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Um pouco sobre mim

Cineas das Chagas Santos nasceu em Campo Formoso, município de Caracol (PI), em setembro de 48. Vive em Teresina desde 65. Professor, editor e livreiro, fundou, com alguns companheiros de geração, o jornal alternativo “Chapada do Corisco” (76/77). É proprietário da Oficina da Palavra e coordena o grupo A Cara Alegre do Piauí. Publicou: Miudezas em Geral (poesia); Tinha que Acontecer (contos); ABC da Ecologia (cordel); Aldeia Grande (humor) e o Menino que Descobriu as Palavras (infantil).

 


Sob o Signo da Amizade

cineasantos@hotmail.com


         Com a autoridade de quem já viveu um século e alguns dias, Oscar Niemeyer costuma afirmar: “na vida, o que efetivamente conta são as amizades”. Eu acrescentaria: o mais é paisagem. Quem me conhece sabe o que sou capaz de fazer por meus amigos. Mas paremos por aqui antes que esse trem  degringole de vez: auto-elogio é vitupério.  Ao que interessa: no início da semana passada, recebi uma “intimação” da professora Espedida Alves. Queria o Cara Alegre do Piauí em sua aldeia, São João do Piauí. Depois de 52 anos de magistério, Espedida resolveu dar-se ao luxo de “não mais assinar o ponto diariamente” e queria despedir-se com uma festa para seus ex-alunos, ou seja, a cidade inteira. Sem tempo para arrebanhar a cabroeira toda, ajuntei os que estavam à mão e encarapitamos  num mini-ônibus da Líder no início da noite do dia 21. Depois de 8 horas de viagem, desapeamos  em S. João, às 4 horas da manhã. Às nove, já estávamos em sala de aula. Mais de uma centena de alunos participaram das oficinas de canto (Vanda Queiroz); teatro (Chico Carbó); dança (Laila Caddah) ; flauta doce (F. Valadares); violão (Josué Costa); escultura em argila ( Genivaldo Costa); desenho e xilogravura ( Josafá); fotografia (Rosa Melo) e redação criativa, o locutor que vos fala. De quebra, levamos duas belas exposições (poemas e fotos) e uma mini-feira de livros, sob a responsabilidade de Edivaldo Nunes e Vanessa Oliveira.

 

       À  noite, na Praça Honório Santos, fizemos uma sarau lítero-musical para uma platéia diversificada e atenta. Crianças e adultos leram poemas de Da Costa e Silva, H. Dobal, Mário Faustino, Adail Coelho, Graça Vilhena , Climério Ferreira, entre outros.  A música correu por conta de Josué Costa, Vanda Queiroz, Hermínio Morais e dos jovens músicos são-joanenses. A platéia, alegre e festeira, fez o resto.  Terminamos a noitada com o batuque do mestre Luiz do Xubéu, um reiseiro à antiga que, com um vozeirão de acordar passarinhos, cantou, dançou e improvisou versos cheios de picardia.  Uma noitada inesquecível.

 

 

       Lá pelas tantas, um repórter de um dos portais da cidade me fez uma pergunta embaraçosa: - O que leva o senhor a sair pelo interior do Piauí com essa caravana, sem ganhar nada? Essa é uma pergunta que me fazem com incômoda freqüência. Como explicar a essas  pessoas que existem coisas para as quais não existe paga?  A filosofia do Cara Alegre diz tudo: o saber não compartilhado é inútil.  Como professor, sinto-me extremamente feliz em compartilhar com os meus colegas do interior o pouco que sei. Ademais, como afirmava Guimarães Rosa, “Professor é quem de repente aprende”. Essa troca de experiências nos enriquece em todos os sentidos.

 

       A partir do próximo mês, a caravana visitará outros municípios piauienses. Como sempre, vamos distribuir rações de alegria e tentar sensibilizar os donos do poder para a necessidade de acreditarem na cultura como  instrumentos de inclusão social. Nas tivesse outra utilidade, o Cara Alegre já serviria para fortalecer os laços de amizade entre os integrantes do grupo. Para alguém com o meu perfil,  isso basta.

 

 

Cineas Santos

Professor

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Cineas Santos