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A vida é uma sucessão de eventos e
fases. O tempo é cruel, não se pode
voltar atrás. Resta-nos a saudade.
Recordações afincadas em nossas
mentes e corações. Algumas
lembranças são boas, outras nem
tanto. Mas como já dizia a canção:
recordar é viver.
Digo isso para reviver um tempo
dourado pra minha geração. E
principalmente, pra homenagear uma
pessoa que simbolizou este tempo. O
meu amigo Zeferino Júnior já o
recordou com propriedade o tempo ao
qual vou me referir. Volto ao
assunto, mas sem seus dotes
poéticos.
No final dos anos 80 e início dos
90 a juventude de São Raimundo
passou por transformações. Apesar
de a cidade ser distante dos
grandes centros urbanos, tivemos a
oportunidade de viver pulsações,
sensações e acontecimentos ímpares.
O rock nacional marcava o compasso
da juventude. Legião Urbana,
Engenheiros do Havaí, Titãs,
Paralamas do Sucesso entre outras
bandas incendiavam os grandes
shows, e também animavam os
“assustadinhos” de São Raimundo.
A única rádio da cidade, a Serra da
Capivara, raramente tocava algo
nesse ritmo. Pra piorar, o acesso
aos LP’s e às fitas, ou seja, às
músicas era difícil. Não é como
hoje que pela internet, num simples
dowloads, se têm as músicas que
quer.
Nesta época, parte significativa da
juventude brasileira se amarrava
nas aventuras da “Armação
Ilimitada” e vivia a nostalgia da
“Geração Coca-Cola”. Em São
Raimundo não foi diferente. Vivemos essa fase. Ademais, acrescentamos e
inovamos. As nossas limitações
fizeram que nós desenvolvêssemos
manifestações culturais próprias.
Algumas pessoas estavam mais a
frente. Lembro de quando alguns
jovens estudantes criaram o CEBOSA
e o KAOS. Eram grupos
despretensiosos que contestavam de
forma humorada e criativa. Não fiz
parte de nenhum deles. No entanto
sei da influência que exerceram na
juventude sanraimundense.
Recordo-me com saudade dos eventos
da Quadra Central, os quais, em
grande parte, foram promovidos pelo
CEBOSA ou KAOS. Os torneios de
futebol ou de vôlei abarrotavam as
arquibancadas. Lá era perfeito,
tinha o “Lanchão”, diversão e muita
gente.
Eu gostava do Lanchão. Era um
trailer todo inovador. De cara
tinha um desenho bem feito, o qual
eu olhava com admiração. Tratava-se
da caricatura de um gordo
carregando a própria pança num
carrinho de mão (rss).
Nesse tempo a Quadra Central não
era apenas um espaço físico,
abandonado e fétido. De fato, era o
coração da cidade. O mágico ponto
de encontro dos jovens
sanraimundenses, os quais viviam no
interior do sertão nordestino os
mesmos sonhos da juventude das
grandes cidades.
Narrei essa época só pra falar de
uma pessoa especial. Defronte a
Quadra residia alguém que
participou de tudo isso. Aliás, ele
possibilitou muito disso, foi o
pioneiro. Seu nome: JEAN. Ele é o
retrato perfeito de uma geração de
jovens sanraimundenses sonhadores,
encorajadores e destemidos.
Hoje ele deixa saudade pra todos
que o conheciam. Os anos da tenra
juventude já se foram. Agora os
amigos dessa época, aconteça o que
acontecer, esses nunca se vão.
Assim é com nosso amigo JEAN. O
tempo não irá desfigurá-lo.
Tampouco apagará sua vivacidade,
seu sorriso tímido e alegre. Enfim,
ele viverá eternamente em nossas
recordações.
Alexandre Pereira Rocha.
É cientista político.
Mestre em Ciência Política (UNB)
alxroch@yahoo.com.br
(61) 8157-9868 / 3340-6626 |