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Um pouco sobre mim

Dispenso apresentações formais, pois São Raimundo Nonato me conhece. Nesta cidade nasci, cresci e residi até muito recentemente. Fui professor da rede estadual e municipal de ensino, professor da UESPI e atualmente atuo na implementação e acompanhamento de programas e projetos educacionais no Ministério da Educação em Brasília. Sou Especialista em Educação a Distância pela Universidade de Brasília (UnB) e mestrando do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação da Universidade Católica de Brasília (UCB). Militante e defensor de uma educação pública, gratuita, republicana e com qualidade socialmente referenciada. Neste espaço pretendo trazer temas e questões relevantes que possam contribuir com a reflexão, problematização e compreensão da educação enquanto prática social e direito de cidadania.

 

 


A Valorização do Magistério e o Piso Salarial Nacional (1ª Parte)

bartolomeu.sousa@gmail.com


        No momento em que a Câmara Municipal de São Raimundo Nonato analisa e discute o Projeto de Lei que reformula e atualiza o Plano de Carreira dos Professores da rede pública municipal e em todo o país, seja no âmbito dos municípios, dos estados e da União, discute-se a implementação do Piso Salarial Profissional Nacional (PSPN) é importante contextualizarmos historicamente o movimento de lutas e mobilizações dos professores e demais trabalhadores em educação pela valorização profissional e melhoria da qualidade da educação.

 

No que pese a grande distância entre os discursos políticos, os ideais proclamados e a realidade concreta da educação escolar, o ano de 1827 foi um marco para a educação no Brasil. Três leis de grande relevância foram promulgadas organizando de forma descentralizada a oferta da educação básica vigente até os dias atuais. Entre essas leis uma não vingou; outra atendeu parcialmente ao preceito originário proposto. Apenas uma, a Lei Geral da Educação, de 15 de outubro, prosperou com maior amplitude.

 

Entre essas leis, uma assinada pelo Marquês de Queluz criou um Piso Salarial Nacional para os professores de primeiras letras e de gramática latina no valor de 150$000(cento e cinqüenta mil réis anuais). Com efeito, limitações financeiras impediram a implementação da lei, mesmo com o Legislativo tendo previsto complementação às províncias (hoje estados) impossibilitadas de arcar com os valores.

 

Durante todo o período imperial não foram realizadas ações concretas que garantissem o direito de toda a população ao acesso a educação escolar. O sistema escravocrata, a forte hierarquia de direitos, mesmo entre os “homens livres”, a falta de escolas, constituíram uma realidade de exclusão das massas do acesso à escola pública.

 

A instauração da República em 1889 não mudou o quadro de exclusão da grande maioria da população da época do acesso à educação escolar. Até os anos de 1930 e 1940, embora o País já tivesse abolido a escravidão, a elitização dos direitos sociais persistia e a escola pública não fugia à regra. A oferta de ensino concentrava-se nos centros urbanos, principalmente nas capitais. Nesse período foram realizadas reformas em alguns sistemas estaduais de ensino e criados os Liceus, que formavam verdadeiras ilhas de excelência, porém apenas uma minoria abastada tinha acesso garantido aos estudos.

 

No período das décadas de 1930/40 os professores atingiram o ápice da valorização histórica da categoria. Segundo João Monlevade (2007) nesse período seus vencimentos equiparavam-se aos dos juízes e promotores. Nas décadas de 1950 a 1970 assiste-se a desvalorização acelerada do magistério, exatamente quando explodem as matrículas no antigo 1º grau e se multiplicam por mil o número de professores.

 

Nos anos 1980 os profissionais e entidades da educação unem-se aos demais movimentos e entidades da sociedade civil pela redemocratização do país, denunciando as precárias condições e o caráter seletivo e excludente da escola no Brasil.

 

Os anos de 1990 aprofundam o quadro de sucateamento, precarização e desprofissionalização da função docente e de desvalorização econômica e social do magistério. As reformas educacionais realizadas nesse período, materializadas na Lei nº 9.394/96 e outros instrumentos de política educacional visam adequar a educação à nova ordem econômica e social imposta pela globalização, imprimindo a educação um caráter utilitarista e de formação de mão-de-obra para o mercado de trabalho.

 

Hoje, é consenso na sociedade que os professores ganham mal e por isso são desvalorizados. Também sabemos que o professor é um ator central no processo de melhoria do ensino oferecido em nossas escolas e que sem a valorização do professor, qualquer outra medida ou política pública terá efeitos limitados ou nulos na melhoria da qualidade da educação. Dessa forma são urgentes medidas que visem à melhoria salarial da profissão docente, aliada aos demais conceitos de valorização, como condições adequadas de trabalho, progressão na carreira e formação inicial e continuada.

 

O Piso Salarial Profissional Nacional, aprovado pela Lei nº 11.738/2008 representa uma dívida histórica do país com a categoria do magistério público, sendo um primeiro passo para o resgate da profissão do educador e, portanto, imprescindível e urgente sua implementação.

 

 

REFERÊNCIAS:

 

CNTE. Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação. Uma aula de história sobre o Piso Salarial Profissional Nacional. Disponível em www.cnte.org.br acesso em 20 de Nov 2008.

 

MONLEVADE, João Antônio. Para entender o FUNDEB. – Ceilândia - DF, Idea, 2007.

 

Bartolomeu Sousa
Especialista em Educação a Distância

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