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O objetivo é escrever sobre cidadania, democracia, políticas públicas, governos e eleições, e quiçá tantos outros temas.

Sou Alexandre Rocha, sanraimundense de coração, filho de sanraimundenses e morador por vários anos do bairro Gavião. Entretanto, agora resido em Brasília, mas não me esqueço de nossa cidade. Sempre quando posso trilho o caminho para esta terra adorável. Na Capital Federal conheci, estudei e apaixonei-me pela Ciência Política. Nessa mesma área conclui o curso de Mestrado. A Ciência Política é uma formação pouco conhecida em nossa região, por isso também tenho como propósito divulgá-la, e quem sabe despertar o interesse de pessoas por essa disciplina.

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Não esquecer para mudar

alxroch@yahoo.com.br


 

Os atuais fatos de corrupção na esfera federal estão sendo qualificados como o pior momento de nossa história política. Todavia, passado o alarido, cairão no esquecimento da mídia e do povo. Por causa disso, muitos corruptos de hoje, tornam-se o exemplo de honestidade e competência do amanhã. Infelizmente nossa memória política não vem extirpando da seara política figuras maléficas ao poder público, com isso reforçamos a corrupção que tanto criticamos.

 

O viver é um exercitar da memória, por isso desde os nossos tenros dias de vida acumulamos conhecimento e experiências. Assim: primeiro engatinhamos para depois andarmos, aprendermos o alfabeto para depois lermos! A memória é um processo contínuo, ou seja, uma soma de conhecimentos que garantem a sobrevivência individual e a evolução da humanidade. Na política isso não pode ser diferente.

 

Destarte, a memória política deve manter presente todos os fatos bons e ruins do âmbito político. Assim, um ato de corrupção deve ser repugnado por diversas gerações; bem como um personagem corrupto deve ser execrado do cenário público. O povo precisa se conscientizar que a memória política é o pior juiz para um corrupto, e o ostracismo político é a sua pior condenação. É preciso exercitar nossa memória política, para tanto educação e participação política são fundamentais.

 

Não podemos ficar alheios ao mundo da política, é preciso buscar o conhecimento político e saber quais são nossos direitos. A educação política passa necessariamente pela plena consciência de nossos direitos. A política não é uma arena exclusiva da elite, pelo contrário, é o espaço do debate coletivo. Os representantes do povo não podem figurar como “deuses” que ditam nossa sorte ao sabor de seus interesses mesquinhos e particulares. Bem como os cidadãos não podem ser “cordeiros” que aceitam tudo de forma mansa e humilde, porque assim a política é o pior dos infernos. A política é um assunto eminentemente coletivo, logo é preciso participar politicamente.

 

Temos que – a participação política é o cimento da educação política – a qual por sua vez é o alicerce da memória política. Entretanto, a participação política não se restringe ao ato de votar, trata-se uma atividade permanente e persistente, na qual devemos cobrar e exigir dos representantes e das instituições governamentais o fiel cumprimento dos interesses coletivos.

 

Em São Raimundo Nonato precisamos urgentemente exercitar nossa memória política, ora caminharmos pelas trilhas da educação e da participação política, porque seja no passado ou no presente, nada muda na cidade. Passam-se eleições e gestões, mas a cidade continua uma vergonha e com os mesmos problemas: ruas esburacadas e mal iluminadas; esgotos ao céu aberto; farra com recursos públicos; distribuição de empregos para parentes e aliados etc. Ou seja: a política em nossa cidade é um inferno, visto que continuamente a esperança de um futuro melhor é tisnada pelos que se julgam donos do poder. 

 

Os donos do poder de São Raimundo Nonato – sobretudo os componentes da atual gestão municipal – são personagens manchados por administrações ineficientes e por fortes indícios de corrupção; mesmo assim, dizem-se guardiões dos interesses populares. Contudo, a cada dia o município fica mais pobre e decadente. A memória política do povo sanraimundense não pode falhar, isto é, esquecer das promessas do período eleitoral e das farras na execução da gestão municipal, porque assim reforçam os atos de irresponsabilidade com bem público e abrem canais para corrupção.

 

O povo sanraimundense não pode se calar diante dos descasos das gestões municipais – pois a despeito das preferências partidárias – deve participar cobrando e exigindo uma administração voltada aos verdadeiros interesses da coletividade. No entanto, caso isso não seja suficiente, deve no tribunal das eleições cunhar uma sentença que afaste do poder os dilapidadores do bem público.

 

Enfim, exercitarmos nossa memória política, formando um ambiente de educação e participação política, constitui-se numa atitude primordial para vencermos nossos problemas locais e levarmos a cidade de São Raimundo Nonato ao caminho do progresso.

 

 

Alexandre Pereira Rocha é cientista político.

alxroch@yahoo.com.br

 

Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Alexandre Rocha

 

 

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