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Um pouco sobre mim

Cineas das Chagas Santos nasceu em Campo Formoso, município de Caracol (PI), em setembro de 48. Vive em Teresina desde 65. Professor, editor e livreiro, fundou, com alguns companheiros de geração, o jornal alternativo “Chapada do Corisco” (76/77). É proprietário da Oficina da Palavra e coordena o grupo A Cara Alegre do Piauí. Publicou: Miudezas em Geral (poesia); Tinha que Acontecer (contos); ABC da Ecologia (cordel); Aldeia Grande (humor) e o Menino que Descobriu as Palavras (infantil).

 


Pós-Balzaquianas enxutas

cineasantos@hotmail.com


      A sétima edição do SALIPI demonstrou, entre outras coisas, que o Salão já não depende do “brilho pessoal” dos organizadores para existir. Brilha por si só onde quer que se realize. É escusado afirmar que tal fato se deve à maciça participação do público que, ao adonar-se do Salão, conferiu-lhe a necessária visibilidade. Ninguém pode ignorar um evento capaz de atrair uma multidão de aproximadamente 100 mil pessoas. É certo que este ano enfrentou alguns problemas adicionais. A mudança do SALIPI para a Praça Pedro II obrigou os organizadores a reinventá-lo. A despeito disso, tudo saiu conforme o previsto. O grande problema do Salão continua sendo o financeiro. Este ano, para fazê-lo decolar, a Fundação Quixote teve de fazer um empréstimo no valor de 30 mil reais, pagando juros escorchantes.  Até onde sei, nenhum dos diretores da Fundação Quixote faz jus à pecha de rico. São todos professores. E pensar que um cidadão que, de tanto estilar veneno contra todos, acabou engolindo parte dele, o que lhe rendeu uma úlcera gástrica crônica, em notinha venenosa, afirmou que “o $alipi tem caráter puramente comercial”. Quem dera que assim fosse!

 

         Este ano, assoberbado com uma avalanche de obrigações, afastei-me da coordenação do SALIPI na expectativa de que teria algum alívio. Ledo engano: nunca sofri tanto em minha vida. Comportei-me como um técnico de futebol que, suspenso de suas atividades, é obrigado a assistir ao jogo das arquibancadas sem poder esbravejar contra o juiz ou orientar os jogadores. Tive participação discreta e pontual. Limitei-me à ajuda institucional autorizada pela Prefeitura de Teresina por meio da Fundação Monsenhor Chaves. Além disso, mediei os debates em três momentos: nas conferências de Dimas Macedo, Alcione Araújo e Zuenir Ventura.  Descobri que eu e os dois últimos temos algo em comum, além do amor à literatura: os nomes unissex. O dramaturgo e romancista Alcione me contou que, diariamente, ligam para a casa dele procurando por “dona Alcione”. Zuenir, por seu turno, já foi “morto” por uma cidadã que, tendo o mesmo nome do jornalista, cansou-se de atender telefonemas destinados ele. Irritada, declarou certa feita: “O Zuenir morreu. O corpo dele está sendo velado na capela de Nossa Senhora da Conceição”. Um blogueiro apressado jogou a informação na internet. Resultado: ainda hoje Zuenir sofre para provar que continua vivo. Quanto a mim, já mandaram flores para “dona Cineas” e cheguei a ser convidado para participar de um congresso de mulheres trabalhadoras no México. No final do encontro, decidimos criar um trio com o sugestivo nome de “As Pós-balzaquianas Enxutas”. Estaremos em todas as bocas e vamos botar pra quebrar!

          

Cineas Santos

Professor

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Cineas Santos