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Num
regime democrático conquistar a
maioria é imprescindível para
governar. As alianças e os arranjos
políticos fazem do ato de governar
um esforço coletivo. Em situações
de estabilidade política é raro o
governo que não obtém a maioria.
Isso é comum nas democracias e em
todos os níveis de governo, seja
federal, estadual ou municipal.
Agora, nem sempre é louvável o
motivo pelo qual a maioria se
constitui.
No
recente processo de democratização
a oligarquia política do Piauí se
filiou sobremaneira ao PFL (hoje
DEM) e ao PMDB. Estes partidos
elegiam o governador, senadores, e
a grande parte dos deputados
federais, estaduais, prefeitos e
vereadores. Todavia, nas eleições
de 2002 o PT e alguns aliados
começaram a romper essa hegemonia.
O principal posto do estado – ou
seja, o de governador – não foi
ocupado por pessoa vinculada à
antiga casta política. O primeiro
governo petista foi paradigmático e
enfrentou dificuldades. Assim, a
conquista da maioria foi processo
delicado e moroso.
A
oligarquia piauiense apostou numa
retomada do poder nas eleições de
2006. Portanto, colocou seus
principais personagens na linha de
frente, isto é, na disputa pelo
executivo estadual e pela vaga no
Senado. Nada obstante, isso não
evitou a derrota. O governo petista
contava com elementos favoráveis: a
realização de uma gestão
satisfatória, o apoio de fortes
segmentos da classe política e o
alinhamento com o governo Lula. Aos
adversários coube amargar a
oposição, ou então, correr para a
porta do Palácio de Karnak.
Desse cenário dois partidos se
fortaleceram: PTB e PSB. Ambos eram
partidos inexpressivos no estado.
Nas eleições de 2002 PTB elegeu só
dois deputados estaduais. O PSB não
elegeu nenhum parlamentar. No
decorrer da gestão petista tais
partidos se aliaram a base
situacionista. Isso proporcionou a
adesão de novos filiados, e até
mesmo, a migração de
oposicionistas. Nas eleições de
2006 essa aliança resultou em votos
e em muito prestígio. O PTB ocupou
a cobiçada vaga de senador, elegeu
um deputado federal e dois
estaduais. O PSB ocupou a vaga de
Vice-governador e elegeu dois
deputados estaduais.
Noutro extremo, destaca-se o
malogro dos partidos tradicionais.
Em 2002 o PFL elegeu quatro
deputados federais e nove
estaduais. Em 2006 reduziu
drasticamente sua bancada, pois
elegeu dois deputados federais e
quatro estaduais. Nessas eleições
o PFL firmou-se como partido de
oposição. Por sua vez, o PMDB, como
de praxe, dividiu-se em facções, as
quais transitam da base governista
à oposição ferrenha. Com isso, o
PMDB manteve sua bancada
praticamente estabilizada. Em 2002
elegeu dois deputados federais e
seis estaduais, e em 2006 dois
deputados federais e oito
estaduais.
Agora os holofotes focam as
eleições municipais de 2008. A
oligarquia do estado defronta-se
com o dilema: aventura-se de forma
isolada e sonha com novo apogeu, ou
se alia à situação e sepulta a
pretensão de apoderar-se do
executivo nas eleições de 2010. A
migração de políticos
oposicionistas para base do governo
demonstra que a segunda opção vem
se consolidando. O PTB é disparado
o partido que mais atrai novos
filiados. A locomotiva petebista
percorreu vários municípios do
interior do estado, e trouxe para a
sigla mais de sessenta prefeitos e
inúmeros vereadores.
A
aliança PT/PTB/PSB vem se
sustentando e crescendo. O avanço
dos partidos da base governista
sobre a política municipal indica
que a pretensão é firmar bases para
2010. Para tanto é preciso mitigar
a influencia dos partidos
tradicionais na esfera municipal.
Afinal, nas eleições de 2004 PFL
elegeu 101 prefeitos e 1028
vereadores, e PMDB 90 prefeitos e
1064 vereadores. Ao mesmo tempo PT
elegeu 51 prefeitos e 743
vereadores, PTB 66 prefeitos e 640
vereadores, e PSB 14 prefeitos e
233 vereadores.
No
Piauí a construção de maioria em
torno do PT era algo inimaginável.
Hoje este partido ocupa o governo –
e juntamente com o PTB e PSB –
arrebata apoio em diversos setores,
inclusive da oligarquia. Todavia,
isso não é necessariamente mérito
da base governista. Trata-se mais
de oportunismo daqueles que fazem
de tudo para se conservar no poder.
Destarte, constroem-se alianças
mercantilistas, desenha-se uma
maioria amorfa, a qual só se
sustenta enquanto o governo
distribuir benesses.
Alexandre Pereira Rocha.
É cientista político.
Mestre em Ciência Política (UNB)
alxroch@yahoo.com.br
(61) 8157-9868 / 3340-6626 |