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Um pouco sobre mim

Dispenso apresentações formais, pois São Raimundo Nonato me conhece. Nesta cidade nasci, cresci e residi até muito recentemente. Fui professor da rede estadual e municipal de ensino, professor da UESPI e atualmente atuo na implementação e acompanhamento de programas e projetos educacionais no Ministério da Educação em Brasília. Sou Especialista em Educação a Distância pela Universidade de Brasília (UnB) e mestrando do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação da Universidade Católica de Brasília (UCB). Militante e defensor de uma educação pública, gratuita, republicana e com qualidade socialmente referenciada. Neste espaço pretendo trazer temas e questões relevantes que possam contribuir com a reflexão, problematização e compreensão da educação enquanto prática social e direito de cidadania.

 

 


A construção da educação de qualidade em São Raimundo Nonato (1ª Parte)

bartolomeu.sousa@gmail.com


             Ao término de oito anos de uma gestão municipal em São Raimundo Nonato, procedendo a uma análise dos principais indicadores e resultados de desempenho da rede municipal de educação nas avaliações oficiais realizadas pelo Ministério da Educação (MEC), trago para a reflexão dos leitores (as) os principais problemas e desafios do nosso sistema de educação, que necessitam de ações efetivas e urgentes da nova administração municipal, que se iniciará em 1º de janeiro de 2009, no sentido de garantir a efetivação do direito a educação de qualidade para todos.

 

Pensar e discutir ações, programas e projetos para a construção de uma educação de qualidade, que seja socialmente referenciada, implica sempre em analisarmos o contexto atual e as condições concretas e objetivas em que se desenvolvem as situações de ensino-aprendizagem de nossas escolas.

 

Com uma rede de 39 escolas municipais, sendo 06 (seis) escolas na zona urbana e 33 (trinta e três) na zona rural, o município de São Raimundo Nonato apresenta uma taxa de escolarização líquida na faixa etária de 7 a 14 anos de 93%, abaixo da média nacional, em torno de 97%, o que indica um percentual considerável de crianças ainda fora da escola.

 

Com relação à idade média de conclusão do ensino fundamental, de acordo com dados do INEP de 2005, nossos alunos levam em média 15 anos para a conclusão dessa etapa, que deveria ser concluída em 09 anos, considerando-se a lei que amplia a duração do ensino fundamental, o que expressa à permanência de altas taxas de reprovação. Esses dados também revelam ainda uma taxa de distorção idade-série de 27, 2%.

 

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), apurado em 2007 foi de 3,0 para as séries iniciais do ensino fundamental e 2.8 para as séries finais. O IDEB é um indicador desenvolvido pelo MEC que combina dados de desempenho dos alunos na Prova Brasil com o fluxo dos alunos no sistema, de acordo com os dados do Censo Escolar. Nesse quesito quero ressaltar o alcance das tímidas metas previstas, porém precisamos considerar que numa escala de zero a dez estamos com índices sofríveis e vergonhosos que por si só derrubam o discurso falacioso do atual prefeito de que no seu governo “a educação está servindo de modelo para os outros municípios da região”.

 

Dados do IBGE revelam uma taxa de analfabetismo na faixa etária de 10 a 15 anos de 12,30% e de 25,10% da população na faixa etária de 15 anos ou mais.

 

Os dados do relatório público do Plano de Ações Articuladas (PAR) que foi elaborado em 2007 por uma equipe de professores, diretores e coordenadores da Secretaria Municipal de Educação a partir de um diagnóstico da situação educacional do município indicam entre outros aspectos que:

 

  • O ensino fundamental de 9 anos, instituído pela Lei nº 11.274 de 06 de fevereiro de 2006 ainda não foi implantado no município;
  • Menos de 50% dos professores que atuam na educação infantil (creches e pré-escola) possuem habilitação adequada;
  • Não existem políticas voltadas para a formação continuada dos professores tanto no que se refere aos componentes curriculares, como as questões de educação especial, educação do campo, educação ambiental, diversidade e relações étnico-raciais;
  • Não existem ações para o combate a distorção idade-série e conseqüente correção do fluxo escolar;
  • Inexistência de bibliotecas na grande maioria das escolas ou com instalações inadequadas para o acervo nas escolas onde existem bibliotecas;
  • Inexistência de laboratórios de informática nas escolas, com computadores ligados a internet (apenas duas escolas possuem laboratórios com acesso a internet);
  • Menos de 50% das instalações e equipamentos gerais das escolas são adequados ao fim a que se destinam e estão em bom estado de conservação;
  • Menos de 50% das escolas da rede possuem materiais didático-pedagógicos como mapas, dicionários e brinquedos, sendo que a quantidade existente não atende a necessidade de professores e alunos;
  • Inexistência de quadras de esportes e outros espaços de recreação para uso de alunos e professores.

 

Mesmo com um quadro de baixos indicadores e precariedade das condições físicas e materiais que concorrem para a qualidade da educação, considero como maior desafio do futuro Prefeito Pe. Herculano Negreiros o envolvimento e a participação ativa de toda a sociedade na discussão e proposição de ações, programas e projetos que se traduzam no atendimento e universalização da educação básica a todas as crianças, jovens e adultos com qualidade social.

 

Uma educação pública de qualidade social, que garanta a todos o acesso aos conhecimentos historicamente produzidos pela humanidade e necessários ao exercício da cidadania, que contribua para a incorporação de princípios e valores éticos de solidariedade, respeito ao meio ambiente e fortalecimento da democracia somente acontecerá quando a educação for incorporada como valor social e bem público por toda a sociedade, o que exige transparência no tratamento das questões educacionais e uma gestão democrática e participativa no debate, proposição e acompanhamento das políticas de desenvolvimento da educação.

 

Bartolomeu Sousa
Especialista em Educação a Distância

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Bartolomeu Sousa