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O objetivo é escrever sobre cidadania, democracia, políticas públicas, governos e eleições, e quiçá tantos outros temas.

Sou Alexandre Rocha, sanraimundense de coração, filho de sanraimundenses e morador por vários anos do bairro Gavião. Entretanto, agora resido em Brasília, mas não me esqueço de nossa cidade. Sempre quando posso trilho o caminho para esta terra adorável. Na Capital Federal conheci, estudei e apaixonei-me pela Ciência Política. Nessa mesma área conclui o curso de Mestrado. A Ciência Política é uma formação pouco conhecida em nossa região, por isso também tenho como propósito divulgá-la, e quem sabe despertar o interesse de pessoas por essa disciplina.

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Calamidade Pública!

alxroch@yahoo.com.br


A seca que aflige o semi-árido nordestino é um fenômeno natural, a qual não pode ser impedida, mas certamente seus efeitos podem ser amenizados. Em muitas localidades do município de São Raimundo Nonato a situação já é crítica. A despeito de toda crueza da estiagem, não é ela o único caso de calamidade pública.

 

A seca não é algo imprevisível. Quando as chuvas são escassas na estação do inverno se sabe prontamente que a estiagem dificultará a vida do sertanejo. No entanto – a seca aqui e em tantas outras cidades do nordeste brasileiro – é uma indústria.

 

A seca que castiga o povo sertanejo é a mesma que enriquece muitas autoridades públicas corruptas.

 

A indústria da seca já elegeu muitos candidatos. O povo sertanejo carente de recursos e instrução é cooptado pelas falsas promessas. É fácil fazer política e conquistar o carisma do povo nas regiões atingidas pela seca. Não se faz quase nada, argumenta-se que não tem como combater a seca, pois é coisa da natureza, vontade de Deus. Destarte, as medidas se restringem a ajudas paliativas, como distribuição de pipas d’água e cestas-básicas.

 

Atualmente a seca é um problema superável, porquanto a tecnologia suplanta adversidades naturais bem piores que a falta de chuvas. O que falta é vontade política, ações governamentais. Contudo, isso não é interessante para algumas pessoas, sobretudo para alguns políticos. Afinal, estes terão que trabalhar se a seca deixar de assolar o povo – ou seja, terão que construir hospitais, escolas, ruas, praças – em vez de distribuir esmolas.  

 

O agravamento da seca no mês de agosto coincide com as festividades em honra a São Raimundo Nonato. Num ato de fé, caridade e tradição o povo lota a Praça da Igreja Matriz durante o Novenal. Os padres anunciam a vida eterna, a doutrina cristã. Nada obstante, também cuidam das coisas mundanas ao admoestarem as autoridades públicas, principalmente aquelas que ocupam as primeiras fileiras, próximo ao Altar.

 

A Igreja reza: lutar contra a pobreza e as desigualdades sócio-econômicas é um compromisso do poder público.

 

O festejo ultrapassa o aspecto religioso. A euforia toma todo o povo sanraimundense. O evento mais tradicional são as “barraquinhas”, onde as pessoas se confraternizam e se divertem. No entanto, neste ano, tal evento quase ficou sem local para realização.

 

Com a Avenida dos Estudantes em obra, as barraquinhas foram empurradas para a Praça do Abrigo, local impróprio para tal finalidade. O resultado foi o amontoamento de barracas pelas ruas e calçadas. As pessoas se espremeram entre mesas, cadeiras, carros e motos. A desorganização e a sujeira deram um ar de “favelização” ao colorido da festa. Isso serviu para completar o cenário de total abandono da cidade.

 

Para suavizar a seca opera-se a distribuição de esmolas. Para ludibriar o povo realizam-se as festas de rua. Esta é a conhecida política de pão e circo, cujo fito é alienação do povo. Neste picadeiro as boas obras não passam de encenação, pois o que de fato ocorre é a autopromoção à custa do dinheiro público, além de roubalheiras. Daí a trágica realidade de muitos nordestinos, inclusive de sanraimundenses.

 

Há aproximadamente oito anos se divulgou que a cidade estava rumo ao futuro. É este futuro que sonhávamos? O trabalho continua sofrivelmente, sem melhorias significativas. As poucas obras realizadas (e em andamento) foram financiadas fartamente pelo Governo Federal. É precária a contrapartida da administração municipal.

 

Para combater a seca é preciso políticas sistemáticas e contínuas, as quais até ultrapassam a capacidade do poder municipal. Por sua vez, fomentar o progresso da cidade e governar com responsabilidade é competência dos gestores do município. Entretanto, é notório que a cidade de São Raimundo Nonato está depredada, parece não ter administração. Assim como a seca, isso também é um caso de calamidade pública. Só não vê quem não quer. 

 

Alexandre Pereira Rocha é cientista político.

alxroch@yahoo.com.br

 

Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Alexandre Rocha

 

 

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