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Um pouco sobre mim

Cineas das Chagas Santos nasceu em Campo Formoso, município de Caracol (PI), em setembro de 48. Vive em Teresina desde 65. Professor, editor e livreiro, fundou, com alguns companheiros de geração, o jornal alternativo “Chapada do Corisco” (76/77). É proprietário da Oficina da Palavra e coordena o grupo A Cara Alegre do Piauí. Publicou: Miudezas em Geral (poesia); Tinha que Acontecer (contos); ABC da Ecologia (cordel); Aldeia Grande (humor) e o Menino que Descobriu as Palavras (infantil).

 


Devagar e Sempre

cineasantos@hotmail.com


        Em meados da década de 70, um jornalista fanfarrão, barulhento como um Boing avariado, resolveu prestar-me uma singela “homenagem”: batizou com o meu nome uma pequena tartaruga que ganhara de presente. A história correu os bares de Teresina, e um humorista que se julgava “filho” do governador Alberto Silva, comentou: “O problema do Cineas é que ele pensa pequeno e nada faz de relevante”. Os dois estavam cobertos de razão. Sou um misto de tartaruga com caracol: lento e enrolado. A despeito disso (ou, talvez, por isso), não paro nunca. Lenta e enroladamente, vou fazendo coisinhas, com “ardente paciência”. Foi assim, que editei praticamente todos os autores piauienses de expressão; percorri o Estado inteiro comandando a caravana     “A Cara Alegre do Piauí”; ajudei a realizar cinco edições do SALIPI e estou encerrando hoje a 5ª edição do Festival Nacional de Violão do Piauí. Aprendi com o velho Liberato que “nas jornadas longas, os passos devem ser curtos”.

 

         Sem apressar o passo  ou  arredar o pé da minha aldeia, no início da semana passada, recebi um convite extremamente honroso: assumir a curadoria da 9ª Bienal do Livro da Bahia. É escusado afirmar que os baianos não carecem da minha ajuda para realizar uma bienal. Contam com a participação da FAGGA,  empresa especializada em bienais, com projetos bem-sucedidos em todo o país. O problema é exatamente esse: todas as bienais realizadas por ela acabam muito parecidas. Foi aí que, por recomendação de técnicos do MINC, o secretário de cultura da Bahia, Márcio Meireles, resolveu convidar-me para adicionar “uma pitada de tempero nordestino” à festa baiana do livro. O convite me pegou de surpresa. Honestamente, não creio que eu possa acrescentar muita coisa ao que já se realiza com brilho e sucesso. Limitei-me a sugerir alguns nomes de nordestinos competentes, mas esquecidos e propor pequenos acréscimos à programação oficial. Na verdade, sob o comando de Sérgio Rivero e com um grupo de competentes profissionais ligados ao mundo do livro, fechamos um programa rico e plural. A Bienal acontecerá em abril.

 

          Como só sei trabalhar com os “meus”, sugeri a inclusão dos nomes de  alguns artistas piauienses( Jota A. Geni Costa, Salgado Maranhão, Pedro Costa, Amaral, Climério Ferreira) no rol dos convidados nordestinos. Entendo que já está na hora de os piauienses saírem da toca e mostrarem do que são capazes.  Aproveitei a oportunidade para sugerir a retomada do Projeto Mão-Dupla, cuja finalidade é estabelecer pontes entre as muitas ilhas culturais que integram o Nordeste. Um dia, todos nós ainda falaremos a mesma língua. Quem viver verá, ou não, como diria o mano Caetano.

 

Cineas Santos

Professor

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Cineas Santos