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Os atuais fatos de corrupção na
esfera federal estão sendo
qualificados como o pior momento de
nossa história política. Todavia,
passado o alarido, cairão no
esquecimento da mídia e do povo.
Por causa disso, muitos corruptos
de hoje, tornam-se o exemplo de
honestidade e competência do
amanhã. Infelizmente nossa memória
política não vem extirpando da
seara política figuras maléficas ao
poder público, com isso reforçamos
a corrupção que tanto criticamos.
O viver é um exercitar da memória,
por isso desde os nossos tenros
dias de vida acumulamos
conhecimento e experiências. Assim:
primeiro engatinhamos para depois
andarmos, aprendermos o alfabeto
para depois lermos! A memória é um
processo contínuo, ou seja, uma
soma de conhecimentos que garantem
a sobrevivência individual e a
evolução da humanidade. Na política
isso não pode ser diferente.
Destarte, a memória política deve
manter presente todos os fatos bons
e ruins do âmbito político. Assim,
um ato de corrupção deve ser
repugnado por diversas gerações;
bem como um personagem corrupto
deve ser execrado do cenário
público. O povo precisa se
conscientizar que a memória
política é o pior juiz para um
corrupto, e o ostracismo político é
a sua pior condenação. É preciso
exercitar nossa memória política,
para tanto educação e participação
política são fundamentais.
Não podemos ficar alheios ao mundo
da política, é preciso buscar o
conhecimento político e saber quais
são nossos direitos. A educação
política passa necessariamente pela
plena consciência de nossos
direitos. A política não é uma
arena exclusiva da elite, pelo
contrário, é o espaço do debate
coletivo. Os representantes do povo
não podem figurar como “deuses” que
ditam nossa sorte ao sabor de seus
interesses mesquinhos e
particulares. Bem como os cidadãos
não podem ser “cordeiros” que
aceitam tudo de forma mansa e
humilde, porque assim a política é
o pior dos infernos. A política é
um assunto eminentemente coletivo,
logo é preciso participar
politicamente.
Temos que – a participação política
é o cimento da educação política –
a qual por sua vez é o alicerce da
memória política. Entretanto, a
participação política não se
restringe ao ato de votar, trata-se
uma atividade permanente e
persistente, na qual devemos cobrar
e exigir dos representantes e das
instituições governamentais o fiel
cumprimento dos interesses
coletivos.
Em São Raimundo Nonato precisamos
urgentemente exercitar nossa
memória política, ora caminharmos
pelas trilhas da educação e da
participação política, porque seja
no passado ou no presente, nada
muda na cidade. Passam-se eleições
e gestões, mas a cidade continua
uma vergonha e com os mesmos
problemas: ruas esburacadas e mal
iluminadas; esgotos ao céu aberto;
farra com recursos públicos;
distribuição de empregos para
parentes e aliados etc. Ou seja: a
política em nossa cidade é um
inferno, visto que continuamente a
esperança de um futuro melhor é
tisnada pelos que se julgam donos
do poder.
Os donos do poder de São Raimundo
Nonato – sobretudo os componentes
da atual gestão municipal – são
personagens manchados por
administrações ineficientes e por
fortes indícios de corrupção; mesmo
assim, dizem-se guardiões dos
interesses populares. Contudo, a
cada dia o município fica mais
pobre e decadente. A memória
política do povo sanraimundense não
pode falhar, isto é, esquecer das
promessas do período eleitoral e
das farras na execução da gestão
municipal, porque assim reforçam os
atos de irresponsabilidade com bem
público e abrem canais para
corrupção.
O povo sanraimundense não pode se
calar diante dos descasos das
gestões municipais – pois a
despeito das preferências
partidárias – deve participar
cobrando e exigindo uma
administração voltada aos
verdadeiros interesses da
coletividade. No entanto, caso isso
não seja suficiente, deve no
tribunal das eleições cunhar uma
sentença que afaste do poder os
dilapidadores do bem público.
Enfim, exercitarmos nossa memória
política, formando um ambiente de
educação e participação política,
constitui-se numa atitude
primordial para vencermos nossos
problemas locais e levarmos a
cidade de São Raimundo Nonato ao
caminho do progresso.
Alexandre Pereira Rocha
é cientista político.
alxroch@yahoo.com.br |