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Um pouco sobre mim

Cineas das Chagas Santos nasceu em Campo Formoso, município de Caracol (PI), em setembro de 48. Vive em Teresina desde 65. Professor, editor e livreiro, fundou, com alguns companheiros de geração, o jornal alternativo “Chapada do Corisco” (76/77). É proprietário da Oficina da Palavra e coordena o grupo A Cara Alegre do Piauí. Publicou: Miudezas em Geral (poesia); Tinha que Acontecer (contos); ABC da Ecologia (cordel); Aldeia Grande (humor) e o Menino que Descobriu as Palavras (infantil).

 


Mais próximos de vocês

cineasantos@hotmail.com


         A partir de amanhã (dia 8), o SALIPI estará na praça. Sem mim. Não estar entre os coordenadores da 7ª edição do Salão do Livro do Piauí me deixa, a um tempo, aliviado e apreensivo. Aliviado por não ter de ficar duas semanas literalmente no ar, comendo pouco, dormindo mal e sofrendo muito. Apreensivo por não saber exatamente como os velhos companheiros enfrentarão o desafio de realizar o Salão num espaço novo: o complexo Clube dos Diários/Theatro 4 de Setembro/ Praça Pedro II/Centro Artesanal. Posso imaginar que a empreitada não será fácil. É como fazer um salão novo.  Até então, o SALIPI se realizava no velho Centro de Convenções de Teresina, limitado, mas administrável.

 

             Realizar o SALIPI é sempre um desafio que parece maior que as nossas forças. Não fosse o apoio imprescindível do Governo do Estado e da Prefeitura de Teresina, o Salão poderia ter morrido no nascedouro. De qualquer forma, foi a presença do público que o salvou. Os piauienses adonaram-se do Salão, dando-lhe visibilidade, o que nos permitiu costurar algumas parcerias. Sucesso de pública e de crítica, o Salão do Livro do Piauí sofre de um problema crônico: invariavelmente fecha no vermelho com nuanças arroxeadas. De minha parte, posso garantir que “cavar” dinheiro nunca foi a minha especialidade. Tenho uma enorme dificuldade para vender qualquer coisa, principalmente projetos. A despeito disso, aos trancos e barrancos, chegamos até aqui.

 

            Antes que circulem versões desencontradas sobre minha saída da coordenação do SALIPI, eis a razão: saí por absoluta incapacidade de  acumular a presidência de duas instituições atuantes: a Fundação Quixote e a Fundação Mons. Chaves. Não consigo me dividir. Onde estiver, estou inteiro. Pelas mesmas razões que deixei a coordenação do SALIPI, recusei o honroso convite para assumir a curadoria  da 9ª Bienal do Livro de Bahia. No caso, limitei-me a prestar modesta colaboração como consultor.

 

            Em Salvador, onde estive no início do ano, tive uma discussão áspera com uma das representantes da FAGGA, empresa contratada para montar a Bienal da Bahia. Lá pelas tantas, a moça afirmou: - Já realizei bienais no Rio,  em Minas e em outros Estados, com sucesso de público e vendas. Eu confio no meu taco. Podem deixar comigo, que eu sei como fazer. Foi aí que perdi as estribeiras e retruquei: fazer uma bienal com o dinheiro de que a senhora dispõe não me parece  tarefa extraordinária. Eu gostaria de vê-la fazendo, com pouco mais de duzentos mil reais, o Salão do Livro do Piauí, com o brilho que o caracteriza. A cidadã meteu a viola no saco.

 

            Sem nenhum bairrismo, o SALIPI é um dos mais belos eventos, no gênero, que se realizam no país. Não é maior nem melhor que os outros; é diferente, muito diferente.

 

            Por tudo isso, vá ao Salão do Livro do Piauí, leve seus filhos e, se possível, compre algum livro. Inclua esse alimento nobre no cardápio da sua família. Num futuro próximo, as crianças agradecerão e o país, também.

Cineas Santos

Professor

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Cineas Santos

 

 

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