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O
objetivo é escrever sobre cidadania, democracia, políticas públicas,
governos e eleições, e quiçá tantos outros temas.
Sou
Alexandre Rocha, sanraimundense de coração, filho de sanraimundenses e
morador por vários anos do bairro Gavião. Entretanto, agora resido em
Brasília, mas não me esqueço de nossa cidade. Sempre quando posso trilho o
caminho para esta terra adorável. Na Capital Federal conheci, estudei e
apaixonei-me pela Ciência Política. Nessa mesma área conclui o curso de
Mestrado. A Ciência Política é uma formação pouco conhecida em nossa região,
por isso também tenho como propósito divulgá-la, e quem sabe despertar o
interesse de pessoas por essa disciplina.
Veja no site da UNB |
No Portal SRN
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O
biocombustível é propagado pelo
governo brasileiro como uma
grande inovação. O presidente
Lula já percorreu vários lugares
anunciando as vantagens do
combustível natural. Num mundo
dependente do petróleo – que é um
produto cada vez mais escasso – o
domínio de uma fonte alternativa
de combustível significa poder.
Não será isso que o presidente
Lula busca avidamente?
As regiões
mananciais de combustível fóssil
são disputadas pelas potências
mundiais. O petróleo, que
impulsionou o desenvolvimento dos
dois últimos séculos, está se
esgotando. Comenta-se que as
reservas de petróleo tenham
duração de algumas décadas. No
entanto, é difícil saber até que
ponto isso procede. Pode ser
apenas estratégia de quem quer
valorizar seu produto. A máxima
do mercado não costuma falhar,
logo quanto menos petróleo no
mercado, maior o seu valor.
Assim, os petrodólares continuam
financiando a ganância de poder
de xeiques a Chávez.
O
vertiginoso consumo de produtos
derivados de petróleo afeta
diretamente o meio ambiente. Até
quando o planeta Terra suportará
a contínua emissão de gases e
substâncias tóxicas? A natureza
sabiamente criou depósitos de
lixos para retirar produtos
nocivos à vida. O petróleo é
resultado deste processo natural,
ou seja, trata-se de lixo
despojado no decorrer de milhões
de anos. O homem revirou,
processou e transformou esse lixo
em algo útil à sua espécie, mas,
conseqüentemente, alterou o
equilíbrio natural. As
implicações são trágicas, ora a
poluição coloca em risco a vida
de várias espécies, inclusive a
humana.
O problema
da degradação do meio ambiente
hoje não se limita a discursos de
ecologistas, pelo contrário,
ocupa a agenda de vários governos
e instituições. O fato é que o
petróleo é altamente poluente.
Destarte, é preciso buscar formas
de minimizar seu impacto na
natureza, mas sem refrear o
desenvolvimento. É aqui que entra
o biocombustível, porquanto tem
condição de alimentar motores com
poucos danos ao meio ambiente, e
se constitui numa fonte
praticamente infindável.
O
biocombustível é extraído de
produtos orgânicos, como soja,
milho, cana-de-açúcar, mamona.
Não se trata de nenhuma invenção
brasileira, pois a geração de
combustível a partir de tais
produtos já é bem conhecida.
Todavia, não se constituía numa
fonte viável, nem rentável, haja
vista que o petróleo supria a
demanda do mercado. Agora com a
poluição atingindo níveis
insuportáveis e com o esgotamento
das reservas de petróleo, os
combustíveis orgânicos se
apresentam como tábua de
salvação.
O mercado
de combustíveis naturais é
promissor. O Brasil leva
vantagem, afinal domina a
tecnologia e possui a
matéria-prima com fartura. O
biocombustível pode gerar emprego
e renda, contribuir para o
desenvolvimento sustentável. Esta
é a propaganda do governo
brasileiro, contudo isso não é
consenso no cenário
internacional. Alguns governos –
os quais não por acaso são
grandes produtores de
combustíveis fósseis – criticam a
destinação de alimentos para
manter motores.
O teor das
críticas pode ser enviesado, mas
serve de alerta. Na década de
1980, o Pró-Álcool fez frente ao
dispendioso petróleo. Hoje
significativa parcela dos
automóveis que circulam no País é
abastecida com álcool, contudo
isso não mitigou o peso do
petróleo. Por certo, é que o
álcool-combustível é influenciado
pelo período das entressafras e
pela especulação dos usineiros.
Isso encarece demasiadamente o
produto para o consumidor.
Todavia, a pior conseqüência é
que os canaviais também
prejudicam o meio ambiente, pois
são causas de devastação de
florestas e queimadas freqüentes.
Ademais, os empregos gerados
nessa cultura são degradantes,
senão escravos. A experiência do
Pró-Álcool é paradigmática, não
pode ser deixada de lado no
debate do biocombustível.
O governo
brasileiro defende a questão do
desenvolvimento sustentável na
agenda mundial. Entretanto, não é
essa a realidade interna do País,
o qual ainda é precário em
políticas de proteção ao meio
ambiente. Se isso não for
equacionado, lamentavelmente a
produção de biocombustível será
mais outra forma de desmatar,
outro meio de oferecer
subempregos. De certo, até o
momento, é que o tema do
biocombustível vem adornando os
discursos do presidente Lula
mundo afora.
Alexandre Pereira Rocha.
É cientista político.
Mestre em Ciência Política (UNB)
alxroch@yahoo.com.br |
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Está coluna é de
inteira responsabilidade do colunista
Alexandre Rocha |
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