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O objetivo é escrever sobre cidadania, democracia, políticas públicas, governos e eleições, e quiçá tantos outros temas.

Sou Alexandre Rocha, sanraimundense de coração, filho de sanraimundenses e morador por vários anos do bairro Gavião. Entretanto, agora resido em Brasília, mas não me esqueço de nossa cidade. Sempre quando posso trilho o caminho para esta terra adorável. Na Capital Federal conheci, estudei e apaixonei-me pela Ciência Política. Nessa mesma área conclui o curso de Mestrado. A Ciência Política é uma formação pouco conhecida em nossa região, por isso também tenho como propósito divulgá-la, e quem sabe despertar o interesse de pessoas por essa disciplina.

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O perigo da maioria

alxroch@yahoo.com.br


Num regime democrático conquistar a maioria é imprescindível para governar. As alianças e os arranjos políticos fazem do ato de governar um esforço coletivo. Em situações de estabilidade política é raro o governo que não obtém a maioria. Isso é comum nas democracias e em todos os níveis de governo, seja federal, estadual ou municipal. Agora, nem sempre é louvável o motivo pelo qual a maioria se constitui.  

No recente processo de democratização a oligarquia política do Piauí se filiou sobremaneira ao PFL (hoje DEM) e ao PMDB. Estes partidos elegiam o governador, senadores, e a grande parte dos deputados federais, estaduais, prefeitos e vereadores. Todavia, nas eleições de 2002 o PT e alguns aliados começaram a romper essa hegemonia. O principal posto do estado – ou seja, o de governador – não foi ocupado por pessoa vinculada à antiga casta política. O primeiro governo petista foi paradigmático e enfrentou dificuldades. Assim, a conquista da maioria foi processo delicado e moroso.

A oligarquia piauiense apostou numa retomada do poder nas eleições de 2006. Portanto, colocou seus principais personagens na linha de frente, isto é, na disputa pelo executivo estadual e pela vaga no Senado. Nada obstante, isso não evitou a derrota. O governo petista contava com elementos favoráveis: a realização de uma gestão satisfatória, o apoio de fortes segmentos da classe política e o alinhamento com o governo Lula. Aos adversários coube amargar a oposição, ou então, correr para a porta do Palácio de Karnak.

Desse cenário dois partidos se fortaleceram: PTB e PSB. Ambos eram partidos inexpressivos no estado. Nas eleições de 2002 PTB elegeu só dois deputados estaduais. O PSB não elegeu nenhum parlamentar. No decorrer da gestão petista tais partidos se aliaram a base situacionista. Isso proporcionou a adesão de novos filiados, e até mesmo, a migração de oposicionistas. Nas eleições de 2006 essa aliança resultou em votos e em muito prestígio. O PTB ocupou a cobiçada vaga de senador, elegeu um deputado federal e dois estaduais. O PSB ocupou a vaga de Vice-governador e elegeu dois deputados estaduais.

Noutro extremo, destaca-se o malogro dos partidos tradicionais. Em 2002 o PFL elegeu quatro deputados federais e nove estaduais. Em 2006 reduziu drasticamente sua bancada, pois elegeu dois deputados federais e quatro estaduais.  Nessas eleições o PFL firmou-se como partido de oposição. Por sua vez, o PMDB, como de praxe, dividiu-se em facções, as quais transitam da base governista à oposição ferrenha. Com isso, o PMDB manteve sua bancada praticamente estabilizada. Em 2002 elegeu dois deputados federais e seis estaduais, e em 2006 dois deputados federais e oito estaduais.

Agora os holofotes focam as eleições municipais de 2008. A oligarquia do estado defronta-se com o dilema: aventura-se de forma isolada e sonha com novo apogeu, ou se alia à situação e sepulta a pretensão de apoderar-se do executivo nas eleições de 2010. A migração de políticos oposicionistas para base do governo demonstra que a segunda opção vem se consolidando. O PTB é disparado o partido que mais atrai novos filiados. A locomotiva petebista percorreu vários municípios do interior do estado, e trouxe para a sigla mais de sessenta prefeitos e inúmeros vereadores.  

A aliança PT/PTB/PSB vem se sustentando e crescendo. O avanço dos partidos da base governista sobre a política municipal indica que a pretensão é firmar bases para 2010. Para tanto é preciso mitigar a influencia dos partidos tradicionais na esfera municipal. Afinal, nas eleições de 2004 PFL elegeu 101 prefeitos e 1028 vereadores, e PMDB 90 prefeitos e 1064 vereadores. Ao mesmo tempo PT elegeu 51 prefeitos e 743 vereadores, PTB 66 prefeitos e 640 vereadores, e PSB 14 prefeitos e 233 vereadores.

No Piauí a construção de maioria em torno do PT era algo inimaginável. Hoje este partido ocupa o governo – e juntamente com o PTB e PSB – arrebata apoio em diversos setores, inclusive da oligarquia. Todavia, isso não é necessariamente mérito da base governista. Trata-se mais de oportunismo daqueles que fazem de tudo para se conservar no poder. Destarte, constroem-se alianças mercantilistas, desenha-se uma maioria amorfa, a qual só se sustenta enquanto o governo distribuir benesses.

 

Alexandre Pereira Rocha. É cientista político.

Mestre em Ciência Política (UNB)

alxroch@yahoo.com.br

(61) 8157-9868 / 3340-6626

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Alexandre Rocha

 

 

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