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A partir de amanhã (dia 8), o
SALIPI estará na praça. Sem mim.
Não estar entre os coordenadores da
7ª edição do Salão do Livro do
Piauí me deixa, a um tempo,
aliviado e apreensivo. Aliviado por
não ter de ficar duas semanas
literalmente no ar, comendo pouco,
dormindo mal e sofrendo muito.
Apreensivo por não saber exatamente
como os velhos companheiros
enfrentarão o desafio de realizar o
Salão num espaço novo: o complexo
Clube dos Diários/Theatro 4 de
Setembro/ Praça Pedro II/Centro
Artesanal. Posso imaginar que a
empreitada não será fácil. É como
fazer um salão novo. Até então, o
SALIPI se realizava no velho Centro
de Convenções de Teresina,
limitado, mas administrável.
Realizar o SALIPI é
sempre um desafio que parece maior
que as nossas forças. Não fosse o
apoio imprescindível do Governo do
Estado e da Prefeitura de Teresina,
o Salão poderia ter morrido no
nascedouro. De qualquer forma, foi
a presença do público que o salvou.
Os piauienses adonaram-se do Salão,
dando-lhe visibilidade, o que nos
permitiu costurar algumas
parcerias. Sucesso de pública e de
crítica, o Salão do Livro do Piauí
sofre de um problema crônico:
invariavelmente fecha no vermelho
com nuanças arroxeadas. De minha
parte, posso garantir que “cavar”
dinheiro nunca foi a minha
especialidade. Tenho uma enorme
dificuldade para vender qualquer
coisa, principalmente projetos. A
despeito disso, aos trancos e
barrancos, chegamos até aqui.
Antes que circulem
versões desencontradas sobre minha
saída da coordenação do SALIPI, eis
a razão: saí por absoluta
incapacidade de acumular a
presidência de duas instituições
atuantes: a Fundação Quixote e a
Fundação Mons. Chaves. Não consigo
me dividir. Onde estiver, estou
inteiro. Pelas mesmas razões que
deixei a coordenação do SALIPI,
recusei o honroso convite para
assumir a curadoria da 9ª Bienal
do Livro de Bahia. No caso,
limitei-me a prestar modesta
colaboração como consultor.
Em
Salvador, onde estive no início do
ano, tive uma discussão áspera com
uma das representantes da FAGGA,
empresa contratada para montar a
Bienal da Bahia. Lá pelas tantas, a
moça afirmou: - Já realizei
bienais no Rio, em Minas e em
outros Estados, com sucesso de
público e vendas. Eu confio no meu
taco. Podem deixar comigo, que eu
sei como fazer. Foi aí
que perdi as estribeiras e
retruquei: fazer uma bienal com
o dinheiro de que a senhora dispõe
não me parece tarefa
extraordinária. Eu gostaria de
vê-la fazendo, com pouco mais de
duzentos mil reais,
o Salão do Livro do Piauí, com o
brilho que o caracteriza. A
cidadã meteu a viola no saco.
Sem nenhum bairrismo, o
SALIPI é um dos mais belos eventos,
no gênero, que se realizam no país.
Não é maior nem melhor que os
outros; é diferente, muito
diferente.
Por tudo isso, vá ao
Salão do Livro do Piauí, leve seus
filhos e, se possível, compre algum
livro. Inclua esse alimento
nobre no cardápio da sua família.
Num futuro próximo, as crianças
agradecerão e o país, também.
Cineas Santos
Professor |