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Um pouco sobre mim

Cineas das Chagas Santos nasceu em Campo Formoso, município de Caracol (PI), em setembro de 48. Vive em Teresina desde 65. Professor, editor e livreiro, fundou, com alguns companheiros de geração, o jornal alternativo “Chapada do Corisco” (76/77). É proprietário da Oficina da Palavra e coordena o grupo A Cara Alegre do Piauí. Publicou: Miudezas em Geral (poesia); Tinha que Acontecer (contos); ABC da Ecologia (cordel); Aldeia Grande (humor) e o Menino que Descobriu as Palavras (infantil).

 


As nossas arvores de Natal

cineasantos@hotmail.com


           Como diria aquele cronista de antanho, que entrou para o anedotário nacional, “E de repente, já é Natal”. E Natal é tempo de festa, de confraternização, de alegria. Enfeitar a casa para as festas de fim de ano faz parte da tradição. Houve um tempo, não muito distante, em que as pessoas armavam presépios no espaço mais nobre da casa, com as indefectíveis figuras da Sagrada Família, dos três Reis Magos, dos animais na manjedoura, feitas em gesso ou barro, dependendo das posses de cada um. Não podiam faltar também o espelho, que se convertia em lago, e os pés de arroz que, cuidadosamente cortados, transformavam-se em grama. Havia até uma saudável competição entre as famílias da comunidade para saber quem montava o presépio mais bonito. Para as crianças, uma viagem...

 

            Mas a roda gira, o mundo muda e o capitalismo precisa continuar gerando necessidades para atiçar o consumismo desenfreado. Eis que, em lugar dos presépios artesanais, apareceram as árvores de natal, réplicas ordinárias de pinheiros, recobertos de “neve”. Para torná-las mais atraentes aos olhos das crianças, bastava pendurar bolas coloridas ou bonequinhos barbados, miniaturas do execrável papai noel (com minúscula, mesmo). Depois das árvores de plástico, vieram as luzinhas made in China, e o Natal ganhou um brilho especial. Até aí, nada de extraordinário: a cafonice pode ser bela em sua singeleza. Hoje, pingüim de geladeira, por exemplo, é cult. A questão é outra.

 

            Vamos descer ao chão do chão. Enquanto nos afligimos para comprar e adornar a nossa árvore de natal, esquecemo-nos das árvores verdadeiras, nobres e generosas, que nos dão sombra, flores ou frutos, como naquela cantiguinha que se aprendia na escola. O problema é que árvores de Teresina estão doentes, literalmente condenadas. E a pior parte da história é que nem ao menos nos damos conta dessa triste realidade. Mangueiras, amendoeiras, tamarindeiros, tudo está recoberto de erva-de-passarinho, praga que se propaga com enorme velocidade. O processo é simples: esse parasita frutifica, produz umas sementinhas que os pássaros adoram. Os passarinhos se encarregam da sua proliferação.  A erva, além de sugar a seiva da árvore hospedeira, recobre-lhe a copa, impedindo que a luz do sol chegue até as ramas. O mais é só uma questão de tempo.

 

            Com os meios de que disponho, tenho procurado alertar as autoridades para o problema. As árvores das ruas, praças e logradouros de Teresina estão infestadas de parasitas, corroídas por cupins, mutiladas pela CEPISA, que faz “podas” inadequadas. Tudo parece conspirar contra o verde da cidade.  O rótulo “Cidade Verde” vai-se tornando apenas uma referência remota, um chavão que é repetido mecanicamente.

 

  Deixo aqui uma sugestão para quem tem algum poder e o dever de fazer: lancem uma ampla campanha de conscientização dos teresinenses para que cuidem das árvores dos seus quintais. Árvores que não carecem de luzes ou adereços. A Prefeitura, por seu turno, dará o exemplo, cuidando das árvores dos espaços públicos.  Um belo presente de Natal para cidade. Teresina merece.  

 

Cineas Santos

Professor

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Cineas Santos