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Um pouco sobre mim

Cineas das Chagas Santos nasceu em Campo Formoso, município de Caracol (PI), em setembro de 48. Vive em Teresina desde 65. Professor, editor e livreiro, fundou, com alguns companheiros de geração, o jornal alternativo “Chapada do Corisco” (76/77). É proprietário da Oficina da Palavra e coordena o grupo A Cara Alegre do Piauí. Publicou: Miudezas em Geral (poesia); Tinha que Acontecer (contos); ABC da Ecologia (cordel); Aldeia Grande (humor) e o Menino que Descobriu as Palavras (infantil).

 


Construindo pontes

cineasantos@hotmail.com


       O Grupo Harém de Teatro do Piauí comemorou o seu 24º aniversário em grande estilo, promovendo a 2ª edição do FESTLUSO – Festival de Teatro Lusófono ( de 23 a 29 de agosto do ano em curso), evento que seria grandioso onde quer que se realizasse. Os números falam por si: foram mais de 30 espetáculos de cinco países lusófonos: Brasil, Portugal, Angola e Moçambique e Cabo Verde, apresentados em diversos espaços de Teresina, inclusive na rua. Além dos espetáculos teatrais, realizaram-se palestras, debates, oficinas, encontros, lançamentos de livros, exibição de filmes e shows musicais.

 

         Durante uma semana, encontraram-se em Teresina algumas das figuras mais representativas das artes dramáticas dos países de língua portuguesa. Estiveram aqui, entre outros: Amir  Haddad, João das Neves, Regina Duarte, Fernando Jorge Lopes, João Branco, Rogério de Carvalho, Márcio Meireles, Marcelo Bonnes, José Caldas, Dom Pedro Dikota.

 

         Com a realização da 2ª edição do FESTLUSO, o Grupo Harém de Teatro propiciou ao público piauiense espetáculos de alto nível e a possibilidade de um diálogo necessário e urgente com os nossos irmãos  d’além mar, notadamente com os africanos. Mais do nunca, precisamos buscar uma aproximação cada vez maior com a África, cuja contribuição se faz presente em todas as vertentes da cultura brasileira. Nesse aspecto, o Grupo Harém de Teatro está construindo uma ponte cultural que precisa ser ampliada e fortalecida.

 

         Outro aspecto a ser realçado no 2º FESTLUSO foi a pluralidade. No leque de espetáculos apresentados em Teresina, houve espaço para todo mundo: de atores renomados a simples amadores e iniciantes; do teatrão tradicional às experiências de vanguarda, clara demonstração de respeito à diversidade, o traço mais bonito da cultura brasileira.

 

         Sobrou dessa experiência bem-sucedida uma lição a ser copiada por todos nós: a necessária  postura mais profissional. Não por acaso, o Grupo Harém  atingiu a maioridade com fôlego para novas investidas. Desde o nascimento do grupo, há 24 anos, a dedicação e o profissionalismo têm sido a marca registrada do Harém. Em Teresina ou  em outras praças, o Grupo Harém sempre primou pela qualidade dos espetáculos que apresenta  Graças a isso, criou um público cativo e conquistou prêmios no Brasil e no exterior. Sem profissionalismo, é impossível contar com o necessário patrocínio das grandes empresas nacionais.

 

         Longa vida, pois (como diriam nossos irmão portugueses), ao Grupo Harém de Teatro que, ao longo desses 24 anos de existência, vem prestando inestimáveis serviços à cultura piauiense. Que continue a construir as indispensáveis pontes culturais entre o Piauí e o mundo. Assim seja.

 

Cineas Santos

Professor

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Cineas Santos