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O objetivo é escrever sobre cidadania, democracia, políticas públicas, governos e eleições, e quiçá tantos outros temas.

Sou Alexandre Rocha, sanraimundense de coração, filho de sanraimundenses e morador por vários anos do bairro Gavião. Entretanto, agora resido em Brasília, mas não me esqueço de nossa cidade. Sempre quando posso trilho o caminho para esta terra adorável. Na Capital Federal conheci, estudei e apaixonei-me pela Ciência Política. Nessa mesma área conclui o curso de Mestrado. A Ciência Política é uma formação pouco conhecida em nossa região, por isso também tenho como propósito divulgá-la, e quem sabe despertar o interesse de pessoas por essa disciplina.

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O militarismo na democracia

alxroch@yahoo.com.br


No dia 7 de setembro, data comemorativa da Independência do Brasil, os desfiles militares são realizados em quase todo o país. Nada obstante, as mesmas instituições militares que hoje desfilam encantando adultos e crianças com armas, tanques, aviões e cavalaria foram responsáveis por um obscuro período de nossa história. Trata-se da ditadura de militar, a qual ceifou liberdades, sonhos e vidas. Além disso, solapou a democracia. Destarte, não causa estranheza em plena democracia a exaltação do militarismo?

 

A ditadura militar profligou a incipiente experiência democrática de pós-1945 e teve peculiaridades desconhecidas noutros regimes autoritários. A tomada do poder pelos militares tinha por fito evitar a instabilidade política e resguardar o país da “febre comunista”. Assim, o Congresso Nacional não teve suas funções indefinidamente paralisadas e as eleições continuaram para alguns cargos. Curiosamente, o próprio comando militar alternou seus ditadores. Ademais, o discurso dos militares era conduzir o Brasil à efetiva democracia, não fundar uma república militar. Todavia, essas características não foram suficientes para ocultar as agruras de qualquer regime autoritário, notadamente o uso excessivo da violência para conter as manifestações de desafeto, para manter a ordem.

 

A democracia não podia se desenvolver sob a tutela da ditadura militar. Afinal, o requisito básico de qualquer regime democrático é a capacidade de o povo escolher livremente representantes por eleições periódicas e diretas para todos os níveis. A roupagem democrática esculpida pelos militares não conteve a demanda por participação popular. Logo, ocorreram diversas manifestações, movimentos e greves exigindo a restituição de direitos e liberdades. Tudo isso demonstrou o desejo do povo brasileiro por uma democracia plena. Por conseguinte, de forma “lenta, gradual e segura” a ditadura cedeu espaço para o governo popular, para democracia. A conquista deste regime – que teve como ícone a promulgação da Constituição de 1988 – pode ser considerada outra independência para o povo brasileiro.

 

O governo dos militares foi bastante nebuloso, pois a violência ocupou o lugar do debate. Destarte, repressão, torturas, desaparecimento de pessoas, enfim desrespeito aos direitos humanos foram alguns dos mecanismos perpetrados para manter a ordem. Nem por isso, no atual regime democrático brasileiro os militares foram perseguidos ou execrados, como ocorreu noutras ditaduras da América Latina. Dessa forma, pode-se afirmar que a ditadura militar conduziu o poder sem apagar definitivamente a chama democrática. Por outro lado, a democracia vem restituindo direitos e liberdades à população civil sem ressentimento ou revanchismo contra os milites.    

 

A consolidação democrática no Brasil tem percalços, mas a culpa não decorre exclusivamente do regime antecessor. O militarismo é uma instituição maior que a ditadura. Por isso hoje os militares participam da democracia como qualquer um do povo. Aliás, os desfiles militares do dia da Independência fazem parte da festa democrática e se constituem em atos que aprofundam valores cívicos e patrióticos, os quais são imprescindíveis para construção de uma nação forte, livre e soberana.

 

Alexandre Pereira Rocha é cientista político.

alxroch@yahoo.com.br

 

Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Alexandre Rocha

 

 

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