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A
problemática do analfabetismo no
Brasil possue raízes e
condicionantes de natureza
sócio-histórica com origem nos
primórdios da nossa colonização
portuguesa, marcada, na área da
educação, sobretudo pela
estruturação de um sistema
educacional elitista e excludente.
Aliado a isso, uma estrutura social
injusta e desigual, na qual o
Estado (naquele período a Coroa
Portuguesa) se eximiu da
responsabilidade pela oferta de
educação à população, transferindo
essa responsabilidade para uma
ordem religiosa por mais de 200
anos.
A primeira contagem oficial da população
brasileira, realizada durante o
Império, em 1872, constatou que
82,3% das pessoas com mais de cinco
anos de idade eram analfabetas.
As primeiras políticas públicas
direcionadas a alfabetização de
pessoas jovens e adultas foram
implementadas somente em 1947 com o
lançamento da Campanha de Educação
de Adultos, promovida pelo governo
do Presidente Eurico Dutra.
A partir desse período os sucessivos
governos implementaram uma série de
ações para a erradicação do
analfabetismo, tendo como
estratégia principal a realização
de “campanhas” algumas sendo
chamadas até mesmo de “Cruzadas”.
Essas políticas e ações tratavam o
analfabetismo como uma “chaga”,
“doença”, que devia ser combatida.
Essas campanhas, que no princípio contavam
sempre com ampla mobilização e
divulgação, mostravam-se na grande
maioria das vezes ineficazes e de
baixos resultados. Ainda é comum no
imaginário de muitos, quando
falamos em educação de jovens e
adultos a lembrança de programas
como o MOBRAL (Movimento Brasileiro
de Alfabetização) e o antigo
supletivo de 1° e 2° Graus.
Essas ações, mesmo quando atingiam um
grande número de analfabetos, não
eram desenvolvidas com objetivos
voltados para uma alfabetização que
proporcionasse ao alfabetizando uma
compreensão crítica do mundo como
defendia Paulo Freire, segundo o
qual “A leitura do mundo precede a
leitura da palavra”.
Numa
análise crítica e ideológica do
problema em questão Moacir Gadotti
afirma que, “o analfabetismo não é
uma questão pedagógica, mas uma
questão essencialmente política”.
Ainda segundo Gadotti, “o
analfabetismo é a expressão da
pobreza, consequência inevitável de
uma estrutura social injusta. Seria
ingênuo combatê-lo sem combater
suas causas”.
Dessa forma as ações de alfabetização devem
ser ancoradas numa proposta
político-pedagógica própria, que
procure em primeiro lugar conhecer
as condições de vida do
alfabetizando, como o salário,
emprego, moradia, bem como as
condições subjetivas, como a
história de vida de cada um, suas
lutas, organização, conhecimentos,
seus sonhos e desejos.
Dados do Censo Demográfico 2000 revelam uma
taxa de analfabetismo de 13,6% na
população brasileira acima de 15
anos de idade. Uma análise mais
detalhada desse percentual revela
grandes desigualdades regionais,
geográficas, de faixa etária e de
renda entre a população de
analfabetos do Brasil. O nordeste
por exemplo, concentra 52% dos
analfabetos do país.
Essa diversidade de sujeitos, faixas
etárias e perfil socio-econômico de
jovens e adultos analfabetos exigem
a formulação e execução de
políticas públicas intersetorias e
efetivas, que articulem a
alfabetização com a continuidade do
alfabetizando no ensino fundamental
e médio, garantindo-se condições
adequadas de acesso e permanência
com sucesso do aluno na escola.
Bartolomeu Sousa
Especialista em Educação a
Distância |