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Um pouco sobre mim

Dispenso apresentações formais, pois São Raimundo Nonato me conhece. Nesta cidade nasci, cresci e residi até muito recentemente. Fui professor da rede estadual e municipal de ensino, professor da UESPI e atualmente atuo na implementação e acompanhamento de programas e projetos educacionais no Ministério da Educação em Brasília. Sou Especialista em Educação a Distância pela Universidade de Brasília (UnB) e mestrando do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação da Universidade Católica de Brasília (UCB). Militante e defensor de uma educação pública, gratuita, republicana e com qualidade socialmente referenciada. Neste espaço pretendo trazer temas e questões relevantes que possam contribuir com a reflexão, problematização e compreensão da educação enquanto prática social e direito de cidadania.

 

 


O Analfabetismo no Brasil

bartolomeu.sousa@gmail.com


             A problemática do analfabetismo no Brasil possue raízes e condicionantes de natureza sócio-histórica com origem nos primórdios da nossa colonização portuguesa, marcada, na área da educação, sobretudo pela estruturação de um sistema educacional elitista e excludente. Aliado a isso, uma estrutura social injusta e desigual, na qual o Estado (naquele período a Coroa Portuguesa) se eximiu da responsabilidade pela oferta de educação à população, transferindo essa responsabilidade para uma ordem religiosa por mais de 200 anos.

 

A primeira contagem oficial da população brasileira, realizada durante o Império, em 1872, constatou que 82,3% das pessoas com mais de cinco anos de idade eram analfabetas.

 

As primeiras políticas públicas direcionadas a alfabetização de pessoas jovens e adultas foram implementadas somente em 1947 com o lançamento da Campanha de Educação de Adultos, promovida pelo governo do Presidente Eurico Dutra.

 

A partir desse período os sucessivos governos implementaram uma série de ações para a erradicação do analfabetismo, tendo como estratégia principal a realização de “campanhas” algumas sendo chamadas até mesmo de “Cruzadas”. Essas políticas e ações tratavam o analfabetismo como uma “chaga”, “doença”, que devia ser combatida.

 

Essas campanhas, que no princípio contavam sempre com ampla mobilização e divulgação, mostravam-se na grande maioria das vezes ineficazes e de baixos resultados. Ainda é comum no imaginário de muitos, quando falamos em educação de jovens e adultos a lembrança de programas como o MOBRAL (Movimento Brasileiro de Alfabetização) e o antigo supletivo de 1° e 2° Graus.

 

Essas ações, mesmo quando atingiam um grande número de analfabetos, não eram desenvolvidas com objetivos voltados para uma alfabetização que proporcionasse ao alfabetizando uma compreensão crítica do mundo como defendia Paulo Freire, segundo o qual “A leitura do mundo precede a leitura da palavra”.

 

Numa análise crítica e ideológica do problema em questão Moacir Gadotti afirma que, “o analfabetismo não é uma questão pedagógica, mas uma questão essencialmente política”. Ainda segundo Gadotti, “o analfabetismo é a expressão da pobreza, consequência inevitável de uma estrutura social injusta. Seria ingênuo combatê-lo sem combater suas causas”.

 

Dessa forma as ações de alfabetização devem ser ancoradas numa proposta político-pedagógica própria, que procure em primeiro lugar conhecer as condições de vida do  alfabetizando, como o salário, emprego, moradia, bem como as condições subjetivas, como a história de vida de cada um, suas lutas, organização, conhecimentos, seus sonhos e desejos.

 

Dados do Censo Demográfico 2000 revelam uma taxa de analfabetismo de 13,6% na população brasileira acima de 15 anos de idade. Uma análise mais detalhada desse percentual revela grandes desigualdades regionais, geográficas, de faixa etária e de renda entre a população de analfabetos do Brasil. O nordeste por exemplo, concentra 52% dos analfabetos do país.

 

Essa diversidade de sujeitos, faixas etárias e perfil socio-econômico de jovens e adultos analfabetos exigem a formulação e execução de políticas públicas intersetorias e efetivas, que articulem a alfabetização com a continuidade do alfabetizando no ensino fundamental e médio, garantindo-se condições adequadas de acesso e permanência com sucesso do aluno na escola.

 

 

Bartolomeu Sousa
Especialista em Educação a Distância

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Bartolomeu Sousa