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O objetivo é escrever sobre cidadania, democracia, políticas públicas, governos e eleições, e quiçá tantos outros temas.

Sou Alexandre Rocha, sanraimundense de coração, filho de sanraimundenses e morador por vários anos do bairro Gavião. Entretanto, agora resido em Brasília, mas não me esqueço de nossa cidade. Sempre quando posso trilho o caminho para esta terra adorável. Na Capital Federal conheci, estudei e apaixonei-me pela Ciência Política. Nessa mesma área conclui o curso de Mestrado. A Ciência Política é uma formação pouco conhecida em nossa região, por isso também tenho como propósito divulgá-la, e quem sabe despertar o interesse de pessoas por essa disciplina.

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Concurso públicos versus nepotismo

alxroch@yahoo.com.br


Trabalhar no serviço público é o sonho de muita gente. O anúncio de um novo concurso é aguardado com ansiedade. Centenas de pessoas se dedicam aos cursinhos, às apostilas, às infindáveis horas de preparação, tudo na esperança de obter um cargo público. Essa tarefa é árdua, afinal a concorrência e o nível dos candidatos estão ficando cada vez mais elevados. No entanto, há afortunados que adentram ao serviço público sem passar pelo crivo do concurso.  

Os cargos públicos hoje se mostram atrativos porque muito dos empregos do setor privado são inseguros, remuneram mal e não oferecem realização profissional. Ademais, no serviço público os direitos trabalhistas são reconhecidos como garantias legais, não como benesses. Obviamente que há distorções e excessos. Todavia, isso vem sendo rechaçado. A máquina pública passa por transformações, as quais visam conceder mais transparência, eficiência, eficácia e moralidade.    

Teve época que quase todo cargo público era exclusividade de privilegiados. Era preciso ser parente ou conhecido de algum fulano ditoso para ocupar uma vaga nas repartições públicas. Na década de 30 essa história começou a mudar. No governo de Getúlio Vargas se operou os primeiros os concursos públicos. Despersonalizar a administração pública e selecionar profissionais de acordo com o mérito foi o lema proposto pela visão burocrática do Estado. Entretanto, era difícil encontrar pessoas qualificadas. Os cargos públicos, portanto, continuaram a ser preenchidos por indicações, por apadrinhamentos.  

Hoje o Brasil é outro. Apesar das abissais desigualdades é inegável que a educação e o nível da mão-de-obra dos brasileiros melhoraram significadamente.  O jogo inverteu. Agora as oportunidades de emprego são escassas. Para alcançar uma boa colocação não basta conhecimento intelectual e técnico, precisa-se de muita perseverança. Devido às incertezas da iniciativa privada, o Estado é visto como excelente patrão. Destarte, ser servidor público se tornou algo cobiçado. A Constituição de 1988 universalizou o acesso aos cargos públicos. Elevou o concurso a principal modalidade de ingresso. Logo pela meritocracia qualquer pessoa tem a possibilidade de trabalhar no serviço público.

Malgrado os avanços na legislação, da ampliação do concurso para seleção de pessoal, o nepotismo continua infestando o serviço público. Em qualquer poder ou nível governamental, seja federal, estadual ou municipal, há os cargos de livre indicação, os quais são notadamente preenchidos por critérios personalíssimos. Isso não é ilegal, tampouco burla ao instituto do concurso público. No entanto, é gritante desrespeito com aqueles que estudam e se qualificam. Aqui impera resquícios de tempos patrimonialistas, onde o público e o privado confluíam jactanciosamente.

O concurso é o melhor procedimento para combater o nepotismo.  O favoritismo na seleção de servidores não pode atropelar a capacidade intelectual e técnica. No concurso a isonomia é regra primordial. Através dela todos são iguais perante a lei. Ora, nenhuma distinção entre pessoas que se encontrem na mesma situação pode ser feita. Todavia, para alcançar um bom cargo público alguns fazem de tudo, inclusive suplantam as leis, rompem a isonomia.

O nepotismo se renova. Mecanismos fraudulentos são usados para apreciar a parentela.  O mais perverso é a compra de gabaritos, de resultados de provas. Por este meio é comum ver apadrinhados de algumas autoridades figurarem nas primeiras posições de concursos. E quando isso passa sorrateiramente, sem contraposição, os fraudadores uma vez aprovados e empossados conquistam direitos, como a estabilidade. De forma criminosa se tornam formalmente servidores públicos.

O nepotismo e suas novas facetas maculam o serviço público. Ademais, furtam as esperanças daqueles que estudam e acreditam nas regras. Daí a importância do concurso, pois seleciona democraticamente profissionais idôneos e dificulta o varejo dos cargos públicos. A busca de um serviço público de qualidade passa necessariamente pela valoração do concurso, dos servidores concursados. Desse modo se separa o joio do trigo, isto é, afasta os aproveitadores e seleciona os capacitados.    

Alexandre Pereira Rocha. É cientista político.

Mestre em Ciência Política (UNB)

alxroch@yahoo.com.br

(61) 8157-9868 / 3340-6626

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Alexandre Rocha

 

 

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