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Um pouco sobre mim

Cineas das Chagas Santos nasceu em Campo Formoso, município de Caracol (PI), em setembro de 48. Vive em Teresina desde 65. Professor, editor e livreiro, fundou, com alguns companheiros de geração, o jornal alternativo “Chapada do Corisco” (76/77). É proprietário da Oficina da Palavra e coordena o grupo A Cara Alegre do Piauí. Publicou: Miudezas em Geral (poesia); Tinha que Acontecer (contos); ABC da Ecologia (cordel); Aldeia Grande (humor) e o Menino que Descobriu as Palavras (infantil).

 


De Quina pra Lua

cineasantos@hotmail.com


      Quando o Comitê Norueguês do Nobel anunciou o nome de Barack Obama como o vencedor do Nobel da Paz de 2009, nem os assessores mais próximos do presidente dos EUA acreditaram. Era verdade. Na cola da notícia, a justificativa: “Obama mereceu o prêmio por esforços extraordinários para fortalecer a cooperação entre os povos”. Incontinenti, Michael Steele, presidente do Partido Republicano, disparou: “É uma pena que o poder de celebridade dele tenha ofuscado defensores incansáveis que tiveram conquistas reais em questões de paz e direitos humanos”. Eu, que nada sei de nada, diria que o tal Comitê manteve-se fiel à tradição de contrariar expectativas e provocar polêmicas. Na literatura, por exemplo, J. Luiz Borges, um autor de primeira grandeza, esperou, com ardente paciência, o prêmio que fez por merecer e que lhe foi negado. Contrariando todas as expectativas, Doris Lessing, uma autora de nível mediano, abiscoitou o Nobel de Literatura, em 2007. No campo da paz, as decisões têm sido ainda mais polêmicas: Gandhi, que deu a vida pela paz, nunca foi contemplado; já Yasser Arafat, considerado um “terrorista”, compartilhou o prêmio com Shimon Peres e Yitzhak Rabin em 1994. Receberam-no “pelos esforços empreendidos em favor da paz entre judeus e palestinos”. Os resultados todos conhecem. O Mago de araque teria outra explicação para o prêmio de Obama: “Quando você deseja muito uma coisa, todas as forças do universo conspiram para que isso aconteça”. Se for assim, quem tiver dinheiro, mulher bonita e outras cositas que se cuide...

 

         Voltemos a Obama. O que esse moço fez, até aqui, para merecer tal honraria? Discursos, alguns muito bons, diga-se de passagem. Num deles, condenou a proliferação de armas atômicas e pregou o entendimento entre as nações. Bonito, mas inócuo. O que Obama quer, a exemplo de todos os seus antecessores, é a não-proliferação de ogivas nucleares nas mãos de gente do naipe de Kim Jong – Il (Coréia do Norte) e Mahmoud Ahmadinejad (Irã) ou Chavez, mais próximo do “quintal” dos EUA. Barack Obama teria sido bem mais convincente se, no seu discurso na ONU, tivesse apresentado a seguinte proposta: os EUA se comprometem a destruir metade do seu arsenal atômico se os outros grandes do mundo fizerem o mesmo. A bem da verdade, a nossa insegurança continuaria igual, já que, segundo especialistas, existem armas nucleares suficientes para destruir 40 vezes Terra, se isso fosse possível. Ainda assim, já seria um gesto simbólico. Com a máquina de guerra que comanda, Obama não hesitará em bombardear até o céu em nome da “segurança” da América e do mundo. Os EUA pautam sua política externa por um princípio magistralmente resumido por Tom Paine (1737-1809): “A causa da América é, em grande parte, a causa de toda a humanidade”. Mais claro, impossível.

 

         Como bem sintetizou a revista mais endireitada do Brasil, o Nobel de Obama é “um prêmio preventivo”. Tem razão: a “herança maldita” deixada por little Bush compromete seu governo. Obama tem duas guerras em curso e uma crise financeira monumental para administrar. O Nobel só açula o ódio dos radicais contra ele. Tem razão Clóvis Rossi ao afirmar: “Obama precisa é de paz, e não de um Nobel da Paz”.

 

Cineas Santos

Professor

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Cineas Santos