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Um pouco sobre mim

Cineas das Chagas Santos nasceu em Campo Formoso, município de Caracol (PI), em setembro de 48. Vive em Teresina desde 65. Professor, editor e livreiro, fundou, com alguns companheiros de geração, o jornal alternativo “Chapada do Corisco” (76/77). É proprietário da Oficina da Palavra e coordena o grupo A Cara Alegre do Piauí. Publicou: Miudezas em Geral (poesia); Tinha que Acontecer (contos); ABC da Ecologia (cordel); Aldeia Grande (humor) e o Menino que Descobriu as Palavras (infantil).

 


Pela porta da frente

cineasantos@hotmail.com


         É cedo, muito cedo para que se cantem loas ao governo de Obama: o cidadão ainda nem esquentou a cadeira que herdou de Bush. Ademais, o fato de ser o primeiro negro a assumir a presidência dos EUA, um país onde os negros são pouco mais de 20% da população, não é garantia de que cumprirá todas as promessas feitas durante a campanha. De qualquer forma, Barack Obama entra na Casa Branca pela porta da frente enquanto Bush sai pelo elevador de serviço.

 

         Obama, em quem os injustiçados do mundo depositam suas últimas esperanças, ao assumir o governo, tomou uma medida que o credencia a merecer o respeito da comunidade internacional: fechou a execrável  prisão de Guantánamo onde se praticavam todas as atrocidades imagináveis contra os “inimigos de guerra”, seres humanos destituídos de todos os direitos e garantias conhecidos no mundo civilizado. A prisão, situada numa base militar em Cuba, era uma afronta ao Direito Internacional. Ali, em condições subumanas, vegetavam 245 prisioneiros, inclusive crianças, longe de tudo e de todos. Qualquer outra país do mundo que tratasse seres humanos da forma como os americanos tratavam os “combatentes inimigos” ofereceria um bom pretexto para ser invadido por tropas dos “salvadores do mundo”. Por muito menos, os Estados Unidos invadiram o Iraque e instalaram naquele sofrido país o caos como forma de governo. Obama promete retirar as tropas de lá, mas ainda não sabe como fazê-lo.

 

         Obama promete não dar trégua aos terroristas, mas afirma: “Eu posso dizer sem hesitação ou equívoco que os Estados Unidos não vão torturar”. Bush e seus sicários pensavam diferente:  na “guerra santa” contra o terrorismo, valia tudo, de mordida na orelha a dedada no olho. Parece que os americanos, nesse governo, pretendem reaprender a conjugar o verbo negociar.

 

         Ao prender Saddam Hussein, um facínora fanfarrão, Bush afirmou que, “sem ele, o mundo respirava melhor”. Hoje, experimenta o mesmo veneno: sem que ninguém o diga, sem Bush, todos nós respiramos muito melhor. Que a terra lhe seja leve.

 

Cineas Santos

Professor

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Cineas Santos