorável.
Não há menor condição de
transportar pessoas, tampouco de
servir como consultório. Do lado de
fora do ônibus se vê a pintura
desbotada, os vidros quebrados e os
pneus carecas. Mesmo assim, ainda
consta o slogan “Rumo ao Futuro”, o
qual deu início à gestão do atual
prefeito.
O
tempo passou e o futuro chegou, mas
o ônibus-consultório que outrora
fora modelo, ficou estacionado no
passado. Hoje resta apenas uma
sucata velha e depredada. É este o
futuro que se esperava?

É
verdade que o ônibus já conta com
mais de dez anos de uso. No
entanto, não
foi necessariamente o tempo que o
depredou, mas sim o total abandono
e desleixo. Por que não houve
manutenção e conservação do ônibus?
Já que o antigo ônibus não oferece
mais condições dignas de
atendimento e funcionamento, por
que outro não foi adquirido?
O
consultório itinerante poderia
estar beneficiando várias pessoas
das regiões mais afastadas do
centro da cidade. Ajudando pessoas
das zonas rurais, que mesmo
doentes, percorrem horas de viagem
dependuradas nas carrocerias de
caminhões e camionetes. Ademais, o
ônibus-consultório certamente
estaria ajudando a diminuir o
número de pacientes no hospital e
nos postos de saúde.
A
função da unidade móvel
odonto-médico é agir de forma
preventiva, não se trata
necessariamente de instrumento para
atender pessoas já doentes. Nem por
isso deixa de ter valor, pois como
diz o ditado: é melhor prevenir do
que remediar. No ônibus-consultório
poderiam ser realizadas vacinações,
orientações à população, consultas
médicas e odontológicas.
O
município de São Raimundo Nonato
tem recursos suficientes para
melhorar os serviços de saúde
pública. No ano de 2007, segundo
dados da Controladoria Geral da
União (CGU), foi repassada à
Secretaria de Saúde Municipal a
quantia de R$ 1.316,662 (um
milhão trezentos e dezesseis mil e
seiscentos e sessenta dois reais).
Isso sem mencionar os valores
adquiridos por convênios junto ao
Governo Federal. Mesmo com tanto
dinheiro disponível, parece que
nenhum centavo foi investido na
manutenção da unidade móvel
odonto-médico.
São
Raimundo Nonato, embora seja o
município mais desenvolvido da
região, conta com poucos e
precários postos de saúde. Além
disso, faltam profissionais da área
de saúde especializados. Às vezes
faltam medicamentos simples e, até
mesmo, o combustível da ambulância
para transportar pacientes.

A
população sanraimundense carece de
novos postos de saúde. As regiões
rurais necessitam de
ônibus-consultórios equipados e
atuantes para amenizar a distância.
Mas nada disso funciona sem
profissionais de saúde
qualificados, principalmente
médicos com residências ou
especializações.
O
consultório itinerante se encontra
depredado porque para certos
políticos não é interessante o bom
funcionamento da saúde pública.
Ora, é justamente nos casos de
doenças que as pessoas carentes
mais procuram os políticos. Nessa
hora de fragilidade e dor eles
aparecem como salvadores, como
samaritanos prontos para ajudar.
Assim, ganham a eterna gratidão e o
voto.
A
lata velha a qual se transformou o
ônibus-consultório retrata o
abandono do poder público
municipal. Isso só intensifica o
sofrimento da população
sanraimundense tão necessitada de
atendimento otondo-médico. Ademais,
semelhante à ferrugem coroe a
esperança de dias melhores. A
cidade de São Raimundo Nonato não
pode persistir no caminho do
sucateado ônibus, não pode ficar se
deteriorando e estacionada no
tempo.
Mestre em Ciência Política (UNB)
alxroch@yahoo.com.br
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