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Um pouco sobre mim

Cineas das Chagas Santos nasceu em Campo Formoso, município de Caracol (PI), em setembro de 48. Vive em Teresina desde 65. Professor, editor e livreiro, fundou, com alguns companheiros de geração, o jornal alternativo “Chapada do Corisco” (76/77). É proprietário da Oficina da Palavra e coordena o grupo A Cara Alegre do Piauí. Publicou: Miudezas em Geral (poesia); Tinha que Acontecer (contos); ABC da Ecologia (cordel); Aldeia Grande (humor) e o Menino que Descobriu as Palavras (infantil).

 


Notícias da Vila

cineasantos@hotmail.com


          Vista à distância, Vila Nova do Piauí mais parece um desses arruados que nascem espontaneamente à margem das rodovias. Desmembrado de Padre Marcos há 14 anos, com uma população minúscula (menos de 4 mil habitantes), o município de Vila ainda tem muitos desafios a vencer, o mais urgente deles: solucionar o problema de água potável. Nos meses de estiagem, a prefeitura ainda tem de recorrer aos velhos carros-pipas para amenizar o problema. A despeito disso, Vila Nova ostenta um dado de matar de inveja a maioria dos municípios brasileiros: nos últimos dois, a mortalidade infantil foi reduzida a zero, isso mesmo. Não se registrou a morte de nenhuma criança.

 

            Mas os vila-novenses têm outro motivo para se orgulhar da terrinha onde vivem: uma excelente biblioteca com 13 mil volumes, e uma média de 700 consultas por mês. A  Biblioteca Patativa do Assaré foi construída antes da edificação da igreja. Não bastasse isso, a cidade é pacífica, as mulheres são belas e os rapazes, para cortejá-las, fazem poemas, bateladas de poemas. Não por acaso, a Vila já ostenta o título de “Cidade Poesia”.

 

            Situada num ponto equidistante entre  Ceará e Pernambuco, Vila Nova ameniza a aridez da paisagem com manifestações culturais  ricas e variadas. Neste mês, por exemplo, entre os dias 11 e 14, realizou-se a 3ª edição do Congresso de Cultura, que contou com a participação de, entre outros: Assis Brasil, Rosemberg Cariri, Chagas Vale, Luiz Romero, Jurdam Gomes, Nilson Ferreira, Hipólito Moura, João Lourenço, Jailson Luz, Dorgival Dantas e Luís Varão. O homenageado desta edição foi  Patativa do Assaré, cujo centenário de nascimento se comemora este ano. Representando o clã do velho poeta, esteve presente Pedro da Silva, filho mais novo de Patativa. Música, teatro,  oficinas, debates, lançamento de obras literárias, desafios de violeiros, forró, feira de livros e produtos artesanais e, principalmente, uma plateia atenta e generosa, composta de gente de todas as idades. Nada menos de 600 pessoas,  com representantes de 16 municípios vizinhos, participaram do evento. Uma festa de encher  olhos e corações .

 

            Vila Nova é uma clara demonstração do poder transformador  da cultura e da arte e de sua capacidade de elevar a autoestima do povo. No rosto de cada vila-novense, percebe-se nitidamente o orgulho dos que não pedem licença para existir. Longa vida, plena e luminosa, à brava gente da VILA.

Cineas Santos

Professor

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Cineas Santos