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Como diria aquele cronista de
antanho, que entrou para o
anedotário nacional, “E de repente,
já é Natal”. E Natal é tempo de
festa, de confraternização, de
alegria. Enfeitar a casa para as
festas de fim de ano faz parte da
tradição. Houve um tempo, não muito
distante, em que as pessoas armavam
presépios no espaço mais nobre da
casa, com as indefectíveis figuras
da Sagrada Família, dos três Reis
Magos, dos animais na manjedoura,
feitas em gesso ou barro,
dependendo das posses de cada um.
Não podiam faltar também o espelho,
que se convertia em lago, e os pés
de arroz que, cuidadosamente
cortados, transformavam-se em
grama. Havia até uma saudável
competição entre as famílias da
comunidade para saber quem montava
o presépio mais bonito. Para as
crianças, uma viagem...
Mas a roda gira, o
mundo muda e o capitalismo precisa
continuar gerando necessidades para
atiçar o consumismo desenfreado.
Eis que, em lugar dos presépios
artesanais, apareceram as
árvores de natal, réplicas
ordinárias de pinheiros, recobertos
de “neve”. Para torná-las mais
atraentes aos olhos das crianças,
bastava pendurar bolas coloridas ou
bonequinhos barbados, miniaturas do
execrável papai noel (com
minúscula, mesmo). Depois das
árvores de plástico, vieram as
luzinhas made in China, e o
Natal ganhou um brilho especial.
Até aí, nada de extraordinário: a
cafonice pode ser bela em sua
singeleza. Hoje, pingüim de
geladeira, por exemplo, é cult.
A questão é outra.
Vamos descer ao chão do
chão. Enquanto nos afligimos para
comprar e adornar a nossa árvore de
natal, esquecemo-nos das árvores
verdadeiras, nobres e generosas,
que nos dão sombra, flores ou
frutos, como naquela cantiguinha
que se aprendia na escola. O
problema é que árvores de Teresina
estão doentes, literalmente
condenadas. E a pior parte da
história é que nem ao menos nos
damos conta dessa triste realidade.
Mangueiras, amendoeiras,
tamarindeiros, tudo está recoberto
de erva-de-passarinho, praga
que se propaga com enorme
velocidade. O processo é simples:
esse parasita frutifica, produz
umas sementinhas que os pássaros
adoram. Os passarinhos se
encarregam da sua proliferação. A
erva, além de sugar a seiva da
árvore hospedeira, recobre-lhe a
copa, impedindo que a luz do sol
chegue até as ramas. O mais é só
uma questão de tempo.
Com os meios de que
disponho, tenho procurado alertar
as autoridades para o problema. As
árvores das ruas, praças e
logradouros de Teresina estão
infestadas de parasitas, corroídas
por cupins, mutiladas pela CEPISA,
que faz “podas” inadequadas. Tudo
parece conspirar contra o verde da
cidade. O rótulo “Cidade Verde”
vai-se tornando apenas uma
referência remota, um chavão que é
repetido mecanicamente.
Deixo aqui uma sugestão para quem
tem algum poder e o dever de fazer:
lancem uma ampla campanha de
conscientização dos teresinenses
para que cuidem das árvores dos
seus quintais. Árvores que não
carecem de luzes ou adereços. A
Prefeitura, por seu turno, dará o
exemplo, cuidando das árvores dos
espaços públicos. Um belo presente
de Natal para cidade. Teresina
merece.
Cineas Santos
Professor |