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Um pouco sobre mim

Cineas das Chagas Santos nasceu em Campo Formoso, município de Caracol (PI), em setembro de 48. Vive em Teresina desde 65. Professor, editor e livreiro, fundou, com alguns companheiros de geração, o jornal alternativo “Chapada do Corisco” (76/77). É proprietário da Oficina da Palavra e coordena o grupo A Cara Alegre do Piauí. Publicou: Miudezas em Geral (poesia); Tinha que Acontecer (contos); ABC da Ecologia (cordel); Aldeia Grande (humor) e o Menino que Descobriu as Palavras (infantil).

 


As Flores de Liz

cineasantos@hotmail.com


       Sábado, dia 4, “ressuscitamos” o Projeto Picoler, concebido e posto em prática, por curto espaço de tempo (em 2002), pela artista plástica Liz Medeiros. O projeto é tão simples, de tão fácil execução e tão generoso em sua proposta que só poderia ter sido gestado pelo cérebro, ou melhor, pelo coração de alguém da estatura de Liz. Eram dez carrinhos de picolé recheados de livros infantis que percorriam as ruas da cidade, paravam em praças e logradouros públicos propiciando às crianças, notadamente as mais pobres, acesso a um acervo de mais de mil livros.  É inconcebível que uma iniciativa de tamanho alcance social tenha sido interrompida “por motivos políticos”. Mas é assim que funcionam as coisas no país.

 

Mal assumi a presidência da FMC, convoquei a cabroeira para recuperarmos o Picoler. Localizamos os carrinhos, bastante avariados, mas recuperáveis. Todos estavam sem os pneus, mas acervo (ninguém rouba livros no país) estava preservado. Acrescentamos ao projeto música, teatro, contação de histórias e, na manhã de sábado, acampamos na Vila Irmã Dulce, um dos bairros mais pobres de Teresina. Para fazer jus ao nome do projeto, adicionamos um picolé caseiro para cada criança que participasse da festa. Sucesso absoluto: mas de 600 crianças cantaram, dançaram, ouviram histórias e leram poemas e historinhas. No dia 18 do mês em curso, estaremos na Santa Maria da Codipi e no bairro Monte Verde, com duas versões do Picoler: uma para crianças e outra para adolescentes. Para estes, além de sessões de leitura, serão ministradas oficinas de música, dança,  teatro e redação criativa. Acreditamos que, num período não muito longo, o projeto chegará aos jovens da terceira idade. Era esse o sonho da Liz. Em parceria com as secretarias da Saúde, do Meio Ambiente e da Juventude, percorreremos os bairros de Teresina distribuindo livros, escovas de dente, mudas de árvores e, principalmente, esperança.

 

No final do dia, fui procurado por uma jornalista que me pediu “um perfil da Liz Medeiros”. Confesso que tive dificuldade para desincumbir-me da missão. É que a Liz, sendo única, era múltipla: como artista plástica, estava sempre buscando novas formas de expressão; como cidadã, nunca se omitiu nem perdeu a capacidade de indignar-se diante das injustiças. No mais, era uma cara de lua cheia de alegria, um sorriso escancarado e uma capacidade extraordinária de se fazer amada de todos. Não fosse lugar comum, diríamos que Liz Medeiros era uma “tempestade de mulher”, alguém com uma alma tão grande, tão generosa, tão carente de amplidão, que o corpo não conseguiu comportá-la. Um dia, sem aviso prévio, a Liz  livrou-se do corpo debilitado e se fez luz. Deixou uma obra extraordinária que honra e dignifica a cultura piauiense. Deixou um projeto de inclusão cultural que agora leva o seu nome: PROJETO PICOLER LIZ MEDIEORS Deixou, principalmente, uma lição de vida a ser imitada  por todos nós. A bênção, Liz/luz.

 

Cineas Santos

Professor

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Cineas Santos

 

 

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