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Em meados da década de 70, um
jornalista fanfarrão, barulhento
como um Boing avariado,
resolveu prestar-me uma singela
“homenagem”: batizou com o meu nome
uma pequena tartaruga que ganhara
de presente. A história correu os
bares de Teresina, e um humorista
que se julgava “filho” do
governador Alberto Silva, comentou:
“O problema do Cineas é que ele
pensa pequeno e nada faz de
relevante”. Os dois estavam
cobertos de razão. Sou um misto de
tartaruga com caracol: lento e
enrolado. A despeito disso (ou,
talvez, por isso), não paro nunca.
Lenta e enroladamente, vou fazendo
coisinhas, com “ardente paciência”.
Foi assim, que editei praticamente
todos os autores piauienses de
expressão; percorri o Estado
inteiro comandando a caravana
“A Cara Alegre do Piauí”;
ajudei a realizar cinco edições do
SALIPI e estou encerrando hoje a 5ª
edição do Festival Nacional de
Violão do Piauí. Aprendi com o
velho Liberato que “nas jornadas
longas, os passos devem ser
curtos”.
Sem apressar o passo ou
arredar o pé da minha aldeia, no
início da semana passada, recebi um
convite extremamente honroso:
assumir a curadoria da 9ª Bienal do
Livro da Bahia. É escusado afirmar
que os baianos não carecem da minha
ajuda para realizar uma bienal.
Contam com a participação da FAGGA,
empresa especializada em bienais,
com projetos bem-sucedidos em todo
o país. O problema é exatamente
esse: todas as bienais realizadas
por ela acabam muito parecidas. Foi
aí que, por recomendação de
técnicos do MINC, o secretário de
cultura da Bahia, Márcio Meireles,
resolveu convidar-me para adicionar
“uma pitada de tempero nordestino”
à festa baiana do livro. O convite
me pegou de surpresa. Honestamente,
não creio que eu possa acrescentar
muita coisa ao que já se realiza
com brilho e sucesso. Limitei-me a
sugerir alguns nomes de nordestinos
competentes, mas esquecidos e
propor pequenos acréscimos à
programação oficial. Na verdade,
sob o comando de Sérgio Rivero e
com um grupo de competentes
profissionais ligados ao mundo do
livro, fechamos um programa rico e
plural. A Bienal acontecerá em
abril.
Como só sei trabalhar com
os “meus”, sugeri a inclusão dos
nomes de alguns artistas
piauienses( Jota A. Geni Costa,
Salgado Maranhão, Pedro Costa,
Amaral, Climério Ferreira) no rol
dos convidados nordestinos. Entendo
que já está na hora de os
piauienses saírem da toca e
mostrarem do que são capazes.
Aproveitei a oportunidade para
sugerir a retomada do Projeto
Mão-Dupla, cuja finalidade é
estabelecer pontes entre as muitas
ilhas culturais que integram o
Nordeste. Um dia, todos nós ainda
falaremos a mesma língua. Quem
viver verá, ou não, como diria o
mano Caetano.
Cineas Santos
Professor |