.:":.Portal Sanraimundense.:":. - Entretenimento e Informação.

 

.

 

Um pouco sobre mim

Cineas das Chagas Santos nasceu em Campo Formoso, município de Caracol (PI), em setembro de 48. Vive em Teresina desde 65. Professor, editor e livreiro, fundou, com alguns companheiros de geração, o jornal alternativo “Chapada do Corisco” (76/77). É proprietário da Oficina da Palavra e coordena o grupo A Cara Alegre do Piauí. Publicou: Miudezas em Geral (poesia); Tinha que Acontecer (contos); ABC da Ecologia (cordel); Aldeia Grande (humor) e o Menino que Descobriu as Palavras (infantil).

 


Por que ainda estou aqui

cineasantos@hotmail.com


      Ao longo dos últimos 60 anos, ou seja, durante toda a minha existência, sempre tive o cuidado de manter prudente distância do poder. E nem vou invocar o Lord Acton, que afirmava: “O poder tende a corromper”. O poder simplesmente não me atrai nem me fascina, a não ser o poder de divino, pleno, ilimitado. Parafraseando  Paul Valéry, só o poder absoluto tem encanto. Mas deixemos de erudição barata, que o chão é minha praia. Convidado pelo Dr. Sílvio Mendes a integrar sua equipe de governo à frente da Fundação Municipal de Cultura Mons.Chaves, tive o cuidado de adverti-lo: Senhor Alcaide, acredito que sirvo melhor ao município de Teresina longe de qualquer instituição pública.O prefeito não me ouviu e aqui ( ainda) estou.

 

      Dirigir a FMC é uma experiência complicada, para dizer o mínimo. Antes mesmo de sentar-me na cadeira da presidência, já um coro de ensandecidos pedia a minha cabeça. Em um ano de serviço público, já peguei mais cipoadas que durante toda a minha vida. Basta contrariar  algum interesse, legítimo ou não, para que chovam bordoadas. Como me falta jogo de cintura, não consigo esquivar-me.

 

      Assumi a presidência da FMC num ano difícil: a crise rondava as prefeituras do país, exigindo prudência, cortes, prudência e muita responsabilidade. A despeito disso, cumprimos rigorosamente o Calendário Cultural da Fundação e, sem estourar o orçamento, iniciamos alguns projetos bem-sucedidos. Ressuscitamos o Projeto Picoler, de grande alcance social; incorporamos o Festival Nacional de Violão do Piauí à programação da FCM; instituímos o Festival de Música de Teresina, cuja primeira edição se realizou no aniversário da cidade; criamos os projetos Música na Praça, Arte Itinerante e Teresina Visita, todos funcionando regularmente. É escusado afirmar que pretendíamos fazer mais, muito mais. Fizemos apenas o possível.

 

      Em meio a muitos aborrecimentos, tivemos algumas alegrias: ampliamos o número de alunos inscritos nos projetos Musicalizando e Violão na Escola: hoje são mais de 700 crianças inscritas nos projetos; 50 delas, as mais adiantadas, já integram a Orquestra de Violões de Teresina. Impossível não esquecer a experiência do garoto Leonardo de Cáprio ( 9 anos de idade), que trocou um cabo de vassoura por um violão e, em menos de uma no de estudo, já toca por partitura.É comovente e animador, ver duas garotas, de 11 e 9 de anos idade, tocando sax  e trompete,respectivamente, numa das bandas juvenis mantidas pela FMC. Estamos contribuindo para elevar a autoestima da molecada mais necessitada.

 

      Mas as provocações persistem. Na semana passada, um repórter me fez a seguinte pergunta: - O que você vai fazer quando deixar a presidência da fundação? Resolvi dar o nó nos neurônios do impertinente. Respondi: Como faço há 40 anos, vou continuar briquitando em defesa da face luminosa do Piauí sem ter de aturar as aleivosias de néscios e apedeutas do seu jaez. Consta que, desarvorado, o infeliz regressou à redação do jornal onde trabalha, gritando: Meu reino por um Aurélio!

Cineas Santos

Professor

  Página Inicial | Comente esta matéria | Imprimir | Painel de Notícias | Topo

Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Cineas Santos