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É cedo, muito cedo para que se
cantem loas ao governo de Obama: o
cidadão ainda nem esquentou a
cadeira que herdou de Bush.
Ademais, o fato de ser o primeiro
negro a assumir a presidência dos
EUA, um país onde os negros são
pouco mais de 20% da população, não
é garantia de que cumprirá todas as
promessas feitas durante a
campanha. De qualquer forma, Barack
Obama entra na Casa Branca pela
porta da frente enquanto Bush sai
pelo elevador de serviço.
Obama, em quem os
injustiçados do mundo depositam
suas últimas esperanças, ao assumir
o governo, tomou uma medida que o
credencia a merecer o respeito da
comunidade internacional: fechou a
execrável prisão de Guantánamo
onde se praticavam todas as
atrocidades imagináveis contra os
“inimigos de guerra”, seres humanos
destituídos de todos os direitos e
garantias conhecidos no mundo
civilizado. A prisão, situada numa
base militar em Cuba, era uma
afronta ao Direito Internacional.
Ali, em condições subumanas,
vegetavam 245 prisioneiros,
inclusive crianças, longe de tudo e
de todos. Qualquer outra país do
mundo que tratasse seres humanos da
forma como os americanos tratavam
os “combatentes inimigos”
ofereceria um bom pretexto para ser
invadido por tropas dos “salvadores
do mundo”. Por muito menos, os
Estados Unidos invadiram o Iraque e
instalaram naquele sofrido país o
caos como forma de governo. Obama
promete retirar as tropas de lá,
mas ainda não sabe como fazê-lo.
Obama promete não dar
trégua aos terroristas, mas afirma:
“Eu posso dizer sem hesitação ou
equívoco que os Estados Unidos não
vão torturar”. Bush e seus sicários
pensavam diferente: na “guerra
santa” contra o terrorismo, valia
tudo, de mordida na orelha a dedada
no olho. Parece que os americanos,
nesse governo, pretendem reaprender
a conjugar o verbo negociar.
Ao prender Saddam Hussein,
um facínora fanfarrão, Bush afirmou
que, “sem ele, o mundo respirava
melhor”. Hoje, experimenta o mesmo
veneno: sem que ninguém o diga, sem
Bush, todos nós respiramos muito
melhor. Que a terra lhe seja leve.
Cineas Santos
Professor |