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Um pouco sobre mim

Dispenso apresentações formais, pois São Raimundo Nonato me conhece. Nesta cidade nasci, cresci e residi até muito recentemente. Fui professor da rede estadual e municipal de ensino, professor da UESPI e atualmente atuo na implementação e acompanhamento de programas e projetos educacionais no Ministério da Educação em Brasília. Sou Especialista em Educação a Distância pela Universidade de Brasília (UnB) e mestrando do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação da Universidade Católica de Brasília (UCB). Militante e defensor de uma educação pública, gratuita, republicana e com qualidade socialmente referenciada. Neste espaço pretendo trazer temas e questões relevantes que possam contribuir com a reflexão, problematização e compreensão da educação enquanto prática social e direito de cidadania.

 

 


A Valorização do Magistério e o Piso Salarial Nacional (2ª Parte)

bartolomeu.sousa@gmail.com


              Como vimos no artigo anterior à luta dos profissionais da educação por um piso salarial nacional remonta ao Império. No entanto as primeiras mobilizações sociais para a sua conquista datam do período de industrialização e urbanização nas décadas de 50 e 60.

 

Naquele momento registrou-se a criação das primeiras organizações de professores no Brasil que constituíram a Confederação dos Professores Primários do Brasil (CPPB) vindo mais à frente a se transformar na Confederação dos Professores do Brasil (CPB), reunindo também os professores do ensino médio.

 

A crescente industrialização do País gerou uma grande migração do campo para as cidades e uma grande demanda por educação escolar, provocando uma conseqüente falta de professores. Diante desse quadro, as autoridades da época procuraram solucionar o problema com a possibilidade legal do acúmulo de cargos para o magistério, concedido pela Constituição de 1946 e em vigor na Constituição atual.

 

De lá para cá assistimos ao longo dos anos a um processo intenso e progressivo de redução salarial, expansão da jornada de trabalho docente, baixos investimentos financeiros do setor público, além de grandes diferenças nos vencimentos dos professores entre regiões, estados e municípios.

 

Em 1881 durante o XIV Congresso Nacional da CPB realizado em Fortaleza, foi feita a primeira proposta de PSPN, formulada pela categoria, estipulando o valor do piso de três salários mínimos para uma jornada de 20 horas semanais.

 

O debate do piso continua, tendo um momento importante durante os trabalhos da Assembléia Nacional Constituinte de 1988. Porém as discussões e mobilizações não frutificaram naquele momento.

Em 1989 a CPB e as organizações de supervisores educacionais, de orientadores educacionais e de funcionários das escolas unificaram-se numa mesma entidade federativa, a Confederação dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

 

Com a promulgação da Constituição em 1988 abriram-se dois caminhos legais para a aprovação do Piso: o texto da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) em discussão no Congresso Nacional e o Projeto de Lei para Fixação do Piso.

 

A nova LDB (Lei nº 9.394/1996), considerando-se os avanços e conquistas obtidos pela atuação decisiva dos movimentos e entidades educacionais reunidos no Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública, representou os interesses dos setores hegemônicos afinados as políticas neoliberais sem nenhuma previsão de Piso Salarial para o magistério.

 

A que se registrar, no período entre a promulgação da Constituição Federal de 1988 e a nova LDB, em 1993, no governo do Presidente Itamar Franco, o então Ministro da Educação Murilo Hingel aprovou o Plano Decenal de Educação Para Todos (1993 – 2003) e o Pacto pela Valorização do Magistério e Qualidade da Educação Pública. Como resultado dessa nova agenda política, o MEC propôs um Piso Salarial Nacional no valor de R$ 300, 00 (trezentos reais) a preços de julho de 1994, que deveria ser implementado no âmbito do Pacto pela Valorização do Magistério, em 15 de outubro de 1995, corrigida a inflação.

 

Com a posse de Fernando Henrique Cardoso em 1995, assume o Ministério da Educação o Ministro Paulo Renato Souza, determinando novos rumos para a política educacional do País. Dessa forma tanto o PSPN como o Pacto feito no governo anterior foram rompidos, sendo extinto o Plano Decenal de Educação para Todos, em mais um típico momento de descontinuidade das políticas públicas tão presente na história do nosso País.

 

No próximo texto destacarei as lutas e embates travados pelos profissionais da educação nos anos seguintes até a aprovação da Lei nº 11.738 que institui o Piso Salarial Profissional Nacional para os profissionais do magistério público da educação básica  e os desdobramentos atuais para a implementação da lei.

 

Bartolomeu Sousa
Especialista em Educação a Distância

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Bartolomeu Sousa