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O objetivo é escrever sobre cidadania, democracia, políticas públicas, governos e eleições, e quiçá tantos outros temas.

Sou Alexandre Rocha, sanraimundense de coração, filho de sanraimundenses e morador por vários anos do bairro Gavião. Entretanto, agora resido em Brasília, mas não me esqueço de nossa cidade. Sempre quando posso trilho o caminho para esta terra adorável. Na Capital Federal conheci, estudei e apaixonei-me pela Ciência Política. Nessa mesma área conclui o curso de Mestrado. A Ciência Política é uma formação pouco conhecida em nossa região, por isso também tenho como propósito divulgá-la, e quem sabe despertar o interesse de pessoas por essa disciplina.

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O velho e sempre bom “5 Bala”

alxroch@yahoo.com.br


Já é tardizinha no campo do cafezinho, assim denominado por se situar em propriedade do Dr. Café, contumaz patrocinador do futebol sanraimundense.  

O jogador posiciona a bola na marca do pênalti. Pega distância e dá um chute forte. Debaixo das traves o goleiro faz de tudo para defender, para esbarrar na bola.  

Quando o goleiro consegue efetuar a defesa sai pulando e gritando de felicidade. Por sua vez, o jogador apenas meneia a cabeça e ri. 

O batedor do pênalti era o Severino. O goleiro, qualquer garoto do bairro Gavião que se aventurasse a defender um “bicudo”. O troféu era uma entrada franca para os vesperais dominicais do Clube 5 Estrelas.

Assim ganhei algumas entradas. Não porque eu fosse bom goleiro, mas porque fazia de tudo para ir aos vesperais.

Os dias de domingos eram diferentes. O carro de som divulgava pelas ruas: “...atenção, atenção sociedade sanraimundense, grande vesperal dançante hoje no Clube 5 Estrelas, com a Banda Real Som da Bahia..... Os ajustes dos instrumentos, da voz e o repasse do repertório prenunciavam a festa que viria.

Depois das dezoito horas começava a concentração do pessoal. Todos atraídos pelo clima inigualável do velho e sempre bom “5 Bala”, como era afetuosamente conhecido por minha geração.   

Pra quem tinha ganhado a entrada defendo o chute do Severino, bastava procurá-lo. Pra maioria que iria comprar o ingresso, era preciso enfrentar o tumulto que se formava defronte a bilheteira.

A entrada era apertada. Um estreito corredor dava acesso à pista de dança, às mesas e ao bar.  O palco era pequeno, quase rente ao chão. Assim, músicos e festeiros ficavam em perfeita sintonia.

No 5 Bala era possível ver gente de todos os lugares, de todas as classes de São Raimundo. Era um clube democrático, igualitário. Não tinha o formalismo do Jetec, nem a turminha do Clubinho. Acho que o Zero Grau se assemelhava um pouco.

As músicas baianas animavam grande parte do vesperal. Um pouco de forró e lambada. Outro pouco de rock brasileiro (Ah, não podiam faltar algumas músicas do Pink Floyd, principalmente “The Wall”).  

Depois disso, era a sessão de músicas românticas (ou lenta, como chamávamos). Geralmente rolavam canções internacionais, como “Steamrock Fever” e “Robot Man”, do Scorpions. Aquelas que as rádios costumavam colocar traduções simultâneas.

O momento das músicas lentas era maravilhoso. Era propício pra dançar coladinho, bem juntinho. Aí se iniciavam as cantadas ao pé do ouvido, as paqueras. Caso se dançasse mais de uma música com a mesma pessoa dificilmente não pintava um namorico.

É algo difícil de expressar. Quando encontro amigos dos bons tempos do 5 Bala, relembramos com saudade e alegria o clima dos vesperais. Também recordamos o momento que progredimos dos vesperais para as festas de sábado (aqui já mais voltada aos adultos).  

Os vesperais do 5 Bala me lembram de uma época singela. As festas se realizavam quase todo domingo. As bandas praticamente não mudavam, tanto que o Real Som fazia parte do cenário. Nem por isso, era algo rotineiro. Cada vesperal tinha sua particularidade, magia e animação.

O campo do Cafezinho já não mais existe. Agora tudo está ocupado por casas residenciais (inclusive meus pais moram lá). O Clube 5 Estrela continua firme, apesar das festas não serem mais freqüentes. O Severino, graças a Deus, também (não sei se ainda desafiando garotos no futebol).

O clima das festas de outrora parece ter se perdido. O que chama atenção hoje em dia são os grandes shows com artistas renomados. Mas sei que em algumas pessoas bate a saudade dos vesperais. Decerto, palpita no peito um sentimento agradável de ter curtido os bons tempos do 5 Bala.

 

Mestre em Ciência Política (UNB)

alxroch@yahoo.com.br

(61) 8157-9868 / 3340-6626

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Alexandre Rocha