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O objetivo é escrever sobre cidadania, democracia, políticas públicas, governos e eleições, e quiçá tantos outros temas.

Sou Alexandre Rocha, sanraimundense de coração, filho de sanraimundenses e morador por vários anos do bairro Gavião. Entretanto, agora resido em Brasília, mas não me esqueço de nossa cidade. Sempre quando posso trilho o caminho para esta terra adorável. Na Capital Federal conheci, estudei e apaixonei-me pela Ciência Política. Nessa mesma área conclui o curso de Mestrado. A Ciência Política é uma formação pouco conhecida em nossa região, por isso também tenho como propósito divulgá-la, e quem sabe despertar o interesse de pessoas por essa disciplina.

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As intermitências da Reforma

alxroch@yahoo.com.br


Bem Amigo(a)s sanraimundenses. Deixo novamente reflexão sobre um tema nacional. Trata-se da Reforma Política. Podemos não dar importância para esses assuntos de política, mas eles influenciam nosso dia-a-dia. Portanto, convido-os a pesquisar e refletir sobre isso.

 

As intermitências da Reforma

 

A Reforma Política está na pauta de discussão. Em meio a tantos escândalos ela desponta como tábua de salvação, como forma de polir a desgastada imagem do legislativo brasileiro. Pelo menos esta é a bandeira levantada por aqueles que a defendem. Contudo, antes de qualquer alteração, deveria se sobrepesar o seguinte: quem ganha o que, quando e como?

 

Essas são indagações clássicas que definem a política, conforme a lição do cientista político Harold Lasswell. Elas são elucidativas, pois conferem à política ares pragmáticos. Aliás, mostram o jogo de interesses como característica própria da política. Não adianta mascarar, na disputa pelo poder – que é a essência da política – sempre haverá embate de interesses. Daí resulta que alguns serão ganhadores e outros perdedores.

 

Na propalada Reforma Política não será diferente. Portanto, é imperativo perquirir quem sairá ganhando. Será o povo, por que os mecanismos de representação serão fortalecidos? Ou será a classe política, por que as alterações trilham no sentido de consolidar casuísmos?

 

As modificações no sistema político-eleitoral são complexas. Afinal, desmontar estruturas já instaladas e eivadas de privilégios, certamente é uma luta homérica. Dessarte, outro notório cientista político, Giovanni Sartori, preleciona que geralmente os executores das mudanças terminam por adotar o sistema que percebem como de vantagem imediata para si. Assim, dificilmente se baseiam em cisões estruturais da sociedade, ou ainda, em determinantes profundos da história de um povo.

 

Apesar de tantas intermitências e do longo período de decantação a Reforma Política é um projeto amórfico. As discussões no Congresso mostram inexistir consenso entre os parlamentares de como e quais serão as modificações. O debate gravita em torno de tópicos polêmicos, como o voto em lista fechada, o voto distrital e o financiamento público de campanhas. O objetivo de tais mudanças é despersonalizar a política, fortalecer os partidos, e, sobretudo aplacar a corrupção. No entanto – a “podridão” moral e ética que macula a classe política – faz pairar sérias dúvidas se bons frutos brotarão. Nada assegura que as virtudes não serão achincalhadas, assim como já ocorre no atual sistema político-eleitoral.

 

O cotejo das propostas acentua as controvérsias. A respeito do voto em lista fechada conta positivamente o fortalecimento dos partidos, mas pesa negativamente a perpetuação de oligarquias. No tocante ao voto distrital é louvável a aproximação de representantes e eleitores, porém o rateamento do país em distritos pode levar a valoração dos interesses provincianos em detrimento às causas nacionais. Quanto ao financiamento público das campanhas, o afastamento do poder econômico é salutar, mas a transferência do custo aos cofres públicos implica num fardo demasiadamente pesado à sociedade.

 

Voltando às indagações delineadoras da política, tem-se que segmentos da classe política almejam notadamente medidas que lhes possibilitem favorecimentos, ganhos. Por conseguinte, a maioria das propostas da reforma desconsidera peculiaridades elementares de nossa cultura política. Como adotar o voto em lista fechada ou voto distrital num cenário, respectivamente, desprovido de instrução partidária e de escassa consciência política? Como acatar o financiamento público de campanhas num ambiente público tão vulnerável à corrupção? Essas idiossincrasias comprometem o futuro de qualquer reforma.

 

Precedente a Reforma Política seria conveniente alterações de efeito imediato, embora com menos holofotes. Pode-se imaginar o enrijecimento da lei para crimes cometidos contra a coisa pública. Ademais, a celeridade dos processos envolvendo atos de corrupção e a certeza de punição. Esses procedimentos abarcariam integrantes de todos os poderes. No caso específico dos partidos políticos, para se ter siglas fortes, ajudaria a escolha criteriosa dos futuros candidatos. Ou seja, indivíduos notoriamente corruptos deveriam ser rechaçados.

 

A Reforma Política vem sendo conduzida de forma demagógica. A verdade é que ela isoladamente não reprimirá a corrupção. A facilidade com que bandidos se incutem nos postos mais elevados da República decorre de distorções que estão além do sistema político-eleitoral. Lamentavelmente, o escopo da reforma serve aos interesses da classe política, a qual novamente inquina a participação popular no processo político. Destarte, perde-se a oportunidade de aquilatar a cultura política brasileira.

 

Alexandre Pereira Rocha é cientista político.

alxroch@yahoo.com.br

 

Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Alexandre Rocha

 

 

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