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O objetivo é escrever sobre cidadania, democracia, políticas públicas, governos e eleições, e quiçá tantos outros temas.

Sou Alexandre Rocha, sanraimundense de coração, filho de sanraimundenses e morador por vários anos do bairro Gavião. Entretanto, agora resido em Brasília, mas não me esqueço de nossa cidade. Sempre quando posso trilho o caminho para esta terra adorável. Na Capital Federal conheci, estudei e apaixonei-me pela Ciência Política. Nessa mesma área conclui o curso de Mestrado. A Ciência Política é uma formação pouco conhecida em nossa região, por isso também tenho como propósito divulgá-la, e quem sabe despertar o interesse de pessoas por essa disciplina.

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A razão dos princípios

alxroch@yahoo.com.br


A Constituição de 1988 firmou alguns princípios que são basilares para o fortalecimento da democracia, para o efetivo respeito à res publica (coisa pública). Desses princípios se destacam a impessoalidade, moralidade e eficiência na administração pública. Sem eles nenhum governo é digno da confiança do povo.

Qualquer pessoa que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos tem o dever de prestar contas, ou seja, comprovar a veracidade de seus atos. Destarte, para o administrador público não basta dizer que realizou alguma obra ou programa. É preciso demonstrar os resultados alcançados à luz dos princípios supracitados.

A impessoalidade é princípio relacionado à finalidade, isto é, ao fim que se pretende alcançar. Por exemplo, a finalidade de um programa de merenda escolar é alimentar estudantes. Qualquer coisa fora disso foge do objetivo do programa. Logo, a merenda não poderia ser desviada para ajudar certos funcionários da escola, mesmo que carentes. Nesse caso o poder público opera de forma impessoal, pois busca exclusivamente o desígnio do programa.

A moralidade relaciona-se à legalidade, mas vai além dela. O fato de algo ser ilegal já o coloca numa condição de imoral. Legal é aquilo previsto na lei. Moral é aquilo que além de assentado na lei, é enriquecido de valores como a ética e a justiça. Desse modo, para o administrador público não é suficiente agir nos limites da lei. Precisa atuar com moralidade, de forma honesta, adequada e razoável.

A eficiência diz respeito aos resultados. Ser eficiente é não se restringir ao que deve ser feito, porém fazer com perfeição. Voltando ao exemplo da merenda escolar. Não basta fornecer merenda em quantidade. Deve-se priorizar também a qualidade dos alimentos. A merenda escolar balanceada e rica tem o fito de nutrir os estudantes, mitigar a subnutrição. Porquanto terá conseguido resultados eficientes se, além disso, contribuir para melhoraria do aprendizado.

O poder público persegue unicamente o interesse da coletividade. Entretanto, nem sempre isso ocorre, pois há administradores públicos que não se importam com os interesses do povo. Buscam satisfazer principalmente interesses particulares, de parentes ou bajuladores.  Agem de forma pessoal, porquanto favorecem alguns em detrimento da coletividade. Governam de forma imoral, pois desrespeitam as leis e os cidadãos. Gerenciam de modo ineficiente, porque ofertam serviços públicos de má qualidade.

Todavia o povo tem parcela de culpa no tocante ao descaso com coisa pública, à corrupção na política. Ora, o eleitor que acredita em promessas infundadas – e, sobretudo, vende o voto – abre caminho para candidatos mal-intencionados adentrarem a máquina estatal e locupletarem-se com o dinheiro público. A corrupção começa nas campanhas eleitorais, no ato do voto.

Para alcançar a posição de presidente da República, governador, senador, deputado, prefeito ou vereador passa-se pelo crivo das eleições, pela escolha popular. Daí todo cidadão tem a obrigação de analisar os candidatos, sobrepesar em quem votará. Afinal, é mera ilusão sonhar com um poder público de qualidade quando se elege representantes alheios aos assuntos públicos ou corruptos.

Os princípios aqui relatados não são axiomas, ideologias vazias. Pelo contrário, são aplicáveis. Ademais, tornam os governos efetivamente transparentes e focados no bem da coletividade. Todo representante do povo precisa saber disso. Mas para tanto, a própria escolha dos candidatos já deveria se pautar nos princípios da impessoalidade, moralidade e eficiência. Todo cidadão deveria ter consciência disso.

 

Mestre em Ciência Política (UNB)

alxroch@yahoo.com.br

(61) 8157-9868 / 3340-6626

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Alexandre Rocha