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A
sétima edição do SALIPI demonstrou,
entre outras coisas, que o Salão já
não depende do “brilho pessoal” dos
organizadores para existir. Brilha
por si só onde quer que se realize.
É escusado afirmar que tal fato se
deve à maciça participação do
público que, ao adonar-se do Salão,
conferiu-lhe a necessária
visibilidade. Ninguém pode ignorar
um evento capaz de atrair uma
multidão de aproximadamente 100 mil
pessoas. É certo que este ano
enfrentou alguns problemas
adicionais. A mudança do SALIPI
para a Praça Pedro II obrigou os
organizadores a reinventá-lo. A
despeito disso, tudo saiu conforme
o previsto. O grande problema do
Salão continua sendo o financeiro.
Este ano, para fazê-lo decolar, a
Fundação Quixote teve de fazer um
empréstimo no valor de 30 mil
reais, pagando juros escorchantes.
Até onde sei, nenhum dos diretores
da Fundação Quixote faz jus à pecha
de rico. São todos professores. E
pensar que um cidadão que, de tanto
estilar veneno contra todos, acabou
engolindo parte dele, o que lhe
rendeu uma úlcera gástrica crônica,
em notinha venenosa, afirmou que “o
$alipi tem caráter puramente
comercial”. Quem dera que assim
fosse!
Este ano, assoberbado com
uma avalanche de obrigações,
afastei-me da coordenação do SALIPI
na expectativa de que teria algum
alívio. Ledo engano: nunca sofri
tanto em minha vida. Comportei-me
como um técnico de futebol que,
suspenso de suas atividades, é
obrigado a assistir ao jogo das
arquibancadas sem poder esbravejar
contra o juiz ou orientar os
jogadores. Tive participação
discreta e pontual. Limitei-me à
ajuda institucional autorizada pela
Prefeitura de Teresina por meio da
Fundação Monsenhor Chaves. Além
disso, mediei os debates em três
momentos: nas conferências de Dimas
Macedo, Alcione Araújo e Zuenir
Ventura. Descobri que eu e os dois
últimos temos algo em comum, além
do amor à literatura: os nomes
unissex. O dramaturgo e romancista
Alcione me contou que, diariamente,
ligam para a casa dele procurando
por “dona Alcione”. Zuenir, por seu
turno, já foi “morto” por uma
cidadã que, tendo o mesmo nome do
jornalista, cansou-se de atender
telefonemas destinados ele.
Irritada, declarou certa feita: “O
Zuenir morreu. O corpo dele está
sendo velado na capela de Nossa
Senhora da Conceição”. Um blogueiro
apressado jogou a informação na
internet. Resultado: ainda hoje
Zuenir sofre para provar que
continua vivo. Quanto a mim, já
mandaram flores para “dona Cineas”
e cheguei a ser convidado para
participar de um congresso de
mulheres trabalhadoras no México.
No final do encontro, decidimos
criar um trio com o sugestivo nome
de “As Pós-balzaquianas Enxutas”.
Estaremos em todas as bocas e vamos
botar pra quebrar!
Cineas Santos
Professor |